Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Não sei porque te canto!

Não sei porque te canto!
Esqueceste-me!
Não mais te lembrarás de mim!

Guardo no coração
as tuas palavras,
meus olhos vêem-te,
meus ouvidos escutam-te,
Estás...
mas não estás.

Precisava ouvir-te mais
mas não posso.

Sinto-me só
abandonada
no meio do mar embravecido
e num barco sem leme.

Penetraste no meu mundo
sem que nada te dissesse
porque sempre me adivinhaste.

Agora, não tenho ninguém!...
Não sei dizer o que quero!...
E para quê falar?
Se tu tinhas dificuldade
quem poderá entender-me???!!!...

Não sei.

Vaguearei pela escuridão da vida
à procura de um outro alguém
que nunca por nunca
poderá ocupar o teu lugar,
porque és inconfundível!...

Que os anjos te protejam
onde quer que estejas.

No mundo, somos como pássaros,
precisamos voar,
procurar novos horizontes!...
Que o dia te amanheça!

Vou lutar
para fazer um dia claro
da minha noite escura,
não sei como,
nem com quem.
Mas...
para quê preocupar-me?!...
Afinal,
se a vida é uma aventura...
... eu vivo!

Hermínia Nadais

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

A minha aldeia


Uma brisa suave
balança a cortina
na janela aberta da cozinha,
sacode a roupa da corda
e agita o vimeiro
do fundo do quintal
da minha filha…
As chaminés da Póvoa
deixam escapar o fumo
que se esvai sobre os telhados vermelhos
ao encontro do verde escuro
dos pinhais…
O céu está cinzento
na calma penumbra da tarde…
Os pássaros chilreiam alegremente
junto à janela…
O pálido sol
que baixa no horizonte
faz brilhar docemente
as luzes
que se vão acendendo
nas bermas das estradas e caminhos…
Que linda, suave e doce
é a minha aldeia
vista deste canto
da mesa da minha cozinha!...

Áh! Querida aldeia!...
Quanta paz
que me dás!...

Hermínia Nadais

Saudades


Tenho saudades do Sol
Do vento, das borboletas,
Do murmúrio das águas
Do silêncio e solidão
Que deixa o corpo sozinho
Mas preenche o coração.

Tenho saudades da vida
Do correr, do saltitar,
De fazer o que é preciso
Sem nada desamparar
De dizer que sou feliz
Com tudo o que acontecer
Porque não consigo mesmo
Descobrir ser nesta lida
Algo que possa ser útil
No desenrolar da vida.

Tenho saudades de tudo
Que me fazia crescer,
Pois p’ra crescer nesta hora
Terei de ser, sem demora,
Algo que vive a morrer.

Hermínia Nadais

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Ama a vida!...

ELA!!!... A vida...
É mais bela que o alvorecer da manhã,
a melodia dos pássaros,
o canto da chuva,
a verdura dos prados
e o colorido perfume dos jardins,
a alvura da neve,
a candura da Lua,
o cintilar das estrelas,
o brilho do Sol,
as cores do arco-íris,
o azul do céu, o silêncio da floresta...
o marulhar das ondas sob o Sol
desmaiado da penumbra da tarde
que ilumina os beijos doces das gaivotas na praia...
Ama!... Sorri!... Canta!... Grita de alegria!...
Diz a toda a gente o quanto é delicioso
dançar na valsa do tempo
a ternura do amor!...
Hermínia Nadais

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Saudade!


Amigo ausente, debandado!
Perdi-te na melodia do tempo!...
Gastei vida
na ânsia desenfreada de te encontrar!
Parei!... Escutei!...
Abri os olhos do coração...
e, lá bem no fundo...
nas trevas mais densas e escuras,
senti a ténue luz do teu brilho.
Afinal... corri tanto... e estavas tão perto!...
Então,
acercaste-te um pouco mais da luz,
sorriste para mim
e balbuciaste palavras inaudíveis
nos gestos mais ternos.
Agora, não te procuro mais!...
Vou viver contigo,
assim,
no aconchego dos meus dias,
embalada
na lembrança doce
da tua amizade inconfundível
que continua
a iluminar-me os passos
nas torturas amargas da vida.
Obrigada!


Hermínia Nadais

Alentejo

Tudo é verde de encantar
e de amarelo salpicado
com casas aqui e além
e a pastar muito gado
vacas porcos e ovelhas
ainda cabras também
e árvores a enfeitar
esta paisagem de encanto
que o nosso Alentejo tem.

Nunca me canso de o ver
ao longo de todo o ano
com seu aspecto diferente
nas épocas que o medeia
e que sempre maravilha
a gente que o passeia.

Com o sol abrasador
cobrindo o seu chão dourado
ou com as nuvens cinzentas
sobre um manto esverdeado
onde os animais se espalham
um pouco por todo o lado
e os tractores vão lavrando
as suas terras barrentas
para colocar as sementes
que as vidas alimentam.

Alentejo, és vastidão
grandeza beleza e calma
ao homem dás emoção
muito amor ao coração
e um vibrar forte
na alma.

Hermínia Nadais
(De passagem para o Algarve)

AMOR


Procurei-te no coração ardente da vida!
Encontrei-te!
Mergulhei contigo num poço de paz!
Agora,
nada mais me interessa.
Vivo do sabor dos teus beijos!
Canto ao som da tua música!
Bebo do teu cálice!
Como do teu pão!
Meus pés
sempre saberão por onde ir,
porque sinto a frescura leve dos teus passos
que me seduzem e encaminham.
Às vezes,
retiras-te e deixas-me nas trevas.
Depois,
brincas comigo
às escondidas.
Mas,
quando ouves os meus soluços
apressas-te a socorrer-me.
Não te vejo nem te oiço,
mas sinto-te.
Sei que estás!... Que és!... Que te dás!
Até quando viverei,
assim,
vendo-te apenas
com os olhos
apaixonados e cegos do coração?!...

Hermínia Nadais

domingo, 5 de agosto de 2007

EU

Fui assim... Cresci!...
E crescerei até ao fim dos meus dias,
de olhos postos num futuro que desconheço
mas no qual sempre confiei e confio.
Hermínia Nadais