Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

sábado, 26 de abril de 2008

GUERRA DE PAZ


Para quantos afirmam
que a paz
não se constrói com a guerra...
eu apelo
veemente
a começarem
de imediato
a travar a verdadeira
guerra de paz!

Ao contrário
do que muitas vezes se diz
a conquista da Paz
pressupõe a maior guerra...
guerra invisível
sim
mas profundamente
sensível
e que leva à maior dor
que se possa imaginar!...

Dói ver
dói observar
faz gritar de dor
o ver guerrear
com armas e canhões
estragar o progresso
com explosões
trocar palavras e gestos de guerra
matar corpos inocentes
e fazer sangrar almas e corações...

É lamentável sentir
como é fácil e mesquinha
estúpida e mentirosa
esta guerra
pavorosa
contra tudo
o que está fora de nós
e que não leva a nada
além da nefasta e desastrosa
destruição
desatinada!...

A única guerra
que leva
à verdadeira conquista da paz
é a guerra
que cada Homem faz
numa luta sangrenta
e aturada
pelo reconhecimento
destruição e morte
de todos os seus defeitos dominantes...
é cada homem
deixar de se colocar
sempre
no coração do mundo...
é o deixar
que o outro possa viver
a sua própria razão
de sentir estar
e ser...
é o tentar
avidamente
ver a razão do outro
antes de procurar
encontrar
a sua própria razão...
é o dar a mão
a quem nos ofende...
é o defender
com sensatez
a realidade
quando a maldade
à verdade
não se rende...
é o querer
como Pessoa
sempre crescer
crescer... crescer.

O ódio mata
sem piedade
o odiado,
mas mata muito mais
aquele que odeia...
então,
para não morrermos...
sem razão...
troquemos
o ódio pelo amor
e odiemos
apenas
tudo o que em nós está errado
e façamos tudo
para que esse mal
fique p’ra sempre
bem morto e enterrado!
Experimenta assim viver...
e sentirás
que, finalmente,
neste mundo
insolente
haverá alguma Paz!...

Hermínia Nadais
In Notícias de Cambra

terça-feira, 22 de abril de 2008

Canto de Amor!



Falar de incompreensão
“Contigo” nunca condiz,
Pois Teu doce coração
Escuta sempre o que se diz.

Meu Amor, fala baixinho,
Ao meu ouvido, em segredo,
Não quero que o mundo saiba
Que sem Ti, estou num degredo!...

Quando oiço o rouxinol
Muito alegre, a assobiar,
Recordo a vida que levo
Meu Amor, só por Te amar!

Cantas dentro de meu peito
Belos cantos de ternura,
Quando Contigo me deito
No meio da noite escura!

Estou tão louca de paixão
Tal como nunca senti,
Já matei minha ilusão
De tentar viver sem Ti!

Vejo muitas andorinhas
Poisadas pelos beirais,
Lembrando as falas meiguinhas
E os Teus sorrisos leais!

Gosto de ver as estrelas,
Luzeiros da noite escura,
Recordam-me a Tua luz
Que me enche de ventura!

É tão bom ficar sozinha
Sem ninguém a incomodar,
É a maneira mais fácil
Meu Amor, de Te falar!

Ter-Te, Amor, por companhia,
É toda a esperança minha,
Na angústia ou alegria,
Sei que nunca estou sozinha!

Sinto-Te dentro do peito
E não canso de dizer-Te:
“Não me deixes magoar-Te,
Prefiro morrer, p’ra ver-Te!”

Hermínia Nadais

Primeira versão do poema editado no meu livro
“ESPAÇOS... dos meus dias”

sábado, 19 de abril de 2008

CIÊNCIA


A maior ciência do homem é descobrir e aceitar a melhor forma de viver de harmonia consigo próprio e com a humanidade।

Hermínia Nadais

terça-feira, 15 de abril de 2008

CRITICADOR



Quem és tu, criticador?!...
Pessoa “perfeita”
e aprumada
com língua orgulhosa
e desatada
qual espada
espessa forte e afiada
que balançando
gira sem se saber por onde
e toca sem se saber em quê
porque só vê
o que quer e entende ser melhor
para espalhar por toda a parte
o ódio o desprezo e o terror?...

Quem és tu, criticador...
criticadora
cavalheiro linguareiro
ou senhora
sem escrúpulos
sem espelho
sem pudor ou contenção
que tem o umbigo do tamanho de um balão
para o olhar constantemente
e com a ideia
de que não há nada de bom
na gente que te rodeia?...

Quem és tu, criticador?!...
Um cegueta,
egoísta
impostor
que te julgas superior
a toda a gente
porque não enxergas as palas
que trazes da cabeça até aos pés
a estorvar-te de te ver tal como és?...

No dia em que conseguires
olhar-te frente a frente
verás
o quanto és cego
louco e deprimente!...

Então...
não mais criticarás
seja quem for
porque
o horror
que de ti mesmo
irás sentir
te fará passar
de impertinente
a um acérrimo defensor
de toda a gente!
Hermínia Nadais

segunda-feira, 7 de abril de 2008

MEU GRANDE AMIGO!

Amo-te mais agora quando
tudo parece perdido
na amarga dor de um desencontro
que não sei se algum dia irá desfazer-se.

Não conseguirás nunca
roubar-me das estranhas
a linguagem do teu olhar
nem obrigar o meu coração
a esquecer o calor da tua voz.

A minha mente viverá cada vez mais
de tudo quanto lhe deste
e os meus passos
me levarão à plenitude
que sempre procurei
guiada pela suavidade das tuas mãos.

Que a calma doce do tempo
afague as torturas normais do desenrolar da vida
e que longe ou perto
o “Amor Verdadeiro” nos cumule
de harmonia e paz.

Continuarei a minha luta
trauteando por ti
uma canção de saudade.

Hermínia Nadais

sexta-feira, 4 de abril de 2008

PAIXÃO


Numa tarde amena, um bando de pombas sobrevoava a cidade.
Quedou-se por momentos junto ao lago dos cisnes... onde um casal de velhinhos acabava a sua longa cavaqueira.
Por entre o relvado, os canteiros exibiam jacintos amarelados, azáleas vaidosas e delicados amores-perfeitos de hastes emaranhadas que formavam, aqui e além, tapetes fofos e coloridos.
O sol doirado caiu no horizonte! Lentamente, a escuridão da noite cobriu todo o espaço com o seu manto de carícias!
Então, os olhos apaixonados do orvalho, enamorados de tanta beleza, beijaram docemente a paisagem... até que o raiar do novo dia lhes enxugou o pranto.

Hermínia Nadais

quarta-feira, 2 de abril de 2008

EVIDÊNCIA

Por mais que o HOMEM faça para negar a existência de DEUS, apenas consegue mostrar com mais evidência que ESSE Ser Superior, chamam-Lhe o nome que entenderem, existe... e a Sua existência está tão intrinsecamente integrada no ser humano que leva o Homem a transcender-se a si mesmo na busca constante das raízes incompreensíveis do seu ser... onde... lá bem no fundo... de forma consciente ou inconsciente... habita Deus, quer seja ou não aí encontrado por esse mesmo homem।

Hermínia Nadais

AMOR

O homem não pode ser inimigo do homem, porque todo o homem foi criado para o mesmo fim – o AMOR. Por isso, quando o homem fala em vencer o inimigo, o único inimigo do homem é o desamor ou pecado, o seu pecado, ou seja, o abandono consciente e consentido do caminho que deve seguir - simplesmente, AMAR, com todas as implicações que a palavra encerra.

Hermínia Nadais

terça-feira, 1 de abril de 2008

NÃO!


Não procuro
nada,
porque não sou
nada
neste mundo escuro!

Não percebo
nada
porque não consigo
nada perceber!

Não sei como
vivo
porque não
consigo
aprender a ser!

Entre mim e o mundo
existe um vazio
tão largo e profundo...
que por mais que faça
nunca mais consigo
nele saber viver!


Hermínia Nadais