Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Cruz


Eu não sei o que é a Cruz!
Que existe cruz, eu sei,
se de pau ou ferro
bronze ouro ou prata
não interessa
porque essa cruz
não mata não dá vida nem inquieta.

A Cruz…
Eu não sei o que é a Cruz!
Sei que foi em dois madeiros
o horizontal
oposto ao vertical
bem apegados
que há dois mil anos
as mãos e pés de um jovem
por mim
foram pregados…
mas mesmo assim
não se fez luz
e eu continuo sem saber o que é a cruz.

A Cruz…
a verdadeira Cruz
da humanidade
não tem hastes
nem paus
nem pregos
não tem nada
onde se veja
que é na Cruz que ela vive e está pregada.

A Cruz…
Eu não sei o que é a cruz!...

É, talvez…
um caminho a percorrer
que nunca se saberá ao certo
aonde ele irá ter;
o aceitar o irmão
quando os seus gostos
nos contrariam de todo
o coração;
o discernir
o certo do errado
e, mesmo a sofrer
aceitar do melhor grado
o que é melhor fazer;
o sorrir à vida
quando para os nossos olhos
não tem beco p’ra saída;
é o olhar
serenamente o mundo
para o abraçar
com o coração
ardendo de amor profundo
e a sofrer…
porque além do muito amar
pouco ou nada mais
se poderá fazer;
é o deixar-se conduzir
sem saber por onde
nem porquê
à mercê
do amor
que bem se sente
mas na prática
realmente
não se vê;
é o amargurar-se
com a dor do irmão
e o alegrar-se
quando tiver satisfação;
é, o querer,
o saber
e o não poder fazer;
é, o doar-se
sem reserva
ou restrições
e dessa dádiva
apenas receber
desilusões;
é…
Não sei que mais
será a Cruz…
mas, com rigor,
será sempre
amor e luz
trevas e dor
que no rodar da lida que existir
a vida à VIDA
para sempre irá reconduzir.

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