Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

NA ÂNSIA DAS DESCOBERTAS… INCERTEZAS E BELEZAS


Desolação total porque não consegui os objectivos a que me tinha proposto… pois não percebi nada do que ouvi nem de muito do que vi… coisas da vida… que me vão obrigar a continuar a pensar!...
Levantei-me cedo para começar logo de manhã com uma boa orientação espacial. O nascer do sol em Vilar de Perdizes acontece no mesmo lado de Santa Cruz. Senti-me em casa. Antes das oito fomos colocar-nos na frente da igreja, pois segundo informações recolhidas a Eucaristia, se a houvesse, seria celebrada às oito ou oito e meia, e como queríamos falar com o Senhor Padre Fontes, era a melhor forma de o encontrar.
Chegados junto à igreja, as mulheres, que se iam aglomerando, quase todas esperavam fora da igreja... e mais pareciam gralhas que pessoas.
De aspecto cansado, o Padre aparece ao fundo da rua. Vou ao seu encontro:
-Olá Senhor Padre Fontes! Não me conhece, mas conheço-o da Televisão e gosto muito de si!
-Pois! Toda a gente me conhece…
-Eu sei. É por causa do Congresso da Medicina Popular. Como arriscou a meter-se num evento desses? Tem tido grandes sucessos! Pelo menos é o que parece, e as pessoas aqui dizem.
-Sim, tenho tido sucesso.
-Porque quis enveredar por esta via? Para alertar as pessoas? Para as ilucidar da verdade?
-Sim! Isto já vem muito de trás…
-O Senhor Padre aceita um livrinho dos meus, que ofereço com muito carinho?
-Sim, obrigada!
E, apontando a porta da igreja, diz muito brandamente:
-Pode entrar?!
-Claro! Estou à espera do meu marido para participarmos na Eucaristia.
E entramos, logo de seguida! Já estava com a Missa começada… que logo acabou. O aviso do final pôs a mulherada num polvoró, pois falou-lhes da Missa de amanhã, dia da Senhora das Neves, e elas não compreenderam o que Padre disse.
Saímos, e o Senhor Padre saiu logo após e perguntou-nos de onde éramos. Depois de alguma troca de frases calorosas e elucidativas acabou por dizer que tinha quatro freguesias, mas não eram o que lhe dava mais trabalho. Aconselhou-nos a visitar a capela de Nossa Senhora das Neves, com uns murais muito antigos. E falou também numas festas e condecorações. Despedimo-nos e seguimos cada qual o seu caminho.
Fomos visitar a supracitada capela e rumamos para Montalegre, onde, no Posto de Turismo/Ecomuseu encontramos o “Espaço do Padre Fontes”, um miminho que a população lhe quis oferecer pelos inúmeros trabalhos realizados em prol da preservação da história da actividade local.
Mas… muito sinceramente… nalgumas povoações que visitamos hoje pareceu-me que os cemitérios e igrejas seriam, muito embora de cuidar… mas assim como umas coisas um tanto incomodativas, por isso, de manter à margem, a uma certa distância. Fiquei muito triste!...
Continuamos viagem! Por estas paragens, até os animais têm elevada inteligência, educação e boa forma de estar. Numa parte da estreita estrada em que havia bermas mais largas e arenosas, encontrámos dez vaquinhas muito bem deitadas ao sol, a remoer a comida, muito calmamente. Passámos entre elas que nem sequer se mexeram. Um pouco mais adiante uma cabrinha estava pendurada numa pequena brecha da berma, enquanto dois cães se arrumaram muito bem para podermos passar.
Quando nos deparámos com certas atitudes humanas, verificamos que a natureza tem coisas incompreensíveis, é bela, exemplar, cumpre a finalidade para que foi criada!.
Neste louco rodar as paisagens e comportamentos encantadores têm favorecido uma pertinente meditação e um constante hino de louvor e de permanente acção de graças.
Todos os momentos da vida são irrepetíveis, mas quando visitamos um lugar que nos enche o coração e não temos a certeza de um dia voltar, esforçamo-nos ao máximo por sorver sofregamente do espaço toda a maravilha.
Depois de atravessar a Barragem do Lindoso, esta noite está a ser passada no sumptuoso Santuário de Nossa Senhora da Peneda, ou seja, de Nossa Senhora das Neves cuja festividade se realiza amanhã, mas que aqui chamam de Nossa Senhora da Peneda e festejam no dia 8 de Setembro.
Não há redes de telemóvel… nem nada que nos perturbe. Em contrapartida, parece que o céu se faz presente na terra para nos mimar com todas as suas carícias.
A solidez escarpada dos penedos aprumados e a vegetação fresca e estonteante que rodeia toda esta recordação de um passado cheio de memórias, glórias e histórias, faz-nos olhar para o alto e repensar o modo de viver melhor a vida!
Escondido entre serranias onde a pastorícia encanta, este é um local aprazível de descanso, silêncio, espiritualidade, religiosidade, misticismo, gozo, harmonia e paz.

Santuário de Nossa Senhora da Peneda - 2010/08/04 – 22.20h

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