Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Manhã na Ria da Torreira



Depois da calmaria
de uma qualquer noite iluminada
de modo a encantar
qualquer olhar
que se queira deleitar
na água semi-doce da ria,
surge a lenta madrugada
que com o constante clarear
da escuridão
vai enclausurando
na claridade diurna
toda a acolhedora beleza
que o ambiente nocturno
sempre tem para ofertar.
As gaivotas despertam
no seu chilrear
planando em voo brando
a baixa altitude
na procura de algum peixe incauto
que se arrisque a subir
à superfície
e acabe por lhe servir de pequeno almoço.

O saboroso silêncio da noite
é interrompido pelo ruído
dos veículos dos pescadores
que vêm de longe
e se deleitam
em brincar
lançando com as canas e sedielas
os mentirosos anzóis
com que enganam os sossegados peixes.

Em altos tons de voz,
os habitantes da zona
que fazem vida
trabalhando nas águas cintilantes da Ria
vão-se aproximando das marinas
para tirar do descanso
as pequenas traineiras
e partir à descoberta
de quanto as redes possam retirar
do interior do canal
enquanto os carros frigoríficos
esperam com ansiedade
encher as suas Câmaras
para com elas abastecer os mercados.

Entretanto,
os nevoeiros matinais
esvaem-se
e debaixo do sol ardente
inúmeras traineiras
continuam a sulcar as águas
e os apanhadores de marisco
escolhem as baixas marés
para colherem as suas presas,
enquanto os que passeiam por ali
sorvem toda esta vida
que os enche de encanto.

Que cuidados imensos teve O Criador
com todos os pormenores da manhã
deste canto do paraíso.
 

1 comentário:

Anónimo disse...

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