Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

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domingo, 3 de junho de 2012

Família e Juventude






Hoje, Celebração Litúrgica da Festa da Santíssima Trindade, pela conclusão do VII Encontro Mundial das Famílias, em Milão, e ainda pelo encerramento das Jornadas Diocesanas da Família e Juventude com “Bodas” matrimoniais realizadas na nossa Diocese do Porto, acrescidas de um sem número de celebrações de Profissões de Fé e outras decorridas um pouco por todo o lado, é um dia muito importante para toda a Igreja Católica.
Tocou-me sobretudo a Homilia do nosso Bispo, D. Manuel Clemente, toda ela riquíssima de ensinamentos e vida, o que vou referir sucintamente transcrevendo os pontos mais relevantes: 

“Caríssimos irmãos e irmãs, especialmente vós que celebrais Bodas Matrimoniais este ano:
Dizemo-nos e reconhecemo-nos “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Assim mesmo fomos batizados e assim mesmo somos “cristãos”, ou seja, ungidos pelo Espírito, para nos retribuirmos “com Cristo, por Cristo e em Cristo” a Deus Pai, em Quem todo o poder é amor e vida, em eterna fonte.
Mas, sendo Deus vida partilhada – entre o Pai e o Filho na união do Espírito-, só na partilha se pode conhecer: e não como quem O pensasse em abstrato, mas como quem O reconhece na relação.
A própria natureza das coisas vai nesse sentido. Nascemos da relação dos nossos pais e sempre interdependentes uns dos outros, nas famílias que tivemos e todos devem ter. Por isso hão de ser apoiadas, para que tudo decorra positivamente, devendo a sociedade reconhecer em cada família a melhor escola da sociabilidade, onde aprendemos a viver solidariamente. Tanto assim é que, quando não se garante este primeiríssimo patamar da sociabilidade, em si mesmo insubstituível, os seguintes logo se ressentem negativamente.
Caríssimos irmãos e irmãs, sobretudo vós, os que vos “casastes no Senhor” (cf 1 Cor 7, 39), pela graça própria do sacramento do Matrimónio: Vós reconhecestes e reconheceis pela fé recebida e por experiência própria, que o desígnio divino sobre a família se garante em Cristo, vencedor definitivo de tudo quanto nos divide e separa.
- Que bom, que belo e verdadeiro é estarmos aqui a celebrar Bodas matrimoniais, de dez, vinte e cinco, cinquenta e mais anos! Estou certo e bem certo de que todos nos contaríeis histórias vividas das vitórias da graça de Cristo, que foi mais forte do que as tentações que certamente sofrestes, como sofremos todos, nesta ou naquela aceção.
Caríssimos irmãos e irmãs em Bodas matrimoniais: Vós sois os verdadeiros campeões da vida e os que mais importa reconhecer e louvar! E quando nos apresentam tantos vencedores disto ou daquilo – justamente vencedores, por vezes -, vós, caríssimos casais, vós é que sobretudo ganhais e mereceis o primeiro lugar no pódio!
Num pódio que, aliás, não se desmonta, quando acabam os hinos e se entregam as taças… O vosso pódio é o amor de Deus em vós, e este nunca acabará (1 Cor 13, 8)!” 

E continuou pedindo às famílias para testemunharem permanentemente de forma serena o quanto é possível com Deus e de que o Matrimónio, Sacramento ou sinal de vida com Deus, não está ultrapassado, pois é o garante da vida e do futuro, pois reconhece a necessidade de persistir, perdoar e seguir em frente e em unidade mais amadurecida, como a corrente profunda do mar ou a linha contínua do tempo, que, mesmo com Outonos e Invernos, ruma sempre à Primavera.” 

E prosseguiu que, muito mais do que dizer o valor da Sacramento do Matrimónio, é importante a demonstração real e concreta do que vai sendo dito, e que os presentes podem atestar por experiência própria ganha nas dificuldades vencidas que, sendo impossíveis para os homens, são possíveis a Deus. (Mt 19, 26).” 

 E referiu ainda “que muitos casais não vivem propriamente em matrimónio e que tantos outros não prosseguiram unidos, pelas mais diversas causas” situações que não podemos julgar nem nos considerarmos melhores.

Lembrou a convicção reconhecida de que o matrimónio uno, indissolúvel e fecundo, realizado em entregas totais, definitivas e criativas corresponde bem à alma humana, pois cada pessoa “só se revela no tempo, ao longo dos anos que viver, e desde que acompanhada nesse percurso por outros que igualmente se vão revelando, rumo ao melhor de si próprios, o que acontece do modo mais radical e verdadeiro na preparação e consecução do projeto matrimonial que a Igreja convictamente propõe para ser concluído aos poucos na vida de todos os dias. Para isso “é fundamental que em cada comunidade a preparação para o matrimónio seja feita a longo prazo, a partir duma catequese que forme para a vida partilhada, com Deus e com os outros, o sentido do serviço e a felicidade do bem querer e do bem fazer; e isto mesmo com a cooperação dos pais e das famílias, que igualmente sigam o caminho de Cristo e da sua entrega por todos. Depois, ao longo da vida matrimonial, que importantes são encontros e movimentos de casais e famílias, que mantenham viva a chama cristã em tudo quanto se faça e prossiga nesses âmbitos essenciais.
Queridos irmãos e irmãs: celebrar a Santíssima Trindade é louvar a Deus uno e trino, ou seja uno no amor que em Si mesmo compartilha. A vida é aprendizagem de Deus, nosso princípio e destinação eterna. A vida do casal e da família é para isso a melhor escola, imprescindível portanto. - Graças a Deus por vós e pelas vossas Bodas que n’Ele mesmo celebrais! A Igreja e a sociedade esperam muito e quase tudo do presente e do futuro da família cristã.”

Estratos da Homilia da Eucaristia conclusiva das Jornadas Diocesanas Família e Juventude no Porto, por D. Manuel Clemente, em 3 de Junho de 2012

Hermínia Nadais

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