Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

sábado, 29 de setembro de 2012

O AMANHÃ!...





O amanhã com que todos nós sonhamos
e que apregoamos na mais alta voz
não é pertença nossa!
O desejá-lo está bem dentro de nós
mas o nunca saber
se virá ou não a existir
pode tornar-se numa amargura atroz!

Então… que deveremos fazer
além de amortecer
a verdade desta realidade ?
Não guardar para amanhã
tudo o que no hoje
cada um puder fazer!

O amanhã precisava ser julgado
por todas as broncas de que é culpado
das inúmeras palavras que ficam por dizer
dos muitos gestos por realizar
de muitos beijos por dar
de muitos abraços que não podemos sentir
e das muitas batalhas que não nos propomos travar!

O amanhã é o eterno culpado
do enorme desleixo praticado
por quem na vida tudo deixa correr
porque amanhã há sempre tempo de fazer.

Amanhã… Amanhã!…
Se o Passado é pertença do tempo,
o amanhã é a incerteza da vida!

Então, pensando no bem-estar do outro
e com tudo o que dele sobrar
aproveitemos o presente
vivendo-o a cada instante
intensamente!

Telefonemos para quem queremos falar
escrevamos o que queremos escrever
beijemos a quem quisermos beijar
abracemos quem queremos abraçar
visitemos quem queremos visitar
digamos: “amo-te” a quem quisermos dizer
vistamos o que gostarmos de vestir
comamos o que gostarmos de comer
bebamos o que gostarmos  de beber
passeemos se gostarmos de passear
cantemos alto e forte até a voz doer
dancemos na alegria até não mais poder
e riamos até não mais acabar! 

Hermínia Nadais

sábado, 22 de setembro de 2012

NÃO JULGAR




Não julgar… é fácil de dizer e difícil de praticar!
A vida é uma longa ou curta caminhada
que deve ser de ascese e crescer constantes
que acabam por ser intermitentes
pois não obstante os esforços dispendidos,
só em pequenos momentos
serão em pleno atingidos.

Dizemos que é urgente não julgar
e nem sequer nisso nós pensamos
mas a todo o momento,
inexplicavelmente, nós julgamos:
julgamos o bom e o mau,
o grande e o pequeno,
o bonito e o feio, o rico e o pobre,
o palhaço brincalhão e o impertinente nobre,
a delinquência do desprovido
e a prepotência do sabichão enaltecido,
o roto, sujo e esfarrapado
e o ajeitadinho, elegante e bem cuidado,
o mal cheiroso e o perfumado,
o que enche a boca com frases disparatadas
e o que se compraz de as fazer bem estruturadas…

Julgamos o que, desnudado, vagueia pelas ruas,
e o que, com ou sem gosto, se acoberta por demais
deixando visíveis os olhos e nada mais…

Nós julgamos o que tudo faz para tudo ter com dura lida…
e o que nada faz para alcançar algo na vida…

Nós julgamos o egoísta e o caridoso,
o alto e o baixo,
o de rosto tratado ou rugoso,
o loiro de olhinhos azuis
e o moreninho de cabelos acastanhados,
o que usa trancinhas e travessões
e o que rapa o cabelo para não ter que se pentear,
a que pinta os lábios e dá brilho e esplendor ao seu cabelo
e a que tem as unhas sujas de tanto trabalhar…
porque… é porcaria e desmazelo!...

Julgamos o que usa fraque e tramelinho,
e o de calças de ganga
com pequeno ou grande buraquinho…     

Irra!... Tanto julgar não dá para entender!
Será que não há mais nada para fazer?

E porque não tentar… para acabar
com todos estes julgamentos desleais…
aprender a julgar, sim,
mas cada um a si mesmo e nada mais!
Julgar a fundo todo o seu potencial
para encontrar formas
de destruir em si tudo o que é mal
e desenvolver mais e melhor o que bom for
e leve ao respeito mútuo e mútuo amor!...

Seria bom para dar fim ao que é tormento
neste mundo belo e acolhedor
escasso de momentos e de tempo…
e acabar com o desengano e desamor
que enche as vidas da mais imensa dor
e mal-entendidos que só causam sofrimento!

Hermínia Nadais

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

MANHÃ NA COSTA NOVA





Enquanto o Sol sorri deixando uma estrada de luz a atravessar a ria, os barcos andam por ali onde os homens e as mulheres, aproveitando as baixas marés, de baldes na mão, vão recolhendo os vivaldes que lhes darão o sustento e suporte para poderem vaguear honestamente pelos caminhos do mundo.
O sistema de rega, num movimento constante, humedece o relvado para que se conserve verdejante e dê mais deslumbramento a este espaço de sonho.
Os veículos circulam na via, a velocidade moderada!
As lojas, aos poucos, vão abrindo e colocando as suas ofertas à vista de toda a gente que delas necessite ou as queira ter como suas.
As pessoas mais despreocupadas de canseiras laborais aproveitam para o passeio matutino com os seus fiéis amigos de quatro patas que passam sorridentes, tal como os seus donos.
Há também quem aventure a corridinha ou caminhada matinal sobre o tapete vermelho que ladeia a ria.
Nas poucas casinhas ambulantes, em gozo de férias, ainda se dorme, tranquilamente, o sono da paz reconfortante dos dias do ano, cheios de stress e aventuras que desgastam as belezas da vida.
As gaivotas perdidas ou desencontradas da zona marinha vão sobrevoando o espaço ou param, a descansar, nas pequenas colunas de cimento junto do cais de embarque para os pequenos passeios fluviais.
As bicicletas de vários números de ocupantes, essas, estão ainda cobertas com a sua pequena manta acolhedora do sereno da noite.
Entretanto, pela ria, um sem número de pequenos barcos que surgem não se sabe bem de onde nem para quê deslizam suavemente… e os considerados de transporte correm ria acima ou abaixo, não sei muito bem, como que a levar alguém apressado a determinado lugar… enquanto alguns e algumas ciclistas, descontraidamente, vão circulando com brandura pelas margens atapedadas!
Que encanto que tanto maravilha e encanta… neste pequeno e afável recantinho da Natureza onde tudo nos fala de paz, serenidade e harmonia!...

Hermínia Nadais

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

NOITE JUNTO À PRAIA!





O Sol desapareceu por detrás do mar e a sua ténue luz deixou tecido nas águas um brilho ondulado onde o prateado cada vez mais cinzento foi escurecendo por completo toda a superfície marinha. Agora, mais descontraídas pela densa escuridão, as ondas, ritmadas, beijam levemente a areia liberta de olhares curiosos e sedenta de carinhos mais secretos.
Durante longo tempo, do rendilhado espesso que deambula no horizonte, sobressai uma mancha de azul celeste, o azul deslumbrante do firmamento, o último a deixar de ser iluminado pelo Sol e que, quando não coberto pelas nuvens, nos inebria com o brilho suave e doce das estrelas.
Enquanto, lentamente, anoiteceu, as luzes que ladeavam a costa tornaram-se mais pasmosas no seu tom amarelo e pleno de ternura. Então… “jovens” de todas as idades aproveitam para fazer as suas caminhadas aconchegados pelo ruído dos motores que accionam os poucos veículos que, vagarosamente, vão circulando pela rua.
Noites saciadas de delícias que tornam os seus momentos inesquecíveis.
Pouco ou nada mais belo do que viver o cair da tarde e início da noite, assim, sorvendo as delícias encantadoras do mar e de todo o seu ambiente circundante.

Hermínia nadais