Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

domingo, 18 de agosto de 2013

Crescer!...

Não sei vislumbrar o cansaço obscuro dos dias 
nem a lucidez das noites!
Não sei se é a idade que me acena com o conhecimento 
ou se a aspereza da vida 
me ajuda a tirar mais experiência 
em todos os momentos que passam!
Os dias turbos e pesados 
são difíceis de ultrapassar
mas é com eles que aprendo 
a ser 
e a viver 
mais de acordo 
com as realidades da vida!
Aprender a aceitar as dificuldades
e crescer com elas 
não é nada fácil
mas é o que tem de acontecer 
a quem quer crescer
como pessoa
numa sociedade 
que, de verdade,
precisa de pessoas crescidas
que consigam vislumbrar 
o cansaço obscuro dos dias 
e a lucidez das noites!

Que todos sejamos fortes
capazes, 
crescidos 
e suficientemente audazes
e corajosos no aprender
para podermos 
para sempre
e continuamente
crescer... crescer... crescer!...

Hermínia Nadais

domingo, 11 de agosto de 2013

AMIGO DO PEITO!...

AMIGO do peito!
Hoje vão para ti meia dúzia de palavras saídas do mais profundo do meu sofrido coração!
Quantas saudades, querido AMIGO! 
Saudades dos teus sorrisos, das tuas francas e apetitosas gargalhadas, do teu olhar penetrantemente profundo e acolhedor, da tua voz firme como um enorme e duro rochedo mas ao mesmo tempo calorosa, meiga e doce, tanto que ainda hoje, tão longe que vão os dias em que a vida nos cruzava frequentemente, a sinto nos ouvidos do corpo e acima de tudo no mais sincero sentir do coração!
Acompanho-te à distância, como posso e sei, mas não compreendo muito bem como vão decorrendo as dificuldades e sucessos dos teus dias, que desejo cheios de sucesso, encanto e beleza. 
Sei que não me esqueceste, pois os nossos comportamentos, tanto os teus como os meus, tocavam com tanta profundidade os nossos corações com anseios tão semelhantes que quase se confundiam de tanta cumplicidade!
Foste a única pessoa que, sem nunca querer saber nada e rejeitando mesmo qualquer confidencia da minha vida pessoal, me compreendeste perfeita e profundamente e soubeste ler os desejos mais sinceros do meu coração no silêncio abafado da minha voz incitando-me a um tal crescimento que, sem ti, eu nunca teria conseguido!
Os teus sábios conselhos ultrapassam todos os demais e continuam a ser o melhor caminho a seguir nos sabores ou dissabores de todos os momentos! 
Mas estou abalada, querido AMIGO! Tão abalada e perdida que não me reconheço nem tenho forças nem discernimento ou coragem para sair do túnel emaranhado em que me vejo metida, o que nunca pensei pudesse algum dia voltar a acontecer-me!
Sei que a confissão dorida das minhas mágoas não vai obter nenhuma resposta tua, pois talvez nem sequer tenhas oportunidade de ler o que para ti escrevo... mas o poder pensar que exististes para mim e ainda existes para quem quer que seja pode ser que me fortaleça o ânimo e me conceda a coragem necessária para ganhar de novo alegria de enfrentar dificuldades e vencer todos os obstáculos que me afastem de ser minimamente feliz e lutar acerrimamente pela felicidade de quem comigo convive e da sociedade em geral a quem desejo tudo de bom.
Que o VENTO te sopre a satisfação dos teus desejos e a vontade mais sincera que eu tenho de te abraçar tanto como nunca te abracei, pois sempre, tanto tu como eu, soubemos e conseguimos manter todas as distâncias necessárias a uma amizade digna e dignificante em todas as circunstâncias e em todos os seus momentos!
Beijinho...

Hermínia Nadais

sábado, 10 de agosto de 2013

DESOLAÇÃO




Nunca pensei encontrar
este panorama triste
que pensei estar enterrado
e afinal ainda existe!

Trânsito amalgamado
numa planície sem fim
com tudo desmantelado
bonito mas muito rim!

Algo perdido no tempo
num espaço encantador
que o homem tem tornado
espetáculo aterrador!

Português fala em pobreza
e está de barriga cheia
precisa ir mundo além
para ver a miséria alheia!

Tudo escuro como breu
casas favelas e montes
nuvens escuras no céu
e mágoas amargas nas frontes!