Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

domingo, 20 de março de 2016

A minha aldeia

Uma brisa suave
balança a cortina
na janela aberta da cozinha,
sacode a roupa da corda
e agita o vimeiro
do fundo do quintal
da minha filha…
As chaminés da Póvoa
deixam escapar o fumo
que se esvai sobre os telhados vermelhos
ao encontro do verde escuro
dos pinhais…
O céu está cinzento
na calma penumbra da tarde…
Os pássaros chilreiam alegremente
junto à janela…
O pálido sol
que baixa no horizonte
faz brilhar docemente
as luzes
que se vão acendendo
nas bermas das estradas e caminhos…
Que linda, suave e doce
é a minha aldeia
vista deste canto
da mesa da minha cozinha!...

Áh! Querida aldeia!...
Quanta paz
que me dás!...
 2004/02/25   17.05 h
Hermínia Nadais

terça-feira, 15 de março de 2016

TIRANIA CAMUFLADA!



Auto suficiência desumanizada
escondida debaixo de uma cidadania
que de cidadania não tem nada,
mesmo nada.

Dinheiro, fama, poder,
não consigo entender
toda esta pasmaceira
de gente parada
que não fala,
não ri,
não diz nada, nada,
nada…

Não há sequer
água para beber
não obstante termos de estar
horas seguidas a esperar
sem sequer sermos avisados
do tempo possível de demora
para ir comprar algo de comer e beber…
lá fora.

Ainda há mais que arrelia, porque está mal!
Alguém precisa de se tratar,
é urgente,
mas vem-se perguntar
se há dinheiro para pagar.
Não pude experimentar para poder ver…
se realmente alguém não tivesse dinheiro…
o que poderia acontecer!...

Ficar com a doença, já se vê!…
Falar de humanidade… para quê?


Coimbra, 2010/06/21 – 19.09h
Hermínia Nadais