Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

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domingo, 2 de setembro de 2012

MAR ENCAPELADO!...


Há dias nesta pequena aldeia de casinhas brancas e rolantes, junto ao mar, só hoje me ocorreu abrir a janela fronteira!
Não obstante a distância de mais de cem metros, o marulhar entra pelos ouvidos e as ondas erguidas feitas altas nuvens de espuma branca a surgir das águas vão abraçando a costa e estendem-se pela estreita foz do rio que, aos poucos, vai acariciando o oceano com a oferta das suas águas calmas, límpidas e doces!
A bandeira vermelha que encima o suporte espetado na areia vai dizendo aos veraneantes que não se acerquem deste mar embravecido, porque quando ele brinca, assim, a mostrar a sua louca e enfurecida raiva, é melhor que fique sozinho alimentando os seus inocentes peixinhos, pois, nestas ocasiões, até a sua esposa areia se assusta dos seus tão enraivecidos e desajeitados beijos.
Ao longe, as pessoas vão e vêm, ou olham ao largo, serenamente, expectantes com este espectáculo único e belo, mas aterrador!
Não compreendo como, na borda de um tão imenso e brando lençol de água ondulante de que tanta gente gosta, este consiga mostrar-se tão revoltado com a meiga e carinhosa terra que nenhum mal lhe faz… e tão bem o aconchega!...
Que isto acontece… e muitas vezes… é um facto! Mas porquê… sabe-se lá?!...

Hermínia Nadais

terça-feira, 28 de agosto de 2012

SENSAÇÕES INESQUECÍVEIS


De olhar perdido no horizonte e de costas voltadas para o mar, na imensidade do céu e monte, vejo o mundo virgem que há a desbravar na pureza do tempo que nos arrebata os sentidos e eleva os olhos para o alto!
O ruído do desenvolvimento arrasa os ouvidos nos gemidos abafados do peito enquanto o coração abrasa o contentamento desmedido do encontro de sonhos nunca esperados!
Que bom poder observar, assim, no silêncio da vida presente no rodar perene dos dias, esta maravilhosa e sublime solidão da Natureza, que nos preenche a existência e faz voar pelo espaço na ânsia desmedida de ser, que nunca, por aqui, será satisfeita!
Hermínia Nadais

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O fenómeno da (e)migração!

 
Hoje, o Santuário de Fátima viveu mais uma peregrinação dedicada ao Emigrante.
A (e)migração existe desde os primórdios da sociedade, desde os tempos mais remotos de que há notícia!
Desde sempre existiram pessoas a abandonar as suas terras para fugir de situações más ou na busca de melhor vida, que têm de ser lembradas nas suas terras de origem com Amor e acolhidas nas terras que as recebem também com compreensão e Amor! 
O fenómeno da (e)migração, para produzir bons frutos, tem de estar enraizado no Amor, que é um desafio à Evangelização ou vivência ao jeito de Jesus Cristo, e será tanto mais quanto maior for a medida em que os cristãos conseguirem marcar a sua diferença em relação aos demais cidadãos, levando nas suas bagagens a Fé verdadeira para a transmitir às pessoas com quem vai conviver, principalmente se forem da Europa, tremendamente doente nos seus princípios e injustiças laborais e sociais.
As injustiças acabarão quando Deus for tudo na vida das pessoas, por se saberem e sentirem amadas por ELE em todos os momentos das suas vidas, oferecidas a Deus sem medo, tal como outrora izeram os pequeninos pastores de Fátima que tão bem nos servem de exemplo de coragem e ligação a Deus e aos homens.
Os Pastorinhos, com toda a fortaleza, viveram intensamente o Amor sem peso nem medida! 
O Amor leva à derrota, à derrota de tudo quanto é mal: inveja, ódio, incompreensões, egoísmos, mentiras, falsos testemunhos, soberba, avareza, impureza... sei lá que mais, são tantas coisas que não dá para enumerar!
Deste modo, poderemos afirmar que o Amor é a síntese do Evangelho de Jesus Cristo, que se revela na responsabilidade que cada pessoa tem com as pessoas  com que se cruze na vida, e que, por isso, leva à derrota de tudo quanto for contra a felicidade e bem-estar dessas mesmas pessoas.
Quando a verdadeiro AMOR comandar todas as vidas, a terra ficará transformada em céu, porque o céu é Deus e Deus é AMOR!
Amemos!

Hermínia Nadais

segunda-feira, 2 de julho de 2012

VENDAVAL









Não chove, não faz frio nem cai neve, as nuvens não fogem desesperadas nem o vento sopra como louco. Não são estes factores do tempo que fazem as mãos trémulas e as pernas enfraquecidas, os corpos inseguros e os corações deambulantes, são as frases entrecortadas por suspiros escondidos nas asas egoístas das ignominiosas torturas que acompanham tantas vidas sombrias disfarçadas pelas mais sorridentes gargalhadas e boas disposições... que agudizam ainda mais fortemente os sofrimentos atrozes e esmagadores perdidos na calada da noite.


Realmente… olho à minha volta com um pouco de atenção… e reparo que não é preciso que haja mau tempo para que se viva no mais tremendo, estúpido, terrível e enormíssimo vendaval.




Hermínia Nadais

quarta-feira, 20 de junho de 2012

SOMOS MULTIDÃO!




Somos multidão! Normalmente, ninguém pode viver sozinho!
Ninguém pode ser feliz sozinho! Ninguém erra sozinho nem se corrige sozinho!
Ninguém pratica o bem sem ter algo ou alguém com quem o praticar!
A vida é um dom, uma alegria, uma graça!...
Mas… quando falamos em vida, estamos a evocar tudo quanto existe do qual nós, eu,  tu e eles… somos parte integrante!
Quando falamos em vida falamos numa totalidade de pessoas inatingível pela racionalidade da nossa mente humana.
Nós, tu e eu, além de, seres sociais, não prescindirmos dos outros seres humanos, dependemos ainda do Sol, da Lua e das Estrelas, dos Planetas e Cometas, do ar, da água, da escuridão e da luz, do frio e do calor, das árvores e animais – mamíferos, aves, peixes, e até dos répteis, batráquios, insetos e não sei que mais… é assunto de estudos especiais que não consigo nem tenho necessidade de compreender.
E, analisando um pouco mais e melhor,,, não somos somente toda a multidão atual desta época que atravessamos,  somos também a multidão de todas as pessoas de todos os tempos que passaram e daqueles que depois de nós hão-de vir!
A nossa vida de seres sociais que só nos completamos verdadeiramente uns com os outros… e todos com Deus por Jesus Cristo agarrados à CRUZ… é um enormíssimo e incompreensível mistério.
Que consigamos um dia compreendê-lo!

Hermínia Nadais

segunda-feira, 7 de maio de 2012

AGONIA



O sol escaldante deixava cair os seus raios dourados sobre o corpo de bronze alquebrado sob o peso da enxada que removia lentamente a terra do carvalhal amortecido.
Era meio dia! Ao longe, uma mocinha graciosa vinha deambulando pela estrada deixando que o vento ondulasse os seus belos e pretos cabelos lisos. De olhos enxutos mas com a água a escorrer por entre os pelos loiros das raras e esguias barbas, João sentou-se, calmamente, debaixo do salgueiro junto ao penedo que ladeia a margem direita do rio. Ao vê-lo, um sorriso delicioso encheu de brilho o olhar de Maria enquanto, brandamente, poisava a pequena cesta e estendia sobre a densa folhagem seca um lindo pano de linho fino, bordado a preceito, debaixo do que a pequena panela da sopa fumegava um cheiro tão saboroso que enchia de gozo as bocas mais insípidas e amargas.
Os momentos do almoço passaram, mudos e velozes! E, enquanto a jovem se apressava no regresso ao lar para continuar junto da mãe as cansativas lides caseiras, João, de olhos presos naquele mimoso esmero da Natureza ia cavando e pensando se não seria esse formoso rebento a esposa amada que sonhava um dia encontrar… para lhe mimar a lenta e sequiosa agonia dos dias!...

Hermínia Nadais

sábado, 31 de março de 2012

Será?...


O amor dos homens é muito pequeno 
para nele caber o amor de Deus, 
por isso, o amor de Deus só é possível 
se os homens se esquecerem do seu próprio amor, 
se matarem o seu amor próprio, 
para que, assim, 
possa enraizar-se neles o Amor de Deus 
que é, na realidade, 
“o único” que faz o amor de qualquer homem 
chegar intacto e sem excepção 
a todos os outros homens. 

Hermínia Nadais

quarta-feira, 21 de março de 2012

Simplesmente… eu!


Quando o tempo se esvai e o espaço me arrasa os sentidos desmesurados da vida deturpada de misérias e desalinhos, sinto-me, simplesmente, eu! 

Eu, com tudo quanto reconheço em mim e não consigo alterar sem a força descomunal do infinito que me habita a beleza dos momentos felizes que me prendem à existência nesta humanidade crua de sentido de que sou parte integrante mas, nas fraquezas ternurentas dos abraços descontrolados não consigo fazer encontrar o rumo certo na estrada do mundo material em que habitamos todos, como membros inseparáveis uns dos outros, ainda que dessa verdade nos queiramos alhear.

Até quando, na busca interminavelmente indefinida de vida plena continuarei a palmilhar os trilhos aflitivos dos encontros e desencontros comigo mesma e com os demais... chorando ou sorrindo… sem saber muito bem como nem porquê?!...

Não sei!...


Hermínia Nadais

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ESPERANÇA



A ausência da luz do Sol mostra-nos a noite. Quando as nuvens escondem a Lua e o brilho das Estrelas, ficamos sepultados na escuridão. Para a clarificar os homens procuram as formas mais sofisticadas... mas a escuridão continua a esconder as maiores atrocidades, ignorância e ferocidade... ao lado de algumas vivências ímpares, as mais variadas obras magníficas de muito trabalho nocturno. De quando em vez, são revistas, caladas ou desvendadas as atitudes da noite... na ESPERANÇA de que, sempre que o Sol inunde a Terra para nos fazer reviver o alvorecer de mais um dia... a utópica felicidade seja mais sensível aos nossos corações atribulados.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O BRINQUEDO NOVO!

Era uma manhã, na praia de Sines!
As gaivotas faziam multidão passeando calma e alegremente sobre o areal.
De quando em vez, uma ou outra saltitava para a água e depois de mergulhar bem a cabeça regressava às areias da praia para continuar a curtir a manhã amena na espera silenciosa dos raios de Sol, quando, de repente, surge um pequeno alvoroço!
É uma gaivota que segura no bico, visto de longe, algo semelhante ao espinhaço de um peixe, e que avidamente poisa e bica… repetidas vezes… e que é perseguida por mais duas ou três que tentavam sofregamente roubar-lhe o que pensavam ser uma saborosa iguaria.
Depois de aturado esforço, a gaivota foi conseguindo desviar-se das perseguidoras, mas não podendo de modo algum ingerir aquele objecto estranho poisou-o placidamente junto da água.
As gaivotas perseguidoras apressaram-se a ir bicar, uma após outra… o que julgavam um belo pequeno almoço, mas acabaram por se dispersar sem nada conseguir!
O tão almejado alvo não passava de um pequeno plástico transparente, duro e intragável, efémero e estúpido, que continuou a boiar no extremo da costa, como que a desafiar a curiosidade de outras gaivotas que… talvez mais conhecedoras do intruso ou providas de um pouco mais de senso… não deram a menor importância ao que até poderia ter sido um belo e atraente “brinquedo novo”!
Quando a vida é simples, tudo é simplicidade, e a felicidade vai surgindo a partir das coisas  mais insignificantes… como seja um naquinho de plástico perdido vagueando nas ondas!...
Que bela a Vida da Natureza!     

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

SONHOS DESFEITOS!

Foi num lacrimoso dia dos finais da Primavera… um daqueles característicos dias solares em que os pingos da chuva vão alternando continuamente com os raios de Sol escaldante e os minutos se sucedem num rodar tão permanente que parece não ter fim.
Enquanto o Sol ia sorrindo por entre a densidade das nuvens e iluminando a terra com os seus esplendorosos raios, uma alegre e colorida borboleta voava por entre a frescura da ramagem, junto a um pequeno regato, embalada pela maravilhosa beleza que a circundava.
Subitamente, deparou-se com uma papoila empalidecida… à míngua das carícias fulgurantes e directas do calor e luz solares!
Entreolharam-se meigamente, depois do que a borboleta sussurrou:
- Como é possível, papoila linda?!... Isto não é lugar para ti!
E… velozmente… como que para superar tanta carência de afecto… imobilizou as suas leves asas para as poisar sobre as fragilizadas pétalas, acalentando-as com a maior ternura e carinho do palpitar suave e quente do seu bondoso coração.
Entre soluços partilhados, abraçaram-se meigamente, expandindo felicidade!
Entretanto, duas meninas de olhos azuis e cabelos loiros ondulados, apareceram, saltitando e cantarolando.
Nas mãos aveludadas e macias traziam uma pequena rede amarela e um saquinho azul.
Sem mais demoras, lançaram a rede sobre a borboleta e, de imediato, muito cuidadosamente, retiraram da terra embevecida a esguia papoila para colocá-la, com todos os cuidados possíveis, num vasinho verde retirado do interior do saco.
Amargamente surpresas… a papoila e a borboleta… bem queriam dar continuidade à sua felicidade pessoal e à alegria desmedida e louca daquelas inexperientes crianças… mas não conseguiram resistir à mágoa da separação, à perca irreparável do seu incomparável cantinho nem da sua tão genuína liberdade!...
E… lentamente… a borboleta foi imobilizando as asas, e a papoila… magoada e enternecida… foi deixando murchar as folhas ao mesmo tempo que deixava cair, uma a uma, todas as suas pétalas!…
De olhares lacrimosos e corações feridos, as duas meninas, silenciosa e desoladamente, iam-se encaminhando para as suas casas!