
despi
a minha máscara.
Encontrei-me.
Resta-me
a Esperança
de aprender
a viver
comigo.
Hermínia Nadais


A vida é um sopro,Hermínia Nadais
Do Livro “Espaços... dos meus dias”, Colecção “Ao pé da Terra”
Editado pela Editorial 100

É muito difícil viver como escravo, mas, a maior escravidão de um ser humano, não é fruto da sua convivência social... provém do peso das suas más tendências naturais e da falta de fortaleza para vencer.
Hermínia Nadais

Acordei!
Estavas a meu lado, sorrindo!
Levantamo-nos... abrimos os cortinados... olhamos o horizonte... mergulhamos na frescura colorida do jardim!...
O sol radioso... afastou-se rapidamente das nuvens e veio acariciar-nos o rosto e adoçar-nos os beijos... enquanto um bando de mansas pombas ia sobrevoando o espaço.
As flores brilhavam por entre a relva... ciosas de um elogio carinhoso.
Duas borboletas vieram saudar-nos e foram sorver o perfume das buganvílias cor-de-rosa...
A encher-nos de maior gozo... um ligeiro ruído proveio do arrasto das três mochilas azulinhas... enquanto as vozes meigas e suaves dos nossos netinhos nos segredavam com ternura:
- Bom-dia!... Até logo!...
Hermínia Nadais
Poeta
tem olhos de água
para sentir e ver
em seu redor
tudo quanto
estiver a acontecer...
Contudo
não é fácil escrever
quando algo ao poeta
é sugerido
porque pode
por ele
não ser sentido....
A poesia
é magia
que sai bem de dentro
de cada ser
onde ela mora
pelo tempo fora
bem guardada
e protegida...
até que por algo
ela se parta
e se reparta
por todos os mais...
bem repartida!...
Hermínia Nadais
Vida... de Mulher...
Mulher... da vida!
Tu que existe
Para te dar
E consumir
Num amor total
Desejado
E persistente...
Nunca poderás deixar
Que por alguém
Sejas ultrajada
E desejada
Para com isso sofreres
Estupidamente...
Sendo vista
E julgada
Como a mulher verme
Infeliz
Despudorada
Que ganha a vida
Na berma da estrada...
Pois também ela tem coração...
Ela ama e sente...
E tal como acontece
A toda a gente
É torturada
Pela amargura
E pela dor
Da falta de amor
Do depravado homem
Que a procura
Indiferente
A tudo quanto
Para ela é deprimente!
Não podes permitir
Que tal façanha
Te aconteça... mulher...
Tão frequentemente!...
Hermínia Nadais