Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

domingo, 9 de novembro de 2008

TEMPESTADES

Nas “tempestades”...
quase sem pensar
fico
parada no tempo
e sujeita a marés
como as águas cintilantes
da ria!...

Então
vou planando no espaço
a voo rasante
como as gaivotas
e como os pescadores
vou pensando
qual a melhor hora
de deitar o ‘meu barco’
à água...

Entretanto
espero que os raios
ensolarados
atravessando
a escuridão das nuvens
venham acariciar-me o rosto
e ensinar-me aos passos
os caminhos da luz.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A CULTURA DO AMOR

Amar
não é gostar de alguém
é algo mais
onde há comportamentos tais
que grande parte das pessoas
não os têm.

Amar
é procurar
que o outro cresça,
seja feliz
e se sinta realizado,
é esquecer-se de si
e pensar no “ser amado”,
é compreender,
perdoar,
pedir perdão,
aceitar o defeito do irmão,
e tentar viver, assim,
na paz do coração.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

ELOGIOS... OU SILÊNCIOS

Quando não encontrares forma de poder elogiar uma pessoa, evita falar nela, pois ninguém tem o direito de denegrir a imagem de quem quer que seja.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

VENDAVAL

Não chove, não faz frio nem cai neve, as nuvens não fogem desesperadas nem o vento sopra como louco. Não são estes factores do tempo que fazem as mãos trémulas e as pernas enfraquecidas, os corpos inseguros e os corações deambulantes, as frases entrecortadas por suspiros escondidos nas asas egoístas das ignominiosas torturas que acompanham tantas vidas sombrias disfarçadas pelas mais sorridentes gargalhadas e boas disposições... que agodizam ainda mais fortemente os sofrimentos atrozes e esmagadores perdidos na calada da noite.
Realmente, não é preciso que haja mau tempo para que se viva no mais tremendo, estúpido e enormíssimo vendaval.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

MARINHEIRO PERDIDO

Sem Estrela do Norte
Num barco sem leme
Nem que seja forte
Marinheiro treme.

O farol, na praia,
Quase não dá luz,
O homem aflito
Chama por Jesus.

Mas “Ele”, escondidinho,
Finge não ouvir,
E o manso barquinho
Vai a submergir.

E o marinheiro,
Sem ter salvação,
Atira-se à água
Em grande aflição.

Flutua nas águas
Quando sente alguém,
Uma tabuinha
Flutua também.

E o marinheiro,
Sem Estrela do Norte,
Nessa tabuinha
Se salva da morte.

sábado, 11 de outubro de 2008

CENTRO CIRÚRGICO DE COIMBRA

É uma casa amarela... na berma da estrada e no centro de um relvado com canteiros floridos, rodeada por uma faixa preta onde o vaivém de alguns veículos anunciam a movimentação de pessoas para intervenções cirúrgicas.
Casa bonita e requintada... mas onde o tempo não passa, a alegria se esvai e o ruído dos mais de cem veículos por minuto rodando apressados na via ensurdece...
Nada satisfaz a lentidão do tempo na cura do sofrimento humano... e a beleza esfuma-se por entre o desconforto do amargo sossego da espera.
Não! Trabalhar não é difícil! Difícil é estar parada... terrivelmente parada e sem nada que possa ajudar a mover a inércia do tempo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

CANTO!

Canto o meu canto
ao dia que amanhece
à manhã que se levanta
com todo o seu esplendor
ao Sol que alumia
com toda a sua luz
e nos aquece
com todo o seu calor.

Canto a beleza
dos montes ou jardins
a delicadeza das águas das fontes
a grandeza das nuvens
que sulcam o ar
os pássaros que cantam
nos prados e montes
a humildade da relva
que tapeteia o espaço
e os longos caminhos
que cruzam o lidar
que nos dão prazer
ou enchem de cansaço.

Canto o coração ardente
e a alma que rejubila
a cada amanhecer
canto a vida
que brota em cada ser
a renovar-se
tão sabiamente.

Canto... e não me canso de cantar
as maravilhas que a vida me vai dando
canto a manhã a noite
a madrugada
canto por tudo por pouco
e até por nada
canto a plenos pulmões
ou sem dizer palavra.

Canto com lágrimas nos olhos
ou sorrisos no olhar
com o coração a cantar ou a sofrer
com o sangue a escorrer por ele
jorrando...
Canto sem parar ou esmorecer
porque assim é melhor para crescer
na vida que a correr se vai passando!...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

CRITICAR... não!...

Ninguém deverá ter nunca a ousadia de criticar as fraquezas e imperfeições de outrem...pois a fragilidade humana dificilmente suporta fortalezas!...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

PARA TI!...

Não tenho medo de te perder
receio que te percas!...

Não sinto a falta da tua presença
necessito estar presente!...

Não me provoca solidão a casa vazia
temo o vazio da tua vida cheia!...

Sei que nunca partirá a corrente que nos une
mas a fragilidade dos nossos elos de segurança
podem desligar-nos dessa corrente!...

Assim...
na minha felicidade
desejo que estejas muito feliz!

Hermínia Nadais

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

LOUCO AMOR

De casa a abarrotar
com gente por todo o lado
de mesa enorme e aumentada
cheia e amalgamada
tachos panelas pratos e talheres
máquinas de louça atulhadas
com peças e mais peças a serem arrumadas
para meter na lavadora
ou para à mão serem lavadas
estou sozinha neste casarão
com tamanho sem fim
onde um espaço bem pequenininho
era mais que óptimo para mim.

Calma e brandamente
vou dando um jeitinho ao jardim
ou descendo as escadas
inclinadas
ao encontro de alguns dos meus pombinhos
que ficaram a arrulhar perto de mim
e de quando em vez
vêm aconchegar-se no meu pombal
onde carinhosamente
ainda me é dado
poder-lhes ajeitar umas bicadas.

E quando a saudade
me dilacera por demais o coração
sopro brandamente
o meu canto de ternura
abafado na melodia voadora das palavras ou letras
aos outros pombinhos que a vida distanciou
e agora como estes cá não estão
para virem encher seus meigos bicos
e logo fugir alegremente
ante os meus olhares regalados de contente
de os ver partir
apressados a sorrir
como aves sonhadoras
à procura de novos espaços bem traquinos
onde possam entoar toda a doçura
dos seus singelos e melodiosos trinos.

E enquanto o meu par desbrava mundos
e espero com carinho
o ver de novo cheio este meu ninho
verdadeiramente estou só...

Só... mas muito bem acompanhada
sem sentir momento algum de solidões
pois o amor de todos estes corações
preenche o ar que respiro nesta casa
onde um doido e “LOUCO AMOR”
muito maior
me enche de mimos e mantém aconchegada
me preenche de todo o coração
me aconchega mais a eles e mais nos une
e me faz pensar
que o estar perto ou longe é indiferente
para quem AMA e é AMADO... assim... tão loucamente!