Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Esta noite


Esta noite foi muito especial.
Reuniram-se inúmeros amigos
à volta de um mesmo amigo
que nos une a todos
de uma forma especial e misteriosa.

Foi tão lindo,
tão profundo e tão bom,
que encheu o peito,
a alma e o coração!

Ouvi a voz dos anjos ao meu lado
e entoamos assombrosas melodias,
entre meigos sorrisos e doces alegrias.

No pequeno templo…
da magnitude da beleza requintada
desprendi os meus olhares
da esbelta talha dourada
para me prender nos encantos
das imagens exibidas, daqueles santos
que tal como eu, em tempos idos,
galgaram montes, estradas e caminhos
para das rosas retirar duros espinhos
e fazer do mundo um jardim belo e florido
onde o amor e o perdão tenham sentido.

E lá… numa minúscula casinha
escondido
deixamos o amiguinho
muito querido…
amiguinho que ali ficou e saiu com todos nós
pedindo-nos as mãos, os pés, o corpo, a voz
e ofertando a cada um harmonia e paz
companhia, misericórdia, redenção,
a felicidade do amor e do perdão.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O que é a bola???!!!...


Sou bola quase redonda,
Mas não sirvo p'ra jogar,
Vivo debaixo dos pés,
A minha vida é rodar!

Como bola... não me vês!...
Nem sentes que estou rolando!
Tua vida vais passando,
Acredita, podes crer!...
A correr ou a saltar
Pulando em mim, sem parar,
Sempre... Sempre... até morrer!

E nesse ponto final,
Pouco mais podem fazer,
Do que esburacar a bola
Para nela te esconder.

E se puseres a cabecinha
A bem pensar…
O quem eu sou
Será bem fácil decifrar...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Persistência!


Ora sem cessar!
Deus sabe muito bem tudo quanto necessitas… mas quando lho pedes reconhecendo a tua pequenez e considerando a Sua Grandeza, Ele não resistirá a dar-te o que precisas.

terça-feira, 29 de junho de 2010

VIVER!



Viver é ser livre
olhar o mundo
com alegria e amor
descobrir
a beleza da erva rasteira
ou da flor
da nuvem que flutua no espaço
ou da água fresca
que consola a terra...
É olhar o infinito
e buscar no silêncio
momentos de paz...
É correr constantemente
pelo espaço do ser
na quietude harmoniosa
do tempo
e crescer
sem peso nem medida
nas alegrias ou tristezas
alternadas
no decorrer da lida.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Cartaz… não!...


Costumamos dizer que quem gosta de cartaz vai trabalhar para o circo… mas bem vistas as coisas, há inúmeras maneiras de fazer cartaz, bem fora do circo, resta, sim, valorizar ou não esses cartazes que vão aparecendo feitos.
Vivemos num país de índole cristã, podemos mesmo dizer que de índole católica, ou seja, universal, resta-nos ver o porquê e o como.
O porquê é fácil. Quando nascemos arranjaram-nos uns padrinhos, levaram-nos a uma igreja qualquer e pediram a um padre nos baptizasse… e ficamos católicos, pronto!...
O como é bem mais complicado. Passados meia dúzia de anos, acompanharam-nos à catequese e até tiveram o cuidado de nos incentivarem a receber o Crisma… e foi mais uma etapa do nosso cristianismo católico. No nosso tempo ainda era muito feio não casar pela igreja… e nós casamos na igreja.
Agora… vamos à missa quando nos apetece; quando morre algum familiar ou amigo vamos ao funeral; além dos referentes aos nossos familiares, claro, vamos também aos baptizados, casamentos, comunhões e crismas de outros amigos. E somos cristãos católicos… assim… desta maneira… com que até nos podemos mostrar como pessoas boas e capazes… mas de católicos, muito sinceramente, pouco mais temos que o nome.
Haja coerência! Cartaz… definitivamente, não!

domingo, 27 de junho de 2010

Irremediavelmente



Todos os homens têm de trilhar um caminho. Se não tiverem a fortaleza, a coragem, o dom da sabedoria para seguir o caminho do bem, seguirão pelo caminho do mal, irremediavelmente.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Cruz


Eu não sei o que é a Cruz!
Que existe cruz, eu sei,
se de pau ou ferro
bronze ouro ou prata
não interessa
porque essa cruz
não mata não dá vida nem inquieta.

A Cruz…
Eu não sei o que é a Cruz!
Sei que foi em dois madeiros
o horizontal
oposto ao vertical
bem apegados
que há dois mil anos
as mãos e pés de um jovem
por mim
foram pregados…
mas mesmo assim
não se fez luz
e eu continuo sem saber o que é a cruz.

A Cruz…
a verdadeira Cruz
da humanidade
não tem hastes
nem paus
nem pregos
não tem nada
onde se veja
que é na Cruz que ela vive e está pregada.

A Cruz…
Eu não sei o que é a cruz!...

É, talvez…
um caminho a percorrer
que nunca se saberá ao certo
aonde ele irá ter;
o aceitar o irmão
quando os seus gostos
nos contrariam de todo
o coração;
o discernir
o certo do errado
e, mesmo a sofrer
aceitar do melhor grado
o que é melhor fazer;
o sorrir à vida
quando para os nossos olhos
não tem beco p’ra saída;
é o olhar
serenamente o mundo
para o abraçar
com o coração
ardendo de amor profundo
e a sofrer…
porque além do muito amar
pouco ou nada mais
se poderá fazer;
é o deixar-se conduzir
sem saber por onde
nem porquê
à mercê
do amor
que bem se sente
mas na prática
realmente
não se vê;
é o amargurar-se
com a dor do irmão
e o alegrar-se
quando tiver satisfação;
é, o querer,
o saber
e o não poder fazer;
é, o doar-se
sem reserva
ou restrições
e dessa dádiva
apenas receber
desilusões;
é…
Não sei que mais
será a Cruz…
mas, com rigor,
será sempre
amor e luz
trevas e dor
que no rodar da lida que existir
a vida à VIDA
para sempre irá reconduzir.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

DEAMBULANDO!


Perdida no dia do tempo
vagueia pela noite da vida
algures
deambulante
sem lamento
por um espaço incerto e desconhecido
onde a surpresa acorda
para novas realidades
que se sobrepõem às histórias
fraquezas
saudades
memórias
nobrezas
incertezas
vivências inesquecíveis
perturbações da infância
luzes da adolescência
convite à prudência
da idade da razão
que desperta
quando o ser na lida
cresce e agarra a vida
com toda a força de que é capaz
crescendo sem parar
e sem nunca recuar
buscando a paz
que apenas consegue
na ventura
de se lançar sem reservas
na aventura
de viver a vida crescendo
a cada hora
com tudo quanto acontecer
no aqui e agora
despertando para a nua realidade
a que chama com verdade
e sem demora
um navegar na utópica
“LIBERDADE”!

domingo, 9 de maio de 2010

Amar!


Quanto mais aprofundo a amor
que sinto na alma
menos compreendo o que é o amor.
Eu não sei o que é amar!
É… talvez… beijar
o espinho de uma rosa,
o cravo de uma cruz,
sorver o vento tempestuoso
de uma manhã de nevoeiro,
perder o calor suave
de um dia de soalheiro,
perder
na inquietude dos outros
a satisfação pessoal
e deixar-se matar
quando afinal
na vida
tudo é razão,
mas nada do que se faz,
é visto de bom grado
pelo irmão.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A ÁGUA DO RIO



Uma nascente
brota da terra,
algures,
no cume dum monte.

Desce lentamente
ao longo do vale
e recebe em si
a água que fluí
noutra nascente.

Fica contente!

E corre cada vez mais veloz
na força
que lhe advém
do encontro
que provém
da água de mais
outra
e outra
e outra…
e mais outra nascente…
que a ela
se juntam
deslizando
saltitando
e
cantando alegremente.

É sem querer!
Acontece!

Pois nada
as manda escolher
este caminho…
é o caminho
que lhes aparece
e que todas aproveitam
para percorrer
numa irresistível
união
de forças e acção
para ir ao encontro
de algo
que as encha
de maior satisfação.
Seguras de si
estas nascentes
alargam sua estrada
e perplexas
emergem na paisagem
fazendo a distinção
de cada margem.

Na via aberta
por elas percorrida
os homens fazem estrada
que facilita a vida.

E a água do rio,
lentamente,
a sussurrar,
encontra, finalmente,
o grande mar.

E fica aflita
pois não tem por onde fugir
e nada mais pode fazer
do que entrar
e desaparecer
ao se integrar
na imensidão profunda
desse mar.

E num doce aceitar
desta morte permanente
infiltra-se no mar,
suavemente!

E agora mar…
enamorada da areia
faz baixa… ou praia mar
conforme a maré está
vazia ou cheia.

E é neste marulhar…
sem ansiedade…
que a água do rio
vive em pleno…
a “LIBERDADE!”