Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

domingo, 4 de julho de 2010

ESTRANHA SENSAÇÃO


É mais uma tarde de sábado...
na Torreira junto à ria...
ninguém à espera
nenhum sítio aonde ir
nenhuma meta aonde chegar
nada a que me possa segurar
para me fazer sentir alguém
chorar cantar escutar
falar sorrir…

Resta-me
encher o olhar no horizonte
sentir o perfume da ria em minha fronte
ouvir o bramir das mágoas no canto da Natureza
a exalar formosura e beleza
nas gaivotas planando sobre as águas
no vento aflito que solta suas mágoas
nos calmos peixes vagueando em cardumes
colhendo amor vendendo azedumes
enquanto as traineiras pachorrentas
se acostam lá no cais
descansando das tormentas.

E lá na alta torre aonde o sino mora
alguém o faz chamar quem Deus adora.

E, quebrada a indolência e a preguiça
há que fazer-se à estrada
e ir à Missa!...

sábado, 3 de julho de 2010

Humanizemo-nos!


Humanizemo-nos!
Nascemos para o amor!
Seja qual for o credo que professemos ou mesmo não professando credo algum, se formos verdadeiramente Homens/Mulheres, seres humanos completos, viveremos no amor de Deus, com Deus e para Deus.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Esta noite


Esta noite foi muito especial.
Reuniram-se inúmeros amigos
à volta de um mesmo amigo
que nos une a todos
de uma forma especial e misteriosa.

Foi tão lindo,
tão profundo e tão bom,
que encheu o peito,
a alma e o coração!

Ouvi a voz dos anjos ao meu lado
e entoamos assombrosas melodias,
entre meigos sorrisos e doces alegrias.

No pequeno templo…
da magnitude da beleza requintada
desprendi os meus olhares
da esbelta talha dourada
para me prender nos encantos
das imagens exibidas, daqueles santos
que tal como eu, em tempos idos,
galgaram montes, estradas e caminhos
para das rosas retirar duros espinhos
e fazer do mundo um jardim belo e florido
onde o amor e o perdão tenham sentido.

E lá… numa minúscula casinha
escondido
deixamos o amiguinho
muito querido…
amiguinho que ali ficou e saiu com todos nós
pedindo-nos as mãos, os pés, o corpo, a voz
e ofertando a cada um harmonia e paz
companhia, misericórdia, redenção,
a felicidade do amor e do perdão.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O que é a bola???!!!...


Sou bola quase redonda,
Mas não sirvo p'ra jogar,
Vivo debaixo dos pés,
A minha vida é rodar!

Como bola... não me vês!...
Nem sentes que estou rolando!
Tua vida vais passando,
Acredita, podes crer!...
A correr ou a saltar
Pulando em mim, sem parar,
Sempre... Sempre... até morrer!

E nesse ponto final,
Pouco mais podem fazer,
Do que esburacar a bola
Para nela te esconder.

E se puseres a cabecinha
A bem pensar…
O quem eu sou
Será bem fácil decifrar...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Persistência!


Ora sem cessar!
Deus sabe muito bem tudo quanto necessitas… mas quando lho pedes reconhecendo a tua pequenez e considerando a Sua Grandeza, Ele não resistirá a dar-te o que precisas.

terça-feira, 29 de junho de 2010

VIVER!



Viver é ser livre
olhar o mundo
com alegria e amor
descobrir
a beleza da erva rasteira
ou da flor
da nuvem que flutua no espaço
ou da água fresca
que consola a terra...
É olhar o infinito
e buscar no silêncio
momentos de paz...
É correr constantemente
pelo espaço do ser
na quietude harmoniosa
do tempo
e crescer
sem peso nem medida
nas alegrias ou tristezas
alternadas
no decorrer da lida.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Cartaz… não!...


Costumamos dizer que quem gosta de cartaz vai trabalhar para o circo… mas bem vistas as coisas, há inúmeras maneiras de fazer cartaz, bem fora do circo, resta, sim, valorizar ou não esses cartazes que vão aparecendo feitos.
Vivemos num país de índole cristã, podemos mesmo dizer que de índole católica, ou seja, universal, resta-nos ver o porquê e o como.
O porquê é fácil. Quando nascemos arranjaram-nos uns padrinhos, levaram-nos a uma igreja qualquer e pediram a um padre nos baptizasse… e ficamos católicos, pronto!...
O como é bem mais complicado. Passados meia dúzia de anos, acompanharam-nos à catequese e até tiveram o cuidado de nos incentivarem a receber o Crisma… e foi mais uma etapa do nosso cristianismo católico. No nosso tempo ainda era muito feio não casar pela igreja… e nós casamos na igreja.
Agora… vamos à missa quando nos apetece; quando morre algum familiar ou amigo vamos ao funeral; além dos referentes aos nossos familiares, claro, vamos também aos baptizados, casamentos, comunhões e crismas de outros amigos. E somos cristãos católicos… assim… desta maneira… com que até nos podemos mostrar como pessoas boas e capazes… mas de católicos, muito sinceramente, pouco mais temos que o nome.
Haja coerência! Cartaz… definitivamente, não!

domingo, 27 de junho de 2010

Irremediavelmente



Todos os homens têm de trilhar um caminho. Se não tiverem a fortaleza, a coragem, o dom da sabedoria para seguir o caminho do bem, seguirão pelo caminho do mal, irremediavelmente.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Cruz


Eu não sei o que é a Cruz!
Que existe cruz, eu sei,
se de pau ou ferro
bronze ouro ou prata
não interessa
porque essa cruz
não mata não dá vida nem inquieta.

A Cruz…
Eu não sei o que é a Cruz!
Sei que foi em dois madeiros
o horizontal
oposto ao vertical
bem apegados
que há dois mil anos
as mãos e pés de um jovem
por mim
foram pregados…
mas mesmo assim
não se fez luz
e eu continuo sem saber o que é a cruz.

A Cruz…
a verdadeira Cruz
da humanidade
não tem hastes
nem paus
nem pregos
não tem nada
onde se veja
que é na Cruz que ela vive e está pregada.

A Cruz…
Eu não sei o que é a cruz!...

É, talvez…
um caminho a percorrer
que nunca se saberá ao certo
aonde ele irá ter;
o aceitar o irmão
quando os seus gostos
nos contrariam de todo
o coração;
o discernir
o certo do errado
e, mesmo a sofrer
aceitar do melhor grado
o que é melhor fazer;
o sorrir à vida
quando para os nossos olhos
não tem beco p’ra saída;
é o olhar
serenamente o mundo
para o abraçar
com o coração
ardendo de amor profundo
e a sofrer…
porque além do muito amar
pouco ou nada mais
se poderá fazer;
é o deixar-se conduzir
sem saber por onde
nem porquê
à mercê
do amor
que bem se sente
mas na prática
realmente
não se vê;
é o amargurar-se
com a dor do irmão
e o alegrar-se
quando tiver satisfação;
é, o querer,
o saber
e o não poder fazer;
é, o doar-se
sem reserva
ou restrições
e dessa dádiva
apenas receber
desilusões;
é…
Não sei que mais
será a Cruz…
mas, com rigor,
será sempre
amor e luz
trevas e dor
que no rodar da lida que existir
a vida à VIDA
para sempre irá reconduzir.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

DEAMBULANDO!


Perdida no dia do tempo
vagueia pela noite da vida
algures
deambulante
sem lamento
por um espaço incerto e desconhecido
onde a surpresa acorda
para novas realidades
que se sobrepõem às histórias
fraquezas
saudades
memórias
nobrezas
incertezas
vivências inesquecíveis
perturbações da infância
luzes da adolescência
convite à prudência
da idade da razão
que desperta
quando o ser na lida
cresce e agarra a vida
com toda a força de que é capaz
crescendo sem parar
e sem nunca recuar
buscando a paz
que apenas consegue
na ventura
de se lançar sem reservas
na aventura
de viver a vida crescendo
a cada hora
com tudo quanto acontecer
no aqui e agora
despertando para a nua realidade
a que chama com verdade
e sem demora
um navegar na utópica
“LIBERDADE”!