Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

NOITE JUNTO À PRAIA!





O Sol desapareceu por detrás do mar e a sua ténue luz deixou tecido nas águas um brilho ondulado onde o prateado cada vez mais cinzento foi escurecendo por completo toda a superfície marinha. Agora, mais descontraídas pela densa escuridão, as ondas, ritmadas, beijam levemente a areia liberta de olhares curiosos e sedenta de carinhos mais secretos.
Durante longo tempo, do rendilhado espesso que deambula no horizonte, sobressai uma mancha de azul celeste, o azul deslumbrante do firmamento, o último a deixar de ser iluminado pelo Sol e que, quando não coberto pelas nuvens, nos inebria com o brilho suave e doce das estrelas.
Enquanto, lentamente, anoiteceu, as luzes que ladeavam a costa tornaram-se mais pasmosas no seu tom amarelo e pleno de ternura. Então… “jovens” de todas as idades aproveitam para fazer as suas caminhadas aconchegados pelo ruído dos motores que accionam os poucos veículos que, vagarosamente, vão circulando pela rua.
Noites saciadas de delícias que tornam os seus momentos inesquecíveis.
Pouco ou nada mais belo do que viver o cair da tarde e início da noite, assim, sorvendo as delícias encantadoras do mar e de todo o seu ambiente circundante.

Hermínia nadais

domingo, 2 de setembro de 2012

MAR ENCAPELADO!...


Há dias nesta pequena aldeia de casinhas brancas e rolantes, junto ao mar, só hoje me ocorreu abrir a janela fronteira!
Não obstante a distância de mais de cem metros, o marulhar entra pelos ouvidos e as ondas erguidas feitas altas nuvens de espuma branca a surgir das águas vão abraçando a costa e estendem-se pela estreita foz do rio que, aos poucos, vai acariciando o oceano com a oferta das suas águas calmas, límpidas e doces!
A bandeira vermelha que encima o suporte espetado na areia vai dizendo aos veraneantes que não se acerquem deste mar embravecido, porque quando ele brinca, assim, a mostrar a sua louca e enfurecida raiva, é melhor que fique sozinho alimentando os seus inocentes peixinhos, pois, nestas ocasiões, até a sua esposa areia se assusta dos seus tão enraivecidos e desajeitados beijos.
Ao longe, as pessoas vão e vêm, ou olham ao largo, serenamente, expectantes com este espectáculo único e belo, mas aterrador!
Não compreendo como, na borda de um tão imenso e brando lençol de água ondulante de que tanta gente gosta, este consiga mostrar-se tão revoltado com a meiga e carinhosa terra que nenhum mal lhe faz… e tão bem o aconchega!...
Que isto acontece… e muitas vezes… é um facto! Mas porquê… sabe-se lá?!...

Hermínia Nadais

terça-feira, 28 de agosto de 2012

SENSAÇÕES INESQUECÍVEIS


De olhar perdido no horizonte e de costas voltadas para o mar, na imensidade do céu e monte, vejo o mundo virgem que há a desbravar na pureza do tempo que nos arrebata os sentidos e eleva os olhos para o alto!
O ruído do desenvolvimento arrasa os ouvidos nos gemidos abafados do peito enquanto o coração abrasa o contentamento desmedido do encontro de sonhos nunca esperados!
Que bom poder observar, assim, no silêncio da vida presente no rodar perene dos dias, esta maravilhosa e sublime solidão da Natureza, que nos preenche a existência e faz voar pelo espaço na ânsia desmedida de ser, que nunca, por aqui, será satisfeita!
Hermínia Nadais

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O fenómeno da (e)migração!

 
Hoje, o Santuário de Fátima viveu mais uma peregrinação dedicada ao Emigrante.
A (e)migração existe desde os primórdios da sociedade, desde os tempos mais remotos de que há notícia!
Desde sempre existiram pessoas a abandonar as suas terras para fugir de situações más ou na busca de melhor vida, que têm de ser lembradas nas suas terras de origem com Amor e acolhidas nas terras que as recebem também com compreensão e Amor! 
O fenómeno da (e)migração, para produzir bons frutos, tem de estar enraizado no Amor, que é um desafio à Evangelização ou vivência ao jeito de Jesus Cristo, e será tanto mais quanto maior for a medida em que os cristãos conseguirem marcar a sua diferença em relação aos demais cidadãos, levando nas suas bagagens a Fé verdadeira para a transmitir às pessoas com quem vai conviver, principalmente se forem da Europa, tremendamente doente nos seus princípios e injustiças laborais e sociais.
As injustiças acabarão quando Deus for tudo na vida das pessoas, por se saberem e sentirem amadas por ELE em todos os momentos das suas vidas, oferecidas a Deus sem medo, tal como outrora izeram os pequeninos pastores de Fátima que tão bem nos servem de exemplo de coragem e ligação a Deus e aos homens.
Os Pastorinhos, com toda a fortaleza, viveram intensamente o Amor sem peso nem medida! 
O Amor leva à derrota, à derrota de tudo quanto é mal: inveja, ódio, incompreensões, egoísmos, mentiras, falsos testemunhos, soberba, avareza, impureza... sei lá que mais, são tantas coisas que não dá para enumerar!
Deste modo, poderemos afirmar que o Amor é a síntese do Evangelho de Jesus Cristo, que se revela na responsabilidade que cada pessoa tem com as pessoas  com que se cruze na vida, e que, por isso, leva à derrota de tudo quanto for contra a felicidade e bem-estar dessas mesmas pessoas.
Quando a verdadeiro AMOR comandar todas as vidas, a terra ficará transformada em céu, porque o céu é Deus e Deus é AMOR!
Amemos!

Hermínia Nadais

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Não há futuro sem família!


 A Família é um fator de crescimento pessoal e social e de desenvolvimento. 
Qualquer que seja a forma como se regularize, a família é sempre uma comunidade natural, um lugar de encontro relacional, de enriquecimento mútuo e de pacto entre gerações.
Quando fundada no sacramento do Matrimónio realizado na Igreja e em Igreja, pressupõe uma verdadeira e cuidada Fé em Deus por Seu Filho Jesus Cristo, e concede aos esposos graças especiais para o fiel cumprimento dos seus deveres de esposos cristãos, que devem ter em atenção a indissolubilidade matrimonial alimentada por uma constante atenção, compreensão e aconchego um do outro numa caminhada conjunta para Deus, sendo com Ele construtores da Humanidade através de uma generosa e cuidada geração e criação dos filhos e de uma boa integração na comunidade envolvente.
Há toda a urgência em proteger a família. A sociedade moderna tem que dar menos  importância ao individualismo e à descabida diferença relacional entre homens e mulheres, pois essas diferenças cada vez são mais pertença do passado. E o estar em público ou em privado, a pessoa é sempre a mesma, por isso deve mostrar sempre o mesmo comportamento.
É mais do que urgente orientar, proteger e apresentar bons modelos de orientação para a família atual, pois é a partir delas se construirão famílias do futuro!
Proteger a família é garantir aos pais a possibilidade de transmitir aos filhos os seus valores morais e cívicos, de modo a que os jovens possam ser, na realidade, pessoas bem formadas, seres humanos completos como é para desejar.
Mas para isso, é preciso que, logo desde a primeira infância, os pais ou outros educadores tenham a possibilidade de começar a prestar toda a atenção à criança, pois é desde bem novinha que começa a demonstrar os seus querer mais importantes, porque íntimos e sem qualquer ponta de máscara.
A época que atravessamos é muito difícil para a família, pois a baixa de valores salariais ou a total perca de salários ou desemprego, provoca crises na vida e, consequentemente, ameaça o equilíbrio familiar, uma vez que vai afetar os momentos de convivência e de festa que, além do trabalho, devem existir em todas as famílias.
A proteção do trabalho é imperativo, além de dar provimento às despesas familiares perfaz a realização pessoal que é urgente em todas as pessoas e promove o bem-estar em relação que é outra componente imprescindível na pessoa humana, ser social por excelência.
Quando a pessoa é obrigada a privar-se do descanso para colmatar as necessidades familiares, fica privada também da comunhão familiar e da dimensão festiva da família.
Trabalho-descanso-festa são fatores de união e crescimento social e interno da família, por isso, devem ser perseverados. 

Hermínia Nadais

domingo, 22 de julho de 2012

Urge restaurar a Fé na Família



Antes de nos questionamos sobre os problemas sociais, deveríamos pensar mais na resolução dos problemas familiares, pois é a boa constituição e estabilidade familiar que dá coesão e harmonia à sociedade.
A sociedade tem evoluído muito nos diversos campos da ciência onde tem feito pesquisas e chegado a conclusões maravilhosas que conseguem minorar excepcionalmente o sofrimento e melhorar a qualidade de vida. Para o sucesso alcançado, eles não criaram nada, muito simplesmente têm descoberto e obedecido logicamente às leis da natureza, aumentando o conhecimento e a compreensão e identificando as teorias e leis determinantes da autenticidade das suas descobertas.
Perante tanto avanço científico e tecnológico, que temos feito para ajudar a restaurar a fé, que, ou se inicia na família, ou será muito mais difícil de ser iniciada? Não sei, mas um desenvolvimento não acompanhou minimamente o outro, e o resultado está a ser muito doloroso.
A ciência, normalmente, cura o corpo, mas é preciso aprender a curar o coração, o que só se encontra no plano da crença religiosa. Os homens e mulheres de fé têm mais facilidade de curar o coração magoado e dar nova esperança e certeza a situações em que a mente se encontre transtornada.
Já o Apóstolo Paulo dizia aos Coríntios que somente o homem pode saber de si mesmo. Daí, o termos de rever as nossas atitudes perante o juízo que fazemos dos comportamentos de quem connosco convive.
As pessoas precisam de menos críticas e mais modelos para seguir, precisam de alguém que fale, não com a boca, mas com a vida, com padrões éticos e valores morais cheios de força, amor, espírito de serviço, partilha e responsabilidade, que consigam dar à sociedade estabilidade, compreensão, aceitação e paz.
O desenvolvimento de um caráter sólido, leal, íntegro, altruísta, de respeito mútuo e confiabilidade, o valor da dignidade e amor ao trabalho, do equilíbrio financeiro, da tomada de decisões e da coragem de perseguir ideais educacionais, aprendem-se e enraízam-se na família, acima de tudo, pelo exemplo dos pais.
Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância”.
Que tipo de vida estamos a procurar, tantas vezes desviados da lógica de Deus que não tem nada a ver com a nossa? Temos que ter presente que tudo se desenvolveu menos o estudo e meditação do Evangelho ou Boa Nova de Jesus Cristo, o único HOMEM que é exemplo para toda a Humanidade.
Temos que esquecer as fraquezas humanas, pois todos as temos, cada qual do seu jeito, para ouvir os ensinamentos do Mestre, cheguem-nos por quem chegarem.
Nada acontece por acaso. Prestemos atenção a tudo quanto nos rodeia, pois é aí que encontraremos a nossa verdadeira forma de ser e agir, como filhos, pais, cônjuges ou irmãos.
Que Deus nos ajude a fazermos tudo quanto estiver ao nosso alcance pela dignificação da família, a célula que constitui a sociedade que será sempre o que forem as famílias que a 
constituem! 

Hermínia Nadais

sábado, 14 de julho de 2012

Necessidades...

Quando não encontrares forma de poder elogiar uma pessoa, evita falar nela, pois ninguém tem o direito de denegrir a imagem de quem quer que seja.      

Hermínia Nadais                

terça-feira, 10 de julho de 2012

CRESCER NA VIDA!


A vida é bela no alvorecer ternurento dos dias, 
nas torturas amargas das longas arrelias, 
nas manhãs de sol sorridente a espalhar felicidade 
ou na escuridão mais deprimente da mais profunda solidão e orfandade, 
na tortura e amargura, tristeza e saudade, 
porque tudo, nesta vida, é viver, 
e é com tudo que se vai aprendendo a crescer.

A vida é doce no calor abafado dos ais 
e no frio endurecido do “já não posso mais”… 
no aconchego desmesurado do abraço 
e nas torturas dolorosas do cansaço… 
quando tudo corre bem na dor do amor 
ou quando as ásperas incertezas nos enchem de pavor, 
porque, pensando bem para bem ver, 
é com tudo isto que podemos crescer! 

Hermínia Nadais

sexta-feira, 6 de julho de 2012

ESVAZIAR-SE




O homem nunca pode estar vazio, tem de querer ou pensar sempre em alguma coisa! Mas, enquanto não conseguir livrar-se do seu egocentrismo exagerado, tem grande dificuldade em deixar para trás o medo de tudo e de todos, o respeito humano, o orgulho, o ódio, o rancor, o apego exagerado às riquezas e ao dinheiro... pois ainda não descobriu que, esvaziar-se de tudo, é a única forma de ficar completamente livre para ser mais rico porque cheio de vontade de ser e de crescer no Verdadeiro Amor, o único empreendimento capaz de o poder satisfazer mais plenamente.

Hermínia Nadais

segunda-feira, 2 de julho de 2012

VENDAVAL









Não chove, não faz frio nem cai neve, as nuvens não fogem desesperadas nem o vento sopra como louco. Não são estes factores do tempo que fazem as mãos trémulas e as pernas enfraquecidas, os corpos inseguros e os corações deambulantes, são as frases entrecortadas por suspiros escondidos nas asas egoístas das ignominiosas torturas que acompanham tantas vidas sombrias disfarçadas pelas mais sorridentes gargalhadas e boas disposições... que agudizam ainda mais fortemente os sofrimentos atrozes e esmagadores perdidos na calada da noite.


Realmente… olho à minha volta com um pouco de atenção… e reparo que não é preciso que haja mau tempo para que se viva no mais tremendo, estúpido, terrível e enormíssimo vendaval.




Hermínia Nadais