Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Cristo o centro do mundo e da história




O início do Ano da Fé, no 50 º aniversário da cerimónia de abertura do Concílio Vaticano II foi aberto solenemente pelo Santo Padre Bento XVI durante uma Eucaristia celebrada na manhã do dia 11 de Outubro de 2012, no adro da Basílica de São Pedro.  
A homilia de Sua Santidade foi um exemplo de união de todos os cristãos, independentemente da forma como professem a sua Fé em Jesus Cristo/Deus. 
Saudou Bartolomeu I, Patriarca de Constantinopla, Rowan Williams, Arcebispo de Cantuária, os Patriarcas e Arcebispos Maiores das Igrejas Orientais católicas, e os Presidentes das Conferências Episcopais. 
Recordou a graça de muitos dos presentes que ali puderem recordar a memorável procissão dos Padres conciliares na procissão inicial quando entraram solenemente naquela Basílica e a entronização do Evangeliário, uma cópia do que foi utilizado durante o Concílio, a entrega das sete mensagens finais do Concílio e do Catecismo da Igreja Católica, a festejar os seus vinte anos. 
Estes sinais fazem-nos recordar e convidam-nos “a entrar mais profundamente no movimento espiritual que caraterizou o Vaticano II,” para que possamos assumir e integrar na vida todos os seus ensinamentos, comunicando Jesus Cristo a todos os homens, “no peregrinar da Igreja nos caminhos da história.
O Ano da Fé está ligado a toda a caminhada da Igreja nos últimos 50 anos, em que Paulo VI proclamou um "Ano da Fé" em 1967, o Bem-Aventurado João Paulo II no Grande Jubileu do Ano 2000 apresentou novamente Jesus Cristo como único Salvador de toda a humanidade, ontem, hoje e sempre. Jesus Cristo é “o centro do cosmos e da história,” “é o centro da fé cristã. O cristão crê em Deus através de Jesus Cristo, que nos revelou a face de Deus. Ele é o cumprimento das Escrituras e seu intérprete definitivo. Jesus Cristo não é apenas o objeto de fé, mas, como diz a Carta aos Hebreus, é aquele «que em nós começa e completa a obra da fé» (Hb 12,2).”
A missão Evangélica de Cristo, iniciada com os Apóstolos com o “«Como o Pai me enviou, também eu vos envio» (Jo 20,21)” e o “«Recebei o Espírito Santo» (v. 22)”, continua no espaço e no tempo, ao longo dos séculos e continentes, para infundir o Espírito Santo nos discípulos de hoje, Papa, Bispos, Presbíteros, Diáconos e Leigos, “dando-lhe a força de «proclamar a libertação aos cativos / e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor» (Lc 4,18-19).”
Assim como o Concílio, não tratando expressamente da fé, fala da fé e reconhece o seu caráter vital e sobrenatural, como alicerce da integridade, fortaleza e estrutura das suas doutrinas que, em consonância com a tradição doutrinal da Igreja mostra Cristo como fonte e o Magistério da Igreja como canal de Fé.
O Bem-Aventurado João XXIII, na abertura do Concílio, apresentou a sua finalidade principal afirmando que o mais importante no Concílio Ecuménico não era a discussão sobre este ou aquele tema doutrinal, mas que o depósito sagrado da doutrina cristã, certa e imutável, fosse guardado e ensinado de forma mais eficaz,  fielmente respeitada, aprofundada e apresentada de forma a responder às exigências do tempo, fazendo resplandecer a verdade e a beleza da fé no hoje do tempo, sem a sacrificar frente às exigências do presente, nem a manter presa ao passado.
A Fé faz-nos sentir e viver o eterno presente de Deus que transcende o tempo, e tem de ser acolhida em cada hoje, que não mais se repetirá.
Bento XVI pensa que o mais importante é reavivar o desejo ardente de anunciar novamente Cristo ao homem contemporâneo, apoiado sobre os documentos do Concílio Vaticano II, sem nostalgias do passado nem avanços excessivos, “permitindo captar a novidade na continuidade” preocupando-se  em fazer com que a mesma fé viva continue a ser vivida no presente do mundo sempre em mudança.
É preciso dinamizar a apresentação da fé de uma forma eficaz, abrindo-se com confiança ao diálogo com o mundo moderno, apoiando-nos na vida e obra de Jesus Cristo.
“A Igreja hoje propõe um novo Ano da Fé e a nova evangelização,” porque é necessário revigorar a Fé, ainda mais do que há 50 anos!
A iniciativa de criar um Concílio Pontifício para a promoção da Nova Evangelização enquadra-se nessa perspetiva, pois nos últimos tempos a "desertificação" espiritual tem aumentado. Vive-se por demais no vazio de um mundo sem Deus! No mundo de hoje há inúmeros sinais da sede de Deus e do sentido último da vida. É preciso redescobrir a alegria de crer e a sua importância vital e essencial para a vida de todos os homens e mulheres, que têm de ser libertos do pessimismo e de manter viva a esperança.
“Hoje, mais do que nunca, evangelizar significa testemunhar uma vida nova, transformada por Deus, indicando assim o caminho.” Hoje temos de aproveitar bem os caminhos de peregrinação, ou seja, a arte de viver e compartilhar a vida com os irmãos.
Devemos aproveitar o Ano da Fé para aprender a peregrinar nos desertos do mundo contemporâneo, sem cajado, sacola, pão, dinheiro, ou túnicas, mas com o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio Vaticano II  e oCatecismo da Igreja Católica são uma expressão luminosa, que São Paulo nos aponta e de que Maria, a Mãe querida, é a maior estrela. 

Hermínia Nadais

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

NO Ano da Fé - a Nova Evangelização



Quando  Jesus Cristo deixa de estar presente na vida, a verdadeira espiritualidade desaparece porque ELE é o centro de toda a nossa vida interior!
Na passada quinta-feira, 11 de outubro de 2012, na comemoração do 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II e do 20º ano da promulgação do atual Catecismo da Igreja Católica, conforme o decretado pelo nosso querido Papa Bento XVI, com maior  ou menor solenidade, nas mais díspares localidades e nas mais diversas formas  foi celebrada a abertura solene do Ano da fé, que em muitas outras localidades, pelas mais variadas razões, será celebrada posteriormente.
A recitação individual e coletiva do “CREDO”, símbolo da Fé Católica, deverá ser cada vez mais a nossa oração preferida.
O “movimento espiritual” que caracterizou o Concílio Vaticano II está muito longe da implantação desejada! Cabe a nós, Católicos, fazer tudo para que os objetivos do Concílio sejam uma realidade presente na maioria esmagadora dos Cristãos.
O Ano da Fé quer dizer aos homens que Jesus Cristo é o centro do mundo e da sua história. Jesus, o Filho de Deus, não é somente objeto da fé, mas a origem e plenitude da Fé. Ele é o propulsor da missão evangelizadora da Igreja que ao infundir o Espírito Santo nos discípulos Ordenados ou simplesmente Fiéis Leigos a leva a atravessar mares e terras, continentes e oceanos, ao longo de todos os séculos.
Muito embora também sejam necessários, o Ano da Fé não tem por fim colocar temas de fé em documentos específicos, mas pretende levar os Cristãos a acreditar em Deus por Jesus Cristo e a colocarem-se com toda a confiança no Seu colo misericordioso, carinhoso e bom.
O Ano da Fé quer levar os homens e mulheres do nosso tempo a interessarem-se de tal forma pelo mistério cristão que, aceitando e respeitando fielmente a doutrina da Igreja, certa e imutável, a consigam adaptar às exigências do nosso tempo e comecem a viver Jesus Cristo numa total união e comunhão fraterna, tal como o fizeram os primeiros cristãos
A fé não pode estar subjugada às “exigências do presente”, nem “presa ao passado”, deve ecoar o eterno presente de Deus que transcende o tempo para poder ser acolhida por cada Ser Humano no hoje irrepetível de cada momento de todos os dias.
O novo Ano da Fé e da nova Evangelização, muito mais do que “honrar acontecimentos” pretende diminuir a "desertificação espiritual" e redescobrir Jesus Cristo, o Caminho, Verdade e Vida, que devemos imitar para bem viver.
As amarguras que afligem a sociedade em geral provém da falta de conhecimento e interiorização dos verdadeiros valores da vida que só encontraremos numa verdadeira Fé em Jesus Cristo, sem a qual a vida é um deserto permanente. Fala-se muito em prestar atenção aos sinais, mas a maior urgência é saber descobri-los, olhá-los, assimilá-los, ultrapassar barreiras, manter a esperança e viver em Caridade e Amor como Jesus Cristo viveu e quer que vivamos.
O Ano da Fé quer ajudar-nos a peregrinar nos desertos do mundo de hoje vivendo o essencial cristão – Jesus Cristo – que os Evangelhos e outros livros das Sagradas Escrituras proclamam juntamente com o Magistério da Igreja através dos documentos do Concílio Ecuménico Vaticano II, do Catecismo da Igreja Católica e seu Compêndio e outros documentos a que temos de prestar a maior atenção, pois nos ajudarão a seguir e viver cada vez mais intensamente Jesus Cristo que deseja estar vivo e atuante em cada um de nós.

Hermínia Nadais

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A Fé e a Caridade



A Fé e o Amor são inseparáveis: se eu acredito, eu amo; se não acredito, eu abomino.
O Amor é raiz de toda a Caridade e o único caminho da Caridade, pois nunca será possível a prática da verdadeira Caridade sem vivências profundas de um verdadeiro Amor.
Gostar ou não de alguém é condição suficiente para se lhe prestar atenção ou não, para se ajudar ou não ajudar. Este comportamento é apanágio de pessoas coerentes com a prática da crença humana, é um comportamento onde reinam as regras de moral e bom costumes. Caridade e Amor são palavras que muitas vezes se unem, ou melhor ainda, se sobrepõem de tal modo que muitas vezes se confundem.
A Fé e a Caridade andam de mãos dadas. Esforçarmo-nos por conhecer melhor a Deus leva-nos a acreditar cada vez mais em Deus e a amá-LO mais, e mediante o aumento do amor a Deus amamos mais o próximo, amigo ou inimigo, de quem gostemos ou não, e vamos socorrê-lo cada vez mais da melhor forma que pudermos e sempre que isso seja necessário, vendo nele, em cada instante, o verdadeiro rosto de Deus presente na atualidade.
Esta é a prática da verdadeira Caridade sobre o que a Palavra de Deus fala inúmeras vezes, tanto no Antigo como no Novo Testamento. A Caridade pode ser realizada com obras destinadas a socorrer as pessoas corporal ou espiritualmente, ela é a prática do verdadeiro amor. Ajudar para receber recompensas, favores, elogios ou mesmo só um muito obrigada não é praticar a verdadeira caridade, na maioria das vezes é, isso sim, cuidar do amor próprio e do egoísmo exagerado. A Caridade faz-se de forma gratuita, sem esperar nada em troca, além do que a prática da Caridade produz que é muita satisfação e alegria.
Praticar a Caridade é viver no amor, é amar ao jeito do Senhor Jesus, é entregar-se à resolução das necessidades do outro por amor a Deus, e por a grandeza desse amor a Deus, amar o próximo como a Deus… e amar a Deus e ao próximo com a mesma intensidade, porque se consegue ver no próximo a própria imagem de Deus.
É muito verdadeira esta afirmação: “Quem diz amar a Deus que não vê e não ama (não pratica a caridade com) o próximo que vê, é mentiroso e a verdade não está nele”.
E mais ainda: “Podes ter fé de arrastar montanhas, mas se não tiveres caridade, amor, de nada te valerá”.
Não há Caridade sem Fé, e fé sem caridade não tem valor nenhum.
“Mostra-me a tua fé pelas obras que pelas minhas obras te mostrarei a minha Fé”, pois cada pessoa será sempre o que for a sua Fé.
Hermínia Nadais

domingo, 7 de outubro de 2012

Quem é o Homem?!...



Diz-se que o Homem é um ser superior criado à imagem de Deus e formado por corpo e espírito, duas partes distintas que se apresentam como um todo indivisível numa única realidade muito complexa, o Ser Humano”, homem ou mulher.
Apesar dos vários retratos que podemos fazer de cada “Ser Humano”, é difícil e mesmo impossível defini-lo com exactidão.
O retrato físico funciona como que o seu Bilhete de Identidade onde se destacam a estatura, rosto, cabelo, mãos, voz, cor de pele, preferências pelos tipos de vestuário e formas de vestir, e leva-nos a distinguir facilmente um indivíduo dos demais; as características intelectuais, inteligência, memória, vontade, sensibilidade, dada a sua interioridade são bem mais difíceis de reconhecer capazmente; o retrato moral só poderá ser minimamente retirado a partir da análise comportamental das qualidades e defeitos mais predominantes da pessoa, ou seja, da suavidade, carinho, ternura, compreensão, irritabilidade, nervosismo, o que é muito mais difícil de se averiguar; a espiritualidade ou forma como a pessoa encara e vive a Fé no invisível e sobrenatural torna-se ainda mais difícil.
Mesmo observando e analisando o homem o mais criteriosamente possível sob as mais diversas formas, pelas mais diversas razões, nunca poderemos afirmar que conhecemos profundamente seja quem for. O conhecimento exacto de uma criatura pertence somente a ela própria e ao Seu criador.
Normalmente dizemos que conhecemos tal ou tal pessoa só porque a sabemos distinguir das demais pelo que nela nos ressalta imediatamente à vista. Mas a verdadeira verdade é que o retrato físico e comportamental de uma pessoa, estritamente necessários para o seu reconhecimento e identificação, são os menos importantes para o seu conhecimento integral, porque o mais importante é sempre invisível aos olhos humanos e somente visível com os olhos sensíveis do coração.
Para conhecermos melhor uma pessoa não podemos limitar-nos a observá-la superficialmente, mas a partir de uma análise mais profunda de todos os seus atos, feita com o maior amor, carinho e compreensão, atitudes que só podem sair do coração. Mas mesmo assim, nenhuma análise possível poderá mostrar a verdadeira realidade do ser, pois o conhecimento exato de cada pessoa ultrapassa o conhecimento da própria pessoa, é reconhecido apenas pelo Seu Criador, o único a que nada passa despercebido.
Os desentendimentos e desavenças sociais são, antes de tudo, fruto da falta de conhecimento que cada um tem de si mesmo e da falta de auto-domínio sobre as suas reacções inesperadas, e só depois da falta de compreensão e aceitação adequada do comportamento das pessoas circundantes.
Temos que aprender a ser sinceros! Se é tão difícil descobrir e julgar os segredos do nosso próprio coração, como poderemos imaginar estar à altura de compreender minimamente as atitudes das pessoas com quem convivemos, por mais íntimas que nos sejam, julgando e odiando tão desmesuradamente os seus comportamentos normais?!... Isto é incompreensível!
Só com uma consciência muito profunda de toda a nossa complexidade de homens ou mulheres e com uma vontade muito forte de ultrapassar todas as barreiras das fraquezas próprias e alheias, podemos minorar os desentendimentos e desencontros e tornar possível o viver em paz connosco próprios e com quem connosco convive. E enquanto não fizermos tudo para sermos realmente verdadeiros homens ou verdadeiras mulheres, nunca poderemos vir a ser, concretamente, homens ou mulheres de Fé verdadeira.