Penso, brinco, trabalho, estudo, medito, escrevo e partilho com quem quiser ler

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Junto à ria




Na alta e escura noite, junto à ria,
Numa avenida muito bem iluminada,
Sobre erva seca, e em cadeirita sentada,
Ouvindo os carros correndo pela via...

...Vejo com espanto e alguma arrelia
Que a malta passa, acesa, embasbacada...
Por me ver ali tão só e abandonada
E em posição de total melancolia...

Braços acenam... mas finjo não ver,
Bem entretida a olhar para o papel,
E nele escrevendo... à luz doce da rua!

Do lado oposto, a água ia a correr!....
E nuns brilhantes círculos, e em anel
Ressaltava aos olhos a imagem da Lua.

 Hermínia Nadais

domingo, 5 de maio de 2013

MÃE É VIDA




Óh! Mãe!.. Tu que és vida e deste vida,
Tu que amparas, proteges e vigias,
Óh! Tu que passas muitas tropelias
Para tirares os teus filhos da má lida...

No teu regaço todos têm guarida
Nos mais alegres ou mais tristes dias,
Quando no meio de ímpares arrelias
Te sentimos mais de perto... Óh! Mãe querida!

No teu dia te vimos saudar,
Agradecer o quanto nos tens dado
Com mui carinho e dedicação.

Teu doce nome vamos proclamar,
Mãe, és eterna, sempre ao nosso lado,
Temos por ti a maior gratidão!...

Hermínia Nadais

sexta-feira, 26 de abril de 2013

SER LIVRE



Ser livre é ser
como
a pomba a voar,
o pássaro a cantar,
a árvore a crescer,
a água a correr,
a folha a baloiçar,
o vento a assobiar
e a semente a nascer.


Ser livre é ser
como toda a natureza
mostrando sua beleza
seu encanto sem igual!...

Ser livre é ser
como sonhos irreais
com encantos sorriais
que nunca podemos ter...

Ser livre é ser
como é uma criança
que com toda a confiança
se atira aos braços da mãe...

Ser livre é ser
amigo de toda a gente
próxima ou mesmo ausente
e nunca prejudicar...
é perdoar quando ofendido
e ver no outro um amigo
custe isso o que custar!...

Hermínia Nadais

sábado, 13 de abril de 2013

EU TENHO…




Eu tenho canseira e sono
eu estou relada
eu estou desfeita
eu estou esmagada
abalada
torturada
e abatida
por tantas contrariedades
que me torturam a vida.

Eu tenho muito que fazer
que andar
que falar
que calar
e que dizer.

Eu tenho muito que aprender
a bem rodar
no incessante decorrer
dos dias
para me livrar
o mais que eu puder
de trabalhos
canseiras
desilusões
ilusões
e arrelias.

Eu tenho muito que aprender
a crescer
a diminuir
a aumentar o meu jeito normal de ser
chorar e rir
sem confundir
desesperos e algo mais
que me obrigue a passar
os meus dias todos a dar ais.

Eu tenho muito que encontrar
por longe ou perto
no meio da multidão
ou no deserto
para escolher o caminho por onde ir
e não tropeçar
nos percalços que encontrar
por onde for permitido eu seguir.

Eu tenho muito que esperar
sem arrelia
para encontrar a razão de compreender
tudo o que acontecer
no dia a dia.

Eu tenho muito que ser
que dar
que ter
que repartir
que amadurecer
chorar ou rir
e sempre cumprir
o melhor que eu possa e conseguir
o meu dever
para não ter de carregar
eternamente
a ânsia amarga de não saber viver.