Penso, brinco, trabalho, estudo, medito, escrevo e partilho com quem quiser ler

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

MANHÃ NA COSTA NOVA




Enquanto o Sol sorri deixando uma estrada de luz a atravessar a ria, os barcos andam por ali onde os homens e as mulheres, aproveitando as baixas marés, de baldes na mão, vão recolhendo os vivaldes que lhes darão o sustento e suporte para poderem vaguear honestamente pelos caminhos do mundo.
O sistema de rega, num movimento constante, humedece o relvado para que se conserve verdejante e dê mais deslumbramento a este espaço de sonho.
Os veículos circulam na via, a velocidade moderada!
As lojas, aos poucos, vão abrindo e colocando as suas ofertas à vista de toda a gente que delas necessite ou as queira ter como suas.
As pessoas mais despreocupadas de canseiras laborais aproveitam para o passeio matutino com os seus fiéis amigos de quatro patas que passam sorridentes, tal como os seus donos.
Há também quem aventure a corridinha ou caminhada matinal sobre o tapete vermelho que ladeia a ria.
Nas poucas casinhas ambulantes, em gozo de férias, ainda se dorme, tranquilamente, o sono da paz reconfortante dos dias do ano, cheios de stress e aventuras que desgastam as belezas da vida.
As gaivotas perdidas ou desencontradas da zona marinha vão sobrevoando o espaço ou param, a descansar, nas pequenas colunas de cimento junto do cais de embarque para os pequenos passeios fluviais.
As bicicletas de vários números de ocupantes, essas, estão ainda cobertas com a sua pequena manta acolhedora do sereno da noite.
Entretanto, pela ria, um sem número de pequenos barcos que surgem não se sabe bem de onde nem para quê deslizam suavemente… e os considerados de transporte correm ria acima ou abaixo, não sei muito bem, como que a levar alguém apressado a determinado lugar… enquanto alguns e algumas ciclistas, descontraidamente, vão circulando com brandura pelas margens atapedadas!
Que encanto que tanto maravilha e encanta… neste pequeno e afável recantinho da Natureza onde tudo nos fala de paz, serenidade e harmonia!...
Ria, Costa Nova, 2012/08/31 – 08.38h

Hermínia Nadais

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

NÃO JULGAR



 Não julgar… é fácil de dizer e difícil de praticar!
A vida é uma longa ou curta caminhada
que deve ser de ascese e crescer constantes
que acabam por ser intermitentes
pois não obstante os esforços dispendidos
só em pequenos momentos
serão em pleno atingidos.

Dizemos que é urgente não julgar
e nem sequer nisso nós pensamos
mas a todo o momento,
inexplicavelmente, nós julgamos:
julgamos o bom e o mau,
o grande e o pequeno,
o bonito e o feio, o rico e o pobre,
o palhaço brincalhão e o impertinente nobre,
a delinquência do desprovido
e a prepotência do sabichão enaltecido,
o roto, sujo e esfarrapado
e o ajeitadinho, elegante e bem cuidado,
o mal cheiroso e o perfumado,
o que enche a boca com frases disparatadas
e o que se compraz de as fazer bem estruturadas…

Julgamos o que, desnudado, vagueia pelas ruas,
e o que, com ou sem gosto, se acoberta por demais
deixando visíveis os olhos e nada mais…

Nós julgamos o que tudo faz para tudo ter com dura lida…
e o que nada faz para alcançar algo na vida…

Nós julgamos o egoísta e o caridoso,
o alto e o baixo,
o de rosto tratado ou rugoso,
o loiro de olhinhos azuis
e o moreninho de cabelos acastanhados,
o que usa trancinhas e travessões
e o que rapa o cabelo para não ter que se pentear,
a que pinta os lábios e dá brilho e esplendor ao seu cabelo
e a que tem as unhas sujas de tanto trabalhar…
porque… é porcaria e desmazelo!...

Julgamos o que usa fraque e tramelinho,
e o de calças de ganga
com pequeno ou grande buraquinho…     

Irra!... Tanto julgar não dá para entender!
Será que não há mais nada para fazer?

E porque não tentar… para acabar
com todos estes julgamentos desleais…
aprender a julgar, sim,
mas cada um a si mesmo e nada mais!
Julgar a fundo todo o seu potencial
para encontrar formas
de destruir em si tudo o que é mal
e desenvolver mais e melhor o que bom for
e leve ao respeito mútuo e mútuo amor!...

Seria bom para dar fim ao que é tormento
neste mundo belo e acolhedor
escasso de momentos e de tempo…
acabar com o desengano e desamor
que enche as vidas da mais imensa dor
e mal-entendidos que só causam sofrimento!

Torreira, 2012/06/29 – 17 10h

Hermínia Nadais

domingo, 29 de setembro de 2013

MÁSCARA



 Na solidão
do meu quarto
despi
a minha máscara.

Encontrei-me.

Resta-me
a Esperança
de aprender
a viver
comigo.


Hermínia Nadais

sábado, 7 de setembro de 2013

Incertezas

Não sei o que quero ando a procurar
O mundo é belíssimo para nele viver
por entre tumultos
 satisfações ou com sonhos coloridos 
que  emlevarão a alma e darão força ao coração
enchendo de amor e paz 
a doçura dos sentidos!

domingo, 18 de agosto de 2013

Crescer!...

Não sei vislumbrar o cansaço obscuro dos dias 
nem a lucidez das noites!
Não sei se é a idade que me acena com o conhecimento 
ou se a aspereza da vida 
me ajuda a tirar mais experiência 
em todos os momentos que passam!
Os dias turbos e pesados 
são difíceis de ultrapassar
mas é com eles que aprendo 
a ser 
e a viver 
mais de acordo 
com as realidades da vida!
Aprender a aceitar as dificuldades
e crescer com elas 
não é nada fácil
mas é o que tem de acontecer 
a quem quer crescer
como pessoa
numa sociedade 
que, de verdade,
precisa de pessoas crescidas
que consigam vislumbrar 
o cansaço obscuro dos dias 
e a lucidez das noites!

Que todos sejamos fortes
capazes, 
crescidos 
e suficientemente audazes
e corajosos no aprender
para podermos 
para sempre
e continuamente
crescer... crescer... crescer!...

Hermínia Nadais

domingo, 11 de agosto de 2013

AMIGO DO PEITO!...

AMIGO do peito!
Hoje vão para ti meia dúzia de palavras saídas do mais profundo do meu sofrido coração!
Quantas saudades, querido AMIGO! 
Saudades dos teus sorrisos, das tuas francas e apetitosas gargalhadas, do teu olhar penetrantemente profundo e acolhedor, da tua voz firme como um enorme e duro rochedo mas ao mesmo tempo calorosa, meiga e doce, tanto que ainda hoje, tão longe que vão os dias em que a vida nos cruzava frequentemente, a sinto nos ouvidos do corpo e acima de tudo no mais sincero sentir do coração!
Acompanho-te à distância, como posso e sei, mas não compreendo muito bem como vão decorrendo as dificuldades e sucessos dos teus dias, que desejo cheios de sucesso, encanto e beleza. 
Sei que não me esqueceste, pois os nossos comportamentos, tanto os teus como os meus, tocavam com tanta profundidade os nossos corações com anseios tão semelhantes que quase se confundiam de tanta cumplicidade!
Foste a única pessoa que, sem nunca querer saber nada e rejeitando mesmo qualquer confidencia da minha vida pessoal, me compreendeste perfeita e profundamente e soubeste ler os desejos mais sinceros do meu coração no silêncio abafado da minha voz incitando-me a um tal crescimento que, sem ti, eu nunca teria conseguido!
Os teus sábios conselhos ultrapassam todos os demais e continuam a ser o melhor caminho a seguir nos sabores ou dissabores de todos os momentos! 
Mas estou abalada, querido AMIGO! Tão abalada e perdida que não me reconheço nem tenho forças nem discernimento ou coragem para sair do túnel emaranhado em que me vejo metida, o que nunca pensei pudesse algum dia voltar a acontecer-me!
Sei que a confissão dorida das minhas mágoas não vai obter nenhuma resposta tua, pois talvez nem sequer tenhas oportunidade de ler o que para ti escrevo... mas o poder pensar que exististes para mim e ainda existes para quem quer que seja pode ser que me fortaleça o ânimo e me conceda a coragem necessária para ganhar de novo alegria de enfrentar dificuldades e vencer todos os obstáculos que me afastem de ser minimamente feliz e lutar acerrimamente pela felicidade de quem comigo convive e da sociedade em geral a quem desejo tudo de bom.
Que o VENTO te sopre a satisfação dos teus desejos e a vontade mais sincera que eu tenho de te abraçar tanto como nunca te abracei, pois sempre, tanto tu como eu, soubemos e conseguimos manter todas as distâncias necessárias a uma amizade digna e dignificante em todas as circunstâncias e em todos os seus momentos!
Beijinho...

Hermínia Nadais

sábado, 10 de agosto de 2013

DESOLAÇÃO




Nunca pensei encontrar
este panorama triste
que pensei estar enterrado
e afinal ainda existe!

Trânsito amalgamado
numa planície sem fim
com tudo desmantelado
bonito mas muito rim!

Algo perdido no tempo
num espaço encantador
que o homem tem tornado
espetáculo aterrador!

Português fala em pobreza
e está de barriga cheia
precisa ir mundo além
para ver a miséria alheia!

Tudo escuro como breu
casas favelas e montes
nuvens escuras no céu
e mágoas amargas nas frontes!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Ave... sem ninho!...


Como ave sem ninho num mundo sem jeito
metida em redoma e sem respirar
é este o sentir que me aperta o peito
e faz a cabeça andar a girar!

Nada tenho em mim que me dê amparo
morreu a esperança na confiança extorquida
pelos sonhos desfeitos que acenderam luta
inglória passada nesta dura vida
e me deixou sem jeito ao acaso perdida!

Não me encontro em nada
nem em nenhum lugar
nem tenho coragem para mais lutar
não me compreendo na minha aflição
sinto-me perdida sem consolação!

E nesta tropelia sem nada p´ra crer
passo cada dia sem nada entender
buscando encontrar palavras de alento
sem saber quando acabará o tormento!

Numa busca constante 
por maior firmeza
talvez o tormento 
nunca acabe... 
com certeza!

Hermínia Nadais