Penso, brinco, trabalho, estudo, medito, escrevo e partilho com quem quiser ler

domingo, 5 de janeiro de 2014

A MINHA TOALHA XADREZ





Foi muito bonito e bom o meu Natal, que espero venha a ser de todos os dias!
Mas hoje, quando a noite acabou o relógio disse que eram horas de sair!
Levantei-me… à escuta de uma lamúria quase imperceptível, acompanhada de alguns suspiros reprimidos e abafados ais!
Saí a ver, apressada! Era a toalha xadrez que, depois da longa ribalta com cozinha repleta e mesa a transbordar, se vê agora prestes a descer à gaveta fechada, monótona, mofada e fria, à espera de que os membros da família, agora ausentes pelos afazeres profissionais na busca de melhor vida se possam juntar de novo para confraternizarem enchendo os estômagos e a vida da mais fulgente alegria, boa disposição, ternura, fraternidade, amizade, carinho e muito amor!
Então, afagando-a, lhe respondi: “És muito linda minha toalhinha, não chores! Eu também fiquei aqui sozinha com o meu cara metade, os dois, neste casarão frio e nu. Eu vou deixar-te aqui mais um pouquinho! Ainda hoje vamos almoçar sobre ti, minha linda, assim, branca de neve e verde de esperança! Aceita a tua vida… assim como eu aceito a minha, pois é com ela que temos de viver!”
De corrida, fomos à Missa… e no final arranjei o almoço que minha sogra, filha e netos, vieram partilhar.
Entretanto, aos poucos, a toalhinha verde e branca deixou de chorar! E quando, no final da refeição, a enrolei para sacudir, pareceu sorrir para mim como que a dizer: “Tens razão, amiga! As pessoas são livres de viver como e onde podem ou precisam, e nós temos de respeitar as suas vidas com todos os seus quereres e opções! Não te preocupes que não mais me irei lamentar!”
E foi assim que ficou à espera de ser lavado e cuidada para, depois de algum tempo de espera, se apresentar outra vez na mesa com a frescura de uma flor acabada de cortar… para cortejar aqueles amigos que a retiram da solidão e lhe dão espaço ao ar livre e à luz do dia… e me enchem de muito… muito gozo e imensa felicidade!
Hermínia Nadais

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

NATAL!




Natal é magia,
alegria,
solidariedade,
verdade,
dor e amor!

Natal é nascer,
é crescer,
é ligar a terra aos Céus,
é existir no mundo dos homens
mas com o coração no Coração de Deus!

Natal é ser,
é viver,
é crer,
é ter um modo especial de estar presente
por acreditar firmemente
na vida e obra do Menino, Homem/Deus,
que não tem igual,
por isso é tão solene e feliz
a celebração do Seu Natal!

Feliz Natal para todos,
com o Menino Jesus,
e muita satisfação,
AMOR e LUZ!

Hermínia Nadais

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

NOITE JUNTO À PRAIA!



 
O Sol desapareceu por detrás do mar e a sua ténue luz deixou tecido nas águas um brilho ondulado onde o prateado cada vez mais cinzento foi escurecendo por completo toda a superfície marinha. Agora, mais descontraídas pela densa escuridão, as ondas, ritmadas, beijam levemente a areia liberta de olhares curiosos e sedenta de carinhos mais secretos.
Durante longo tempo, do rendilhado espesso que deambula no horizonte, sobressai uma mancha de azul celeste, o azul deslumbrante do firmamento, o último a deixar de ser iluminado pelo Sol e que, quando não coberto pelas nuvens, nos inebria com o brilho suave e doce das estrelas.
Enquanto, lentamente, anoiteceu, as luzes que ladeavam a costa tornaram-se mais pasmosas no seu tom amarelo e pleno de ternura. Então… “jovens” de todas as idades aproveitam para fazer as suas caminhadas aconchegados pelo ruído dos motores que accionam os poucos veículos que, vagarosamente, vão circulando pela rua.
Noites saciadas de delícias que tornam os seus momentos inesquecíveis.
Pouco ou nada mais belo do que viver o cair da tarde e início da noite, assim, sorvendo as delícias encantadoras do mar e de todo o seu ambiente circundante.
 Torreira, 2012/06/ 30 – 21.53h

 Hermínia Nadais

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

MANHÃ NA COSTA NOVA




Enquanto o Sol sorri deixando uma estrada de luz a atravessar a ria, os barcos andam por ali onde os homens e as mulheres, aproveitando as baixas marés, de baldes na mão, vão recolhendo os vivaldes que lhes darão o sustento e suporte para poderem vaguear honestamente pelos caminhos do mundo.
O sistema de rega, num movimento constante, humedece o relvado para que se conserve verdejante e dê mais deslumbramento a este espaço de sonho.
Os veículos circulam na via, a velocidade moderada!
As lojas, aos poucos, vão abrindo e colocando as suas ofertas à vista de toda a gente que delas necessite ou as queira ter como suas.
As pessoas mais despreocupadas de canseiras laborais aproveitam para o passeio matutino com os seus fiéis amigos de quatro patas que passam sorridentes, tal como os seus donos.
Há também quem aventure a corridinha ou caminhada matinal sobre o tapete vermelho que ladeia a ria.
Nas poucas casinhas ambulantes, em gozo de férias, ainda se dorme, tranquilamente, o sono da paz reconfortante dos dias do ano, cheios de stress e aventuras que desgastam as belezas da vida.
As gaivotas perdidas ou desencontradas da zona marinha vão sobrevoando o espaço ou param, a descansar, nas pequenas colunas de cimento junto do cais de embarque para os pequenos passeios fluviais.
As bicicletas de vários números de ocupantes, essas, estão ainda cobertas com a sua pequena manta acolhedora do sereno da noite.
Entretanto, pela ria, um sem número de pequenos barcos que surgem não se sabe bem de onde nem para quê deslizam suavemente… e os considerados de transporte correm ria acima ou abaixo, não sei muito bem, como que a levar alguém apressado a determinado lugar… enquanto alguns e algumas ciclistas, descontraidamente, vão circulando com brandura pelas margens atapedadas!
Que encanto que tanto maravilha e encanta… neste pequeno e afável recantinho da Natureza onde tudo nos fala de paz, serenidade e harmonia!...
Ria, Costa Nova, 2012/08/31 – 08.38h

Hermínia Nadais

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

NÃO JULGAR



 Não julgar… é fácil de dizer e difícil de praticar!
A vida é uma longa ou curta caminhada
que deve ser de ascese e crescer constantes
que acabam por ser intermitentes
pois não obstante os esforços dispendidos
só em pequenos momentos
serão em pleno atingidos.

Dizemos que é urgente não julgar
e nem sequer nisso nós pensamos
mas a todo o momento,
inexplicavelmente, nós julgamos:
julgamos o bom e o mau,
o grande e o pequeno,
o bonito e o feio, o rico e o pobre,
o palhaço brincalhão e o impertinente nobre,
a delinquência do desprovido
e a prepotência do sabichão enaltecido,
o roto, sujo e esfarrapado
e o ajeitadinho, elegante e bem cuidado,
o mal cheiroso e o perfumado,
o que enche a boca com frases disparatadas
e o que se compraz de as fazer bem estruturadas…

Julgamos o que, desnudado, vagueia pelas ruas,
e o que, com ou sem gosto, se acoberta por demais
deixando visíveis os olhos e nada mais…

Nós julgamos o que tudo faz para tudo ter com dura lida…
e o que nada faz para alcançar algo na vida…

Nós julgamos o egoísta e o caridoso,
o alto e o baixo,
o de rosto tratado ou rugoso,
o loiro de olhinhos azuis
e o moreninho de cabelos acastanhados,
o que usa trancinhas e travessões
e o que rapa o cabelo para não ter que se pentear,
a que pinta os lábios e dá brilho e esplendor ao seu cabelo
e a que tem as unhas sujas de tanto trabalhar…
porque… é porcaria e desmazelo!...

Julgamos o que usa fraque e tramelinho,
e o de calças de ganga
com pequeno ou grande buraquinho…     

Irra!... Tanto julgar não dá para entender!
Será que não há mais nada para fazer?

E porque não tentar… para acabar
com todos estes julgamentos desleais…
aprender a julgar, sim,
mas cada um a si mesmo e nada mais!
Julgar a fundo todo o seu potencial
para encontrar formas
de destruir em si tudo o que é mal
e desenvolver mais e melhor o que bom for
e leve ao respeito mútuo e mútuo amor!...

Seria bom para dar fim ao que é tormento
neste mundo belo e acolhedor
escasso de momentos e de tempo…
acabar com o desengano e desamor
que enche as vidas da mais imensa dor
e mal-entendidos que só causam sofrimento!

Torreira, 2012/06/29 – 17 10h

Hermínia Nadais