Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

NÃO GOSTO DE DORMIR



 
Não gosto de dormir
é enfadonho
viver sem nada fazer…
ou sem saber o que se faz;
andar… não se sabe como… nem por onde
e para se saber por onde… não se sabe como se andou…
só com o recordar e reviver o sonho
que tantas vezes até nos magoou!...

Não! Não gosto de dormir!
Eu gosto de sonhar,
sim,
mas acordada,
sonhar
com lírios cor-de-rosa
cravos vermelhos
rosas amarelas
e alfazema perfumada,
com o Sol brilhante
a iluminar o dia,
e os homens delirantes
na maior alegria,
com os pássaros voando
pelos jardins em flor,
e os homens
sorridentes e unidos
a viver na harmonia
do mais profundo amor!
 2011/09/03 – 11.40h

domingo, 5 de janeiro de 2014

A MINHA TOALHA XADREZ





Foi muito bonito e bom o meu Natal, que espero venha a ser de todos os dias!
Mas hoje, quando a noite acabou o relógio disse que eram horas de sair!
Levantei-me… à escuta de uma lamúria quase imperceptível, acompanhada de alguns suspiros reprimidos e abafados ais!
Saí a ver, apressada! Era a toalha xadrez que, depois da longa ribalta com cozinha repleta e mesa a transbordar, se vê agora prestes a descer à gaveta fechada, monótona, mofada e fria, à espera de que os membros da família, agora ausentes pelos afazeres profissionais na busca de melhor vida se possam juntar de novo para confraternizarem enchendo os estômagos e a vida da mais fulgente alegria, boa disposição, ternura, fraternidade, amizade, carinho e muito amor!
Então, afagando-a, lhe respondi: “És muito linda minha toalhinha, não chores! Eu também fiquei aqui sozinha com o meu cara metade, os dois, neste casarão frio e nu. Eu vou deixar-te aqui mais um pouquinho! Ainda hoje vamos almoçar sobre ti, minha linda, assim, branca de neve e verde de esperança! Aceita a tua vida… assim como eu aceito a minha, pois é com ela que temos de viver!”
De corrida, fomos à Missa… e no final arranjei o almoço que minha sogra, filha e netos, vieram partilhar.
Entretanto, aos poucos, a toalhinha verde e branca deixou de chorar! E quando, no final da refeição, a enrolei para sacudir, pareceu sorrir para mim como que a dizer: “Tens razão, amiga! As pessoas são livres de viver como e onde podem ou precisam, e nós temos de respeitar as suas vidas com todos os seus quereres e opções! Não te preocupes que não mais me irei lamentar!”
E foi assim que ficou à espera de ser lavado e cuidada para, depois de algum tempo de espera, se apresentar outra vez na mesa com a frescura de uma flor acabada de cortar… para cortejar aqueles amigos que a retiram da solidão e lhe dão espaço ao ar livre e à luz do dia… e me enchem de muito… muito gozo e imensa felicidade!
Hermínia Nadais

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

NATAL!




Natal é magia,
alegria,
solidariedade,
verdade,
dor e amor!

Natal é nascer,
é crescer,
é ligar a terra aos Céus,
é existir no mundo dos homens
mas com o coração no Coração de Deus!

Natal é ser,
é viver,
é crer,
é ter um modo especial de estar presente
por acreditar firmemente
na vida e obra do Menino, Homem/Deus,
que não tem igual,
por isso é tão solene e feliz
a celebração do Seu Natal!

Feliz Natal para todos,
com o Menino Jesus,
e muita satisfação,
AMOR e LUZ!

Hermínia Nadais

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

NOITE JUNTO À PRAIA!



 
O Sol desapareceu por detrás do mar e a sua ténue luz deixou tecido nas águas um brilho ondulado onde o prateado cada vez mais cinzento foi escurecendo por completo toda a superfície marinha. Agora, mais descontraídas pela densa escuridão, as ondas, ritmadas, beijam levemente a areia liberta de olhares curiosos e sedenta de carinhos mais secretos.
Durante longo tempo, do rendilhado espesso que deambula no horizonte, sobressai uma mancha de azul celeste, o azul deslumbrante do firmamento, o último a deixar de ser iluminado pelo Sol e que, quando não coberto pelas nuvens, nos inebria com o brilho suave e doce das estrelas.
Enquanto, lentamente, anoiteceu, as luzes que ladeavam a costa tornaram-se mais pasmosas no seu tom amarelo e pleno de ternura. Então… “jovens” de todas as idades aproveitam para fazer as suas caminhadas aconchegados pelo ruído dos motores que accionam os poucos veículos que, vagarosamente, vão circulando pela rua.
Noites saciadas de delícias que tornam os seus momentos inesquecíveis.
Pouco ou nada mais belo do que viver o cair da tarde e início da noite, assim, sorvendo as delícias encantadoras do mar e de todo o seu ambiente circundante.
 Torreira, 2012/06/ 30 – 21.53h

 Hermínia Nadais

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

MANHÃ NA COSTA NOVA




Enquanto o Sol sorri deixando uma estrada de luz a atravessar a ria, os barcos andam por ali onde os homens e as mulheres, aproveitando as baixas marés, de baldes na mão, vão recolhendo os vivaldes que lhes darão o sustento e suporte para poderem vaguear honestamente pelos caminhos do mundo.
O sistema de rega, num movimento constante, humedece o relvado para que se conserve verdejante e dê mais deslumbramento a este espaço de sonho.
Os veículos circulam na via, a velocidade moderada!
As lojas, aos poucos, vão abrindo e colocando as suas ofertas à vista de toda a gente que delas necessite ou as queira ter como suas.
As pessoas mais despreocupadas de canseiras laborais aproveitam para o passeio matutino com os seus fiéis amigos de quatro patas que passam sorridentes, tal como os seus donos.
Há também quem aventure a corridinha ou caminhada matinal sobre o tapete vermelho que ladeia a ria.
Nas poucas casinhas ambulantes, em gozo de férias, ainda se dorme, tranquilamente, o sono da paz reconfortante dos dias do ano, cheios de stress e aventuras que desgastam as belezas da vida.
As gaivotas perdidas ou desencontradas da zona marinha vão sobrevoando o espaço ou param, a descansar, nas pequenas colunas de cimento junto do cais de embarque para os pequenos passeios fluviais.
As bicicletas de vários números de ocupantes, essas, estão ainda cobertas com a sua pequena manta acolhedora do sereno da noite.
Entretanto, pela ria, um sem número de pequenos barcos que surgem não se sabe bem de onde nem para quê deslizam suavemente… e os considerados de transporte correm ria acima ou abaixo, não sei muito bem, como que a levar alguém apressado a determinado lugar… enquanto alguns e algumas ciclistas, descontraidamente, vão circulando com brandura pelas margens atapedadas!
Que encanto que tanto maravilha e encanta… neste pequeno e afável recantinho da Natureza onde tudo nos fala de paz, serenidade e harmonia!...
Ria, Costa Nova, 2012/08/31 – 08.38h

Hermínia Nadais