Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

QUEM É JESUS? COMO SABE?

Hoje é um dia muito especial para a Família Vicentina, o dia de São Vicente de Paulo!
Passei o dia a pensar neste Santo da Caridade e na acção apostólica dos Vicentinos, seus protegidos!
Normalmente ligamos a palavra “Caridade” ao acto de ajudar quem precisa de algo material, mas a Caridade é muito mais do que isso, Caridade é Amor, e o Amor é tudo quanto de bom se possa imaginar!
Se formos ao dicionário ver as inúmeras palavras que significam o termo “Caridade” poderemos verificar que todas elas são belíssimas expressões de AMOR.
O AMOR/CARIDADE é tudo quanto se faz de bem na vida, para nós e para os outros. Para nós porque, antes de tudo, temos de gostar muito de nós para conseguirmos gostar a sério de quem nos rodeia. Não aquele gostar doentio e egocêntrico, mas o gostar de si mesmo como uma obra-prima única e irrepetível que Deus criou com todo o carinho e ama desmedidamente.
Gosto muito de meditar no Amor, porque Deus é Amor, e onde houver Amor habita Deus! E é com muito amor que hoje quero responder a estas duas questões que alguém me colocou: 
 “Quem é Jesus? Como sabe?”
A resposta a esta questão, se por um lado é fácil, por outro, a meu ver, verbalmente, é de todo impossível!
Eu sei que Jesus é um HOMEM incomparável que nasceu como qualquer outro homem há sensivelmente 2000 anos, numa terra específica, Belém, e no meio de um povo específico, o povo judeu, e que, depois de algumas divagações, se fixou em Nazaré da Galileia.
Sei que a vida DESSE HOMEM, no Seu início, teve alguns acontecimentos estranhos, que depois foi muito simples e discreta até aos 30 anos, e que a partir daí se tornou no maior exemplo que algum dia se viu.
Jesus era um homem de uma profundidade e compreensão sem par, amigo, atento, íntegro, coerente, forte, que enfrentava os opositores sem medo e os tratava com toda a firmeza, mas com a maior delicadeza, amor e carinho!
Pregou o Amor a Deus e ao próximo com as Palavras mais ardentes acompanhadas dos mais deslumbrantes e sublimes gestos. Numa época em que tudo se regia pelo poder do mais forte, defendeu acerrimamente os pobres e desprotegidos, os órfãos e as viúvas, os que eram desprezados por serem considerados pecadores, e as mulheres de má vida…
Como queria que as pessoas pensassem como ELE, formou um grupo de homens com quem conviveu e partilhou mais intimamente o conhecimento e a vida.
Empunhando a arma do AMOR promoveu a maior das guerras, a guerra contra o ódio, a opressão e o desatino, guerra que cada pessoa deve fazer, antes de tudo, sobre si mesma.
Os ideais de Jesus, contrários aos dos grandes da época (e de sempre) fizeram com que fosse movida uma enorme acção contra ELE, que, sendo a bondade suprema, acabou por ser condenado ao maior dos suplícios, a morte na Cruz, de onde, pregado e a morrer, pediu ao PAI perdão para os que o tinham mandado matar… “porque”… dizia… “Não sabem o que fazem!...”
Depois da Sua morte é que tudo começou, pois os Seus seguidores, espalhados pelas mais diversas comunidades, foram proclamando alto e bom som o que ELE dizia e vivendo como ELE vivia… pelo que começaram a ser seguidos tal qual ELE foi… e, juntamente com as comunidades formadas foram registando tudo quanto tinham visto e ouvido e as suas vivências comunitárias da doutrina que professavam.

 A Bíblia Sagrada, nomeadamente o Novo Testamento, ensinou-me esta parte de  Jesus, a que eu conheço. Mas… ESTE Jesus não acaba aqui… e é a partir daqui que não há palavras que consigam dar a explicação.
A Doutrina que ELE nos deixou é, toda ela, uma completíssima norma, incompreensível para quem não a vive minimamente. Os pensamentos expressos nas Palavras e vida de Jesus são expressamente contrários aos quereres da enormíssima maioria dos homens.
ELE, Jesus, diz-se Caminho, Verdade e Vida! Diz-se presente a cada pessoa e circunstância! Diz-se alimento que se nos apresenta sob a forma de Palavra, Pão e Vinho! Onde poderá haver um ser simplesmente humano, que, sem a ajuda de algo superior e transcendente, possa compreender semelhantes coisas???!!!...
Isto não tem resposta, meu amigo… ou minha amiga!... Eu não sei responder! Eu… muito simplesmente… vivo… e posso afirmar que, se nós quisermos e nos predispusermos a seguir ESSE JESUS CRISTO, algo de sobrenatural mexe connosco e faz de nós, se o deixarmos, o que muito bem entende!
Que ninguém me pergunte como, porque não sei. O Jesus histórico levou-me até ESTE JESUS que busco todos os dias sem saber muito bem como nem porquê!
Que ELE existe, que ELE está, que ELE é sensível ao coração e vida em todas as circunstâncias alegres ou difíceis, que a Palavra e o Pão alimentam, que compreendo e aceito muito melhor as minhas dificuldades e as de quem comigo convive, que me preocupo com a felicidade e bem-estar dos outros, que tenho momentos de felicidade tão suprema que não consigo mais viver sem buscar e partilhar constantemente o AMOR DESTE JESUS, é a maior das verdades!
Nunca saberemos o sabor de um fruto, se o não provarmos! Eu… provei!...

domingo, 25 de setembro de 2011

«Quem dizem as multidões que Eu sou?»



Das mais diversas formas, tal como outrora, Jesus continua a perguntar aos Seus amigos: «Quem dizem as multidões que Eu sou?»
Mas, actualmente, fingindo-se despreocupadas das coisas que mexem mais profundamente com a sua forma de vida, ao invés de se reunirem nas igrejas as grandes multidões aglomeram-se à volta das estrelas do cinema, da música e do futebol! A esmagadora maioria das pessoas dá mesmo a impressão de viver como se Deus não existisse! São muito poucas as pessoas que se preocupam em saber, profundamente, quem é Jesus Cristo.
Quando se diz que hoje é preciso redescobrir Jesus Cristo, tem-se a certeza de que ELE não é uma simples convicção ou doutrina abstracta, é uma Pessoa real que continua presente na história, pronto a ir renovando, na história, a vida de todos os homens.
O grande desafio que se propõe aos cristãos é encontrar a maneira mais correcta de levar as pessoas a  “redescobrir Jesus Cristo”… o que… sem sombra para dúvidas… passará, irremediavelmente, pela observação cuidada da vida dos cristãos…
A vida e obra de Jesus Cristo teve um tal impacto que sempre foi e continuará a ser uma força que nos atrai e uma luz que nos ilumina por forma a descobrirmos e enveredarmos com entusiasmo pelo verdadeiro caminho que devemos percorrer, o caminho do amor, o único que leva à felicidade!
Jesus Cristo não se diz, vive-se! Mas não se vive de uma forma qualquer! Tem de ser vivido apaixonada e intensivamente, cada um por si mesmo e em relação com os demais.
A vivência da Fé em Jesus Cristo não pode ser um acto isolado, tem de ser uma experiência colectiva que possa ser vista individual e colectivamente.
Por muito que sintamos e vivamos Jesus Cristo, nunca poderemos, por palavras, dizer a ninguém quem ELE é! Serão sempre as nossas obras que o tornarão conhecido, e, consequentemente, mais amado!

Não podemos ser católicos rotineiros que não damos o verdadeiro valor ao que fazemos, nem medrosos e a cumprir preceitos com medo dos castigos de Deus! Quem ama à maneira do Coração de Jesus Cristo tenta ver tudo à maneira dos olhos de Jesus Cristo, e, por osmose, começará também a sentir à maneira de Jesus Cristo. Para as pessoas que já conseguem sentir um pouco à maneira de Jesus, os homens não são totalmente maus, são pessoas que na grande maioria das vezes andam na busca do bem por caminhos tortuosos, ou mesmo errados, mas ainda assim, andam à procura.

Mais do que nunca, os católicos têm um papel importantíssimo para a renovação da humanidade, humanidade que nunca encontrará o verdadeiro caminho com críticas ou sarcasmos, mas com atitudes de carinho, atenção, compreensão e amor, que é o comportamento que Jesus sempre teve e continua a ter com cada um de nós.

Chama-se à “Família” “Igreja Doméstica”! Mas ainda são poucas as famílias que vivem como uma pequenina Igreja!… Lá iremos… devagarinho.
Sabemos que os primeiros cristãos se reunião muitas vezes para a partilha da Palavra e do Pão – a actual Eucaristia ou Missa.

A participação na Eucaristia, um pouco de Céu vivido na terra, é a maior fonte de vida que chama os cristãos à mudança da forma de viver e leva a Igreja à missão.
A participação na Eucaristia, mesa da Palavra e do Pão, é parte integrante da vida cristã e de renovação da mentalidade.
Deixemos Jesus Cristo ser Deus em nós, pois é isso que ELE, constantemente, nos vai pedindo!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Saboreai e vede!

Hoje... depois de muito pensar... decidi meter neste espaço, sem restrições, tudo quanto faz parte de mim... "Eu... e o meu mundo..." 
Por isso, vou começar a colocar aqui algo mais do que o  habitual e me  identifique melhor comigo mesma!

A Igreja de Deus – é Jesus com os homens! Foi o próprio Jesus Quem o disse!
Ser Igreja de Deus é “Viver como ramos da videira verdadeira, que é Cristo, e dar muito fruto.”
Na parábola da videira, Jesus diz: «Eu sou a videira, vós os ramos» (Jo15, 5). Isto significa que assim como os ramos estão ligados à videira e lhe pertencem, assim também os homens estão ligados a Jesus e uns aos outros, ou seja, pertencem a Jesus e uns aos outros… não numa relação ideal, imaginária, simbólica, mas num… pertencer a Jesus Cristo, bem vistas e sentidas as coisas, num sentido misteriosamente biológico e plenamente vital.
A Igreja é uma comunidade de vida com Jesus e de pessoa para pessoa, fundada no baptismo e que se vai aprofundando cada vez mais na Eucaristia, onde Cristo se dá no Pão da Palavra e do Corpo Eucarístico, o que, na realidade, vai produzindo a cada dia uma união tão forte e íntima… que Cristo e os que O vivem, tendem a ser, cada vez mais profunda e misteriosamente, uma e a mesma coisa.
Quando Jesus Cristo perguntou a Saulo no caminho de Damasco - «Porque Me persegues?» (Act 9, 4), quis exprimir a íntima comunhão de vida da Sua Igreja com Ele. Cristo ressuscitado está com a Igreja e a Igreja está com Cristo ressuscitado. As perseguições contra a Igreja ferem a Jesus. Na Igreja – todos os cristãos - não estão sozinhos quando são oprimidos por causa da fé em Jesus Cristo, porque Jesus Cristo, no SEU Espírito Santo, está neles e com eles. Daí a enorme força da Igreja e dos cristãos.

Quando Jesus diz: «Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o agricultor» (Jo 15, 1), explica que o vinhateiro, DEUS/JESUS, toma a tesoura, corta os ramos secos e poda aqueles que produzem fruto para que dêem mais fruto. Jesus/Deus, quer dar-nos, permanentemente, uma vida nova e produtiva, pujante de entusiasmo e força.
Mas… não podemos olhar para o aspecto exterior da Igreja, ou seja, não podemos vê-LA como uma das muitas organizações que vivem sob as normas de uma sociedade democrática, pois a Igreja promove a ESPIRITUALIDADE, uma vivência muito difícil de compreender, avaliar, aprofundar e tratar. Até porque, a Igreja, está presente no mundo com homens e mulheres, peixes bons e maus, trigo e joio, e se nos fixarmos nas realidades negativas da Igreja (maldades ou fragilidades dos homens e mulheres), a tristeza será tanta que nunca mais poderemos desvendar o grande e profundo mistério da Igreja que só poderá ser visto à luz da Fé na presença real de Cristo em todos os seus membros e de todos os seus membros em Cristo.
Cristo não veio para os perfeitinhos, pois esses, neste mundo, realmente, não existem! Cristo veio chamar os pecadores, os que precisam do médico, que são todos os homens, pois todos os homens, de uma ou outra forma, cometem erros (faltas de amor), maiores ou menores, mas erros (faltas de amor verdadeiro).
É a presença de Jesus na Igreja que faz DELA o «universal sacramento de salvação» (de AMOR) (LG 48),  o caminho da conversão, da cura e da vida. Esta é a verdadeira e grande missão da Igreja, a missão que Cristo Lhe conferiu.
Mesmo com imperfeições e desatinos próprios do seu “ser humanos”, é assim que Jesus Cristo nos reconhece e aceita a todos, tal como somos.
Urge querermos permanecer NELE, porque fora DELE, nada poderemos fazer de bom. Fora de Deus não há amor!
Jesus diz: «Se alguém não permanecer em Mim, é lançado fora, como um ramo, e seca.” Assim sendo, só temos duas opções: estar unido a Cristo/AMOR para dar fruto… ou estar fora de Cristo/AMOR e não fazer nada de bom, não amar como convém.
No nosso tempo de inquietação e indiferença, com imensa gente a perder a orientação e o apoio, com a fidelidade do amor no matrimónio e na amizade enormemente fragilizada… vivemos numa noite escura e aflitiva em que nos apetece gritar como os discípulos de Emaús: «Senhor, fica connosco, porque anoitece (cf. Lc 24, 29)!
E o Senhor ressuscitado presente na SUA Igreja oferece-nos um refúgio pessoal/comunitário, um lugar de luz, de esperança e confiança, de paz e segurança, de um futuro sorridente de vida plena e de alegria interior e duradoira.
É muito difícil… mas é muito bom viver assim! Cristo chama-nos muitas vezes e das mais diversas formas, e tal como os filhos da parábola deste Domingo que se aproxima, uns dizem sim e não obedecem… outros não respondem mas prestam atenção e fazem o que o pai manda… estejamos atentos a tudo quanto for melhor para o nosso crescimento pessoal e colectivo.
Não cremos sozinhos, mas cremos com toda a Igreja, com Cristo e com os homens intimamente unidos a Cristo e entre si.
Pensar e viver assim, é a beleza das belezas! Nada há que se lhes compare!