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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Junto à ria




Na alta e escura noite, junto à ria,
Numa avenida muito bem iluminada,
Sobre erva seca, e em cadeirita sentada,
Ouvindo os carros correndo pela via...

...Vejo com espanto e alguma arrelia
Que a malta passa, acesa, embasbacada...
Por me ver ali tão só e abandonada
E em posição de total melancolia...

Braços acenam... mas finjo não ver,
Bem entretida a olhar para o papel,
E nele escrevendo... à luz doce da rua!

Do lado oposto, a água ia a correr!....
E nuns brilhantes círculos, e em anel
Ressaltava aos olhos a imagem da Lua.

 Hermínia Nadais

domingo, 5 de maio de 2013

MÃE É VIDA




Óh! Mãe!.. Tu que és vida e deste vida,
Tu que amparas, proteges e vigias,
Óh! Tu que passas muitas tropelias
Para tirares os teus filhos da má lida...

No teu regaço todos têm guarida
Nos mais alegres ou mais tristes dias,
Quando no meio de ímpares arrelias
Te sentimos mais de perto... Óh! Mãe querida!

No teu dia te vimos saudar,
Agradecer o quanto nos tens dado
Com mui carinho e dedicação.

Teu doce nome vamos proclamar,
Mãe, és eterna, sempre ao nosso lado,
Temos por ti a maior gratidão!...

Hermínia Nadais

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Frente ao mar


Junto ao mar me sento emudecida
Das ondas mansas ouvindo o marulhar
Vendo o Sol dourado ir p’ra outro lugar
Deixando espaço à lua enternecida

A noite avança de cabeça erguida
Com as gaivotas planando sem parar
Cobrindo de brandura este lugar
Que aconchega a noite e refresca a vida

E sonhando com o ardor de um outro dia
Sorvendo os beijos doces das marés
Sinto que a areia chora a solidão

Enquanto o delicado odor da maresia
Me suaviza o corpo da cabeça aos pés
Enchendo de alento a alma e o coração!

Hermínia Nadais 
Praia de Esmoriz, 2012/06/07

quinta-feira, 26 de abril de 2012


CRAVOS DE ABRIL!

Não sinto saudosismo nem saudade
Mas algo que para mim é muito mais
São netos e avós filhos e pais
Numa ausência quase total da liberdade!

A anarquia dominou a sociedade
E a luta pelo poder e por ter mais
Roubou ao povo meu tantos ideais
Que meu coração não aguenta a realidade!

Ó gente ousada escolhe o que seguir
E foge do insensato proceder
Que irá levar-te onde não queres ir…

Segue os cravos de Abril gritando ao vento
Que só o altruísmo e o amor podem varrer
Do teu País as sombras do tormento!...

Hermínia Nadais


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

SONHANDO


Não sei que vai sair, mas bem entendo
Que estou só, desolada e à espera,
Perdi meu tempo mas não perdi a guerra
E o muito que passei, sentida, lembro.

Mudar de rumo é o que eu pretendo
Para não lembrar mais o que antes era...
Para pensar que foi uma quimera
Viver o que vivi e estou esquecendo.

Óh! Tempo, traz para mim algo de novo
Porque meu sonho o vento o esvaiu
E não sonhar é morte certa e dura.

O meu castelo de areia já ruiu
E na floresta do mundo vejo o lobo
Que esfomeado e feroz já me procura.