sábado, 17 de outubro de 2026

AS GAIVOTAS E O PAPEL DO REBUÇADO

 

Quando me vêm à memória acontecimentos passados… delicio-me com eles!

Parece que os estou a viver de novo!…

Por momentos estou a sentir-me naquela praia bela e distante!

O mar acaricia a areia enquanto o sol se vai preparando para, com seus esplendorosos raios, iluminar de novo a terra.

As gaivotas, nos seus bailados e gorjeios, brincam alegremente aproveitando ao máximo a brisa amena na doce luz do alvorecer de mais uma manhã na Praia Vasco da Gama.

De quando em vez, as mais espevitadas sobrevoam as pequenas ondulações, nadando, caminhando, bicando… enquanto uma encontra algo que a faz sair apressadamente da água. A felicidade dela é imensa… encontrou um papel de rebuçado, de cor vermelho vivo… que como é habitual entre as gaivotas, está a ser desejado por todas pelo que tem de ser afincadamente defendido.

A pobre gaivota dá bicadas e mais bicadas… mas não consegue desfazer o papel. Pousa-o na areia e volta a apanhá-lo por várias vezes, até que o deixa de vez.

As suas colegas… desejosas de conseguir aquela surpresa… correram a apanhar o papel!… Uma, ferozmente, fugiu com ele, apressada, defendendo-se das demais.

Entretanto… o papel partiu-se em dois.

A gaivota tentou largar uma das partes para pegar a outra, mas acabou por ter de ficar só com uma… que engoliu!… A outra metade também foi engolida, mas por outra gaivota!...

E… quem são as gaivotas?

Pela observação feita, são aves persistentes, autoconfiantes… compreensivas… mas que não desistem de nada com facilidade!

Será que somos distraídos na vida… ou também temos algo de gaivotas???

Oxalá... tenhamos… pois precisamos de muita resiliência para não esmorecer na difícil caminhada da vida!

Hermínia Nadais

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

AS BELEZAS DA RIA NA COSTA NOVA!

 

Para quem não conhece o local, é uma ria larga… muito larga!...

De dia… recheada de barquinhos a passear! Uns… calorosos como jardins primaveris; outros… com velas brancas a flutuar ao vento, quais brancas camélias a deslizar suavemente sobre as águas calmas!

Nalguns pontos mais profundos e entre as diversas povoações das suas maravilhosas margens, os barcos que transportam os passageiros correm velozmente… enquanto nos locais mais díspares e estratégicos outros se quedam, aqui e além, dando aos pescadores a possibilidade de poderem fazer chegar às peixarias o peixe fresquinho esperado com ansiedade.

Aquando das baixas marés, os homens e mulheres palmilham pacientemente a lama, curvados sobre si mesmos, na apanha dos vivaldes que as águas cuidam muito bem!

As gaivotas poisam nos cumes dos palheiros coloridos… uma graça ímpar num outro qualquer local!

As palmeiras, dispersas no imenso relvado, vão baloiçando, enquanto os corvos, pretinhos, rodopiam constantemente.

Os veículos circulam meigamente pela rua… ávidos de admirar a paisagem. Algumas casas de comércio têm as suas portas engalanadas, mas pouco movimento!

Entretanto… o sol esvai-se e a noite cai! E o panorama da ria muda de aspeto… transforma-se num imenso lago escuro ladeado de luzes brilhantes a infiltrarem-se na água com reflexos inigualáveis.

Que bela é a ria… neste local de sonho!

Quem nunca sorveu esta maravilha… que se apresse a extasiar-se com ela!

Hermínia Nadais 


quinta-feira, 15 de outubro de 2026

UM ENCANTO DE VIDA

 

Foi em tempos passados, quando a terra era docemente cultivada pelas mãos humanas, e os homens, muitas vezes chamados a trabalhar nela como assalariados, eram carinhosamente alimentados pelas ‘senhoras’ da casa!

O sol escaldante deixava cair os seus raios dourados sobre o corpo de bronze alquebrado sob o peso da enxada que removia lentamente a terra do carvalhal amortecido.

Era meio-dia! Ao longe, uma mocinha graciosa vinha deambulando pela estrada deixando que o vento ondulasse os seus belos e pretos cabelos lisos.

De olhos enxutos, mas com a água a escorrer por entre os pelos loiros das raras e esguias barbas, João sentou-se, calmamente, debaixo do salgueiro, junto ao penedo que ladeava a margem direita do rio.

Ao vê-lo, um sorriso delicioso encheu de brilho o olhar de Maria, enquanto, brandamente, poisava a pequena cesta e estendia sobre a densa folhagem seca um lindo pano de linho fino, bordado a preceito, debaixo da pequena panela da sopa que fumegava um cheiro tão saboroso que enchia de gozo as bocas mais insípidas e amargas.

Os momentos do almoço passaram, mudos e velozes! E, enquanto a jovem se apressava no regresso ao lar para continuar, junto da mãe, as cansativas lides caseiras, João, de olhos presos naquele mimoso esmero da Natureza, ia cavando e pensando se não seria esse formoso rebento a esposa amada que sonhava um dia encontrar… para lhe mimar a lenta e sequiosa agonia dos dias!...  

Se o chegou a ser… não sei! Mas… que todos tenham sido muito felizes nos segundos de todos os dias! 

       Hermínia Nadais         


quarta-feira, 14 de outubro de 2026

AS NUVENS… E O SOL NASCENTE!

 

Os gatos miaram por falta de comida que… durante a noite, os gatos vizinhos lhes vieram roubar!

Abri a porta… para os ir saciar!

Olhei ao redor e fiquei deslumbrada com a suave luz do sol nascente a surgir no alto da serra… voltada para uma enormidade de pequenas e lindíssimas nuvens que cobriam o maravilhoso e eloquente azul do céu!

Quedei-me um pouco perante a esplendorosa maravilha!

E…  o meu pobre coração disse-me que aquele sol é imagem refulgente do Senhor Deus a iluminar os homens e mulheres a que chamamos Humanidade, as pequenas e lindíssimas nuvens!

É assim que Deus nos vê! Lindíssimas nuvens, dos mais variados tamanhos, feitios, claridade ou escuridão!

Nós, olhamos as pessoas com os nossos estuprados olhos, e não conseguimos ver, um pouco que seja, da infinita grandeza que o Senhor nos concedeu e aos irmãos e irmãs com quem convivemos nos segundos dos dias.

Hoje, nos poucos momentos que gastei a ver o Sol a aparecer no Horizonte, na beleza absorvida, consegui interiorizar que a Humanidade é, na realidade, bela por demais,  e se assim for vista por nós, teremos muito mais amor, dedicação, paciência, fraternidade, e paz, no decorrer da lida!

Que assim seja, gente muito querida!

Hermínia Nadais 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

LINGUAGEM INCOMPREENSÍVEL!

 

Num dia ensolarado, deu-me vontade de sair e sentar, saboreando o sol e olhando o espaço, nos bancos do jardim! Mas… como as tarefas caseiras não mo permitiam, foquei nelas todo o meu empenho.

Ao iniciar a confeção do almoço escutei um enorme rebuliço, guinchos… e mais guinchos… mesmo à porta da cozinha.

Incomodada com a barulheira, vislumbrei os safados dos ladrões da comida dos dois gatos…  com que gastava sacos e sacos de comida.

Peguei na vassoura, e abri lenta e cautelosamente a porta para dar uma valente sova naquele gatedo todo… que fugiu, velozmente, correndo, cada qual para seu lado, deixando-me a olhar, desalmadamente, sem gestos nem palavras, todo aquele panorama!...

E vi que um se escondeu… ao lado da então ali existente chaminé, onde bati com toda a força!… E fugiram, ele e outros que também lá se esconderam, numa corrida desesperada… inundando o jardim com uma nuvem de gatos a correr… de cores diferentes... miando ferozmente com quanta voz lhes saía das gargantas.

Voltei ao meu trabalho… e pouco depois… voltei a ouvir guinchos diferentes e berros descabidos numa algazarra sem fim.

Abri a porta! Ao fundo das escadas aquela berraria toda, com gatos a arranharem-se uns aos outros, nos focinhos, com a maior aspereza que imaginar se possa.

Peguei de novo na vassoura… fiquei parada no cimo da escadaria… e atirei com ela sobre eles… que se dispersaram novamente numa louca correria.

Por que estariam eles com tanta raiva uns dos outros… nunca o irei saber!

Mas, afinal, não são só os homens e mulheres que são raivosos, pois os gatos… muito embora numa linguagem incompreensível, parecem-me muito piores do que os Humanos. 

E a estes… sem autoconhecimento, quem os poderá corrigir?!...

Valha-nos… quem nos possa valer!

Hermínia Nadais


DESEN

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

DESERTOS DA VIDA... ENCONTROS DE PAZ!

 

Os desertos da vida surgem no meio dos inúmeros afazeres, problemas, amarguras e sofrimentos de quem nos rodeia, a fundirem-se com os nossos, e a fazer-nos sentir baralhados e sem saber o que fazer.

Não admira nada que o bom Senhor, o nosso Maior Amigo de todos os nossos segundos, no meio de todas as controvérsias… a ver tudo até ao mais íntimo de cada ser… fugisse tantas vezes para os montes… os desertos da terra… para ali ficar sozinho consigo mesmo e com o Pai!

Fugir para o deserto… silencioso… longe de tudo quanto nos possa atrapalhar a existência… é a única forma de nos encontrarmos com o oásis da vida que buscamos… ansiosos… na confusão do Mundo!…

Buscar a Verdadeira Paz no meio da confusão, é tarefa inútil! Busquemo-la, sim, no mais íntimo de nós mesmos, o verdadeiro monte onde a poderemos encontrar!

Hermínia Nadais

sábado, 10 de outubro de 2026

AS VOZES DE DEUS!...

 


Para ouvir a silenciosa voz de Deus precisamos de muita atenção!

Deus fala a todos os homens e mulheres das mais diversas maneiras… ELE é AMOR e Ama a todos sem exceção… vamos até ELE, por Jesus, que “é Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14, 06)!

Deus está, realmente, com todos os homens de boa vontade!

Que sempre seja louvado!

A Igreja, obedece à voz do Mestre! Ela fala muito, porque não pode estar calada!

Os cristãos não podem guardar para eles a imensa felicidade de viver a Fé em Jesus Cristo, porque Jesus Cristo veio ao mundo por todos os homens, e todos os homens têm o direito de O conhecer!

Contra tudo e contra todos, com todas as preocupações e canseiras, com o maior amor do coração, os cristãos têm de mostrar Cristo aos não cristãos.

Se me disserem que os cristãos têm defeitos, é verdade; que a Igreja tem defeitos, é verdade; que há muitos erros cometidos pela Igreja e pelos cristãos, é verdade!...

Neste mundo, a perfeição não existe!

Mas, a Igreja tem feito grandes coisas e continua a fazer! Esta é uma verdade que não podemos calar! E o facto de ainda existir, depois de tantas perseguições e com tantas perseguições… só prova que não é obra dos homens, mas de Deus!

Tudo o que acontece com os cristãos é obra de Cristo através da Sua Igreja!

Eu sou cristã! Como posso calar a ação da Igreja de Jesus Cristo em mim?

Claro que não calo! Vou continuar a falar! Eu não posso estar calada!        

Hermínia Nadais

AS GAIVOTAS E O PAPEL DO REBUÇADO

  Quando me vêm à memória acontecimentos passados… delicio-me com eles! Parece que os estou a viver de novo!… Por momentos estou a sentir-me...