Ao iniciar a
confeção do almoço escutei um enorme rebuliço, guinchos… e mais guinchos… mesmo
à porta da cozinha.
Incomodada com a
barulheira, vislumbrei os safados dos ladrões da comida dos dois gatos… com que gastava sacos e sacos de comida.
Peguei na
vassoura, e abri lenta e cautelosamente a porta para dar uma valente sova
naquele gatedo todo… que fugiu, velozmente, correndo, cada qual para seu lado,
deixando-me a olhar, desalmadamente, sem gestos nem palavras, todo aquele
panorama!...
E vi que um se
escondeu… ao lado da então ali existente chaminé, onde bati com toda a força!… E
fugiram, ele e outros que também lá se esconderam, numa corrida desesperada…
inundando o jardim com uma nuvem de gatos a correr… de cores diferentes...
miando ferozmente com quanta voz lhes saía das gargantas.
Voltei ao meu
trabalho… e pouco depois… voltei a ouvir guinchos diferentes e berros
descabidos numa algazarra sem fim.
Abri a porta! Ao
fundo das escadas aquela berraria toda, com gatos a arranharem-se uns aos
outros, nos focinhos, com a maior aspereza que imaginar se possa.
Peguei de novo
na vassoura… fiquei parada no cimo da escadaria… e atirei com ela sobre eles…
que se dispersaram novamente numa louca correria.
Por que estariam
eles com tanta raiva uns dos outros… nunca o irei saber!
Mas, afinal, não
são só os homens e mulheres que são raivosos, pois os gatos… muito embora numa
linguagem incompreensível, parecem-me muito piores do que os Humanos.
E a estes… sem autoconhecimento,
quem os poderá corrigir?!...
Valha-nos… quem
nos possa valer!
Hermínia
Nadais
DESEN



