Parece que os estou a viver de novo!…
Por momentos estou a sentir-me naquela praia bela e
distante!
O mar acaricia a areia enquanto o sol se vai
preparando para, com seus esplendorosos raios, iluminar de novo a terra.
As gaivotas, nos seus bailados e gorjeios, brincam
alegremente aproveitando ao máximo a brisa amena na doce luz do alvorecer de
mais uma manhã na Praia Vasco da Gama.
De quando em vez, as mais espevitadas sobrevoam as
pequenas ondulações, nadando, caminhando, bicando… enquanto uma encontra algo
que a faz sair apressadamente da água. A felicidade dela é imensa… encontrou um
papel de rebuçado, de cor vermelho vivo… que como é habitual entre as gaivotas,
está a ser desejado por todas pelo que tem de ser afincadamente defendido.
A pobre gaivota dá bicadas e mais bicadas… mas não
consegue desfazer o papel. Pousa-o na areia e volta a apanhá-lo por várias
vezes, até que o deixa de vez.
As suas colegas… desejosas de conseguir aquela surpresa…
correram a apanhar o papel!… Uma, ferozmente, fugiu com ele, apressada, defendendo-se
das demais.
Entretanto… o papel partiu-se em dois.
A gaivota tentou largar uma das partes para pegar a
outra, mas acabou por ter de ficar só com uma… que engoliu!… A outra metade
também foi engolida, mas por outra gaivota!...
E… quem são as gaivotas?
Pela observação feita, são aves persistentes,
autoconfiantes… compreensivas… mas que não desistem de nada com facilidade!
Será que somos distraídos na vida… ou também temos
algo de gaivotas???
Oxalá... tenhamos… pois precisamos de muita
resiliência para não esmorecer na difícil caminhada da vida!
Hermínia
Nadais






