Frente ao mar, ouvindo o marujar das ondas sob o sol ardente, a areia mal firmava os meus pés! Sentei-me na cadeirinha de pano com os suportes bem enterrados para não cair. O guarda-sol, baixinho, nada mais cobria do que as mochilas do almoço… e a conversa era tanta e tão alta que ensurdecia os ouvidos.
Em poucos
instantes… foram-se retirando, aos grupos, para diversos pontos da praia! Uns
iam… outros vinham!
O ambiente
barulhento perdeu a sua força quando, na hora do almoço, cada um escolheu o sítio
onde preencher as necessidades estomacais… que eu e a minha irmã satisfizemos
com algo que de casa extraímos antes da saída... em que a corrida foi tanta que
o telemóvel escasseou… ficou no quarto onde dormiu… e muita falta me fez: nos
meus joguinhos, na amostragem das horas, nas fotos, nos telefonemas!... O
lembrar-me que os meus familiares se podiam querer comunicar comigo e não o
podiam fazer, arrasou-me. Mas… passou… foi um único dia!...
As ondas
estavam calmas e acalentadoras; as águas… nem frias… nem quentes… dependendo da
forma como as sentíssemos quando nelas mergulhássemos.
As voltas
e voltinhas dadas sobre a junção da água com a areia satisfaziam o gosto pelo
salgado, pelo sol escaldante, pelo consolo de ter, pelo menos os pés, metidos
nas águas!
Os
guarda-sóis eram poucos… e foram abandonados pela sofreguidão da boca que
queria saciar o estômago com algo a encontrar nos arredores da praia, diferente
de nós, que mitigamos a fome com o trazido de casa.
No céu,
as nuvens brancas pareciam paradas como parados estávamos sobre as silenciosas
areias.
O mar,
sereno, quase não se ouvia. As pombinhas, vagueavam por ali, mas, aos poucos,
deixaram de ser vistas. Talvez, como muitos de nós, estivessem a dizer à praia:
- Até ao ano, se Deus quiser!
Ou…
talvez não! E amanhã continuarão a vaguear por ali, a escolher algo para elas
saboroso extraído de entre os inumeráveis grãos de areia!
Como por
encanto… ouviu-se uma voz mais alta:
- Juntem-se
todos! É hora do lanche convívio!
De
imediato, todos se aglomeraram sobre o espaço escolhido para acamparmos. E
começou o ditoso lanche… que acabou com risos e cantos, alegres esgargalhadas,
o bater ritmado de muitas palmas!
Começaram
então a repartir o excedente pelas mais pessoas presentes na praia.
E… a calma…
a todos acalmou!… Voltou àquele pouco de areia que, num curto espaço de tempo,
iria ficar sozinho.
A calma
das pessoas, parte do coração e chega ao coração… enquanto o tempo passa e vai
chegando a hora da partida: 17 horas!
A vida é
linda! E neste recanto encantador, tudo parecia um resplandecer de paz e amor!
Hermínia
Nadais





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