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terça-feira, 27 de outubro de 2026

SIMPLESMENTE… EU!

 

Quando o tempo se esvai e o espaço me arrasa os sentidos desmesurados da vida deturpada de misérias e desalinhos, sinto-me, simplesmente, eu!

Eu, com tudo quanto reconheço em mim e não consigo alterar sem a força descomunal do Infinito que me habita a beleza dos momentos felizes que me prendem à existência nesta humanidade crua de sentido de que sou parte integrante!

Nas fraquezas ternurentas dos abraços descontrolados não consigo encontrar o rumo certo na estrada do mundo material em que habitamos todos, como membros inseparáveis uns dos outros, ainda que dessa verdade nos queiramos alhear.

Até quando, na busca interminavelmente indefinida de vida plena continuarei a palmilhar os trilhos aflitivos dos encontros e desencontros comigo mesma e com os demais... chorando ou sorrindo… sem saber muito bem como nem porquê?!...

Não sei...  não sei bem o que fazer!... Mas sei que é assim, que eu… sou… simplesmente… eu!                

Hermínia Nadais


segunda-feira, 26 de outubro de 2026

ACASO OU INTERVENÇÃO

 

Já faz bastantes anos que João, sempre muito atento a tudo o que se passa à sua volta e que não para de nos surpreender, contou a seguinte passagem:

Enquanto um ‘apagão’ atingiu grande parte da cidade de Gaia, uma pequena multidão subiu a estrada e apinhou-se no pequeno Santuário do Monte da Virgem, onde se faziam os preparativos imediatos para a celebração da Eucaristia… e várias vezes a luz acendeu... e apagou... acendeu... e apagou!

Então, alguém disse: - “Preparem lâmpadas a bateria e ponham-nas junto do altar para uma eventual necessidade!”

E, assim se fez! A mais maravilhosa Oração Comunitária foi iniciada!...

Logo no primeiro canto a luz apagou-se mais uma vez… mas não interferiu em nada e não se apagou mais… tudo pode decorrer, maravilhosa e normalmente!

No final da cerimónia, ao abandonar o local, quando, compressa, as pessoas se encontravam umas fora e outras ainda dentro das portas do Santuário... a luz falhou outra vez... agora… por muito mais tempo!

Acaso... ou intervenção de Deus?!...

Não sei. Mas que a fé arrasta montanhas... e a mão de Deus é poderosa... não tenho dúvidas!’

E nós?... Quando seremos capazes de ter a perspicácia do João, para prestarmos atenção a tantos acontecimentos assim, sem explicação?

Hermínia Nadais


domingo, 25 de outubro de 2026

FOLHAS DE OUTONO

 

Todos os anos, na época outonal, por toda a parte se encontram os tapetes multicores das folhas caídas, folhas das mais variadas formas e tamanhos que, no rodar da sua vida, de verdes foram passando a outras tonalidades, impensáveis noutra qualquer estação do ano!

E tão belas... que mesmo que pouco atento… encantam qualquer olhar!...

Olhamo-las… atenta e carinhosamente, como nunca se fez em qualquer das outras estações.

E… há as folhas que desejaríamos ver verdes, mas nem sequer chegaram a nascer; e as viçosas e verdes que, no raiar da vida partiram, morreram, caíram e desapareceram sem sabermos a razão por que tal aconteceu.

E ficamo-nos, assim, presos... somente… nas folhas do Outono que é o outono das folhas!

Se as olharmos pormenorizadamente verificaremos que são mais belas no seu conjunto, onde cada uma esconde as suas enfermidades no meio de uma enormidade de diferenças: há-as mais ou menos coloridas, mais ou menos belas e perfeitas, mais ou menos recortadas, mais ou menos direitinhas... mais ou menos rotas... efeitos da sua génese ou das intempéries da vida no tempo.

Nesta altura, não é muito habitual observar-se qual a árvore de onde as folhas saíram ou em que tipo de terreno foram cultivadas!

Mas...não podemos esquecer que a variedade das folhas depende da variedade das árvores onde nasceram, do tipo de terra onde essas árvores estavam plantadas, do húmus com que foram adubadas e da água com que foram regadas, da força de vontade que as folhas tiveram para nascer, crescer e viver bem assim como o jeito ou a resistência apresentada em todas as suas situações existenciais.

A beleza e durabilidade das folhas de Outono ficará sempre dependente de muitas razões.

São precisas todas as folhas para embelezar o Outono, mas nem todas as folhas nascem… ou chegam ao seu outono.

Assim sendo, cuidemos muito bem de todos os terrenos... para que, em todas as árvores a cultivar possam nascer todas as folhas; e, depois de nascidas, todas possam ter força e resistência capaz para bem sobreviver.

Depois, devemos fazer tudo para que todas as folhas sejam muito bem tratadas e queridas em todas as estações da sua existência, pois todas têm o direito de se sentir queridas e sabemos bem que muitas delas poderão não ter tempo de chegar ao seu outono.

E quanto a nós, não tenhamos ilusões: se não tivermos força, querer e sabedoria para tratar bem as folhas verdes, também não saberemos tratar bem das secas.

Tratemos muito bem... e sempre... todas, todas as “folhas”… provindas das mais diversas árvores… que talvez possamos comparar com a nossa… Humanidade!… Num qualquer dia… veremos como!

Bom Domingo para toda a gente

Hermínia Nadais

sábado, 24 de outubro de 2026

LUTA DIÁRIA

 

Somos seres humanos, seres sociais por excelência!

O nosso “ser sociais” faz-nos responsáveis uns pelos outros e dependentes uns dos outros!
Manda-nos ajudar-nos mutuamente e ser presentes uns aos outros… contudo, muitas vezes, buscamos o que gostamos e tentamos evitar o que nos magoa!

O nosso “ser sociais” leva-nos a ser arrastados por exemplos… e a arrastar os demais pelo exemplo que damos!

Tanto quanto possível, por nós e pelos outros, temos de nos precaver, de ter cuidado com o que pensamos, dizemos ou fazemos, para não cairmos em erros, em atitudes erradas!

Temos de ser, cada vez mais, pessoas responsáveis! Connosco mesmos, e com quem connosco faz caminho de vida!

A nossa responsabilidade pessoal começa na ajuda que damos a nós mesmos,

mede-se pela forma como nos comportamos connosco próprios, com o nosso crescimento pessoal; a responsabilidade social, tem a ver com as ajudas que damos a quem precisa, com o que fazemos pelo bem-estar do nosso próximo!

Nós, nas corridas da lida, muitas vezes não pensamos neste dom de sermos “seres sociais” por excelência! Mas não o podemos esquecer… e bem certos de que, o nosso comportamento, tem de servir de exemplo a quem nos vê, se não, alguma coisas não está bem!...

Procurar esta forma de ser, de viver, de estar, é buscar a nossa máxima responsabilidade, e tem de ser uma luta de todos os segundos dos dias, sem esmorecer!

Força, gente querida!

Hermínia Nadais

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

NEM IMPORTÂNCIA… NEM INSIGNIFICÂNCIA!

 

Sim! Não podemos pensar que somos os maiores… mas também não podemos pensar-nos pequeninos demais! Temos de fazer tudo para nos podermos olhar como somos na realidade, e olhar quem connosco convive com muita atenção e delicadeza!

Uma pessoa que vê tudo pela negativa ou pela positiva e se acha muito insignificante ou muito importante… nunca abre, na verdadeira realidade, o coração com ninguém.

Se se acha insignificante, não se socializa por ter medo de ser criticada; se se acha importante, pensa que não precisa de nada, olha as outras pessoas de cima para baixo e não escuta ninguém!

Em qualquer dos casos… uma pessoa assim… é como um quarto com as janelas e portas fechadas… sem qualquer possibilidade de receber a luz do Sol.

Mas… temos de ser Sol… uns para os outros!...

Somos seres sociais por excelência… e só uma real socialização nos fará crescer!

E… não nos admiremos de sermos diferentes de todos os outros, porque é na diferença que está a nossa verdadeira grandeza! É porque somos diferentes que nos completamos uns aos outros.

Então… com a absoluta certeza de que todos somos muito importantes, abramos os nossos corações aos irmãos e irmãs, aceitemos as suas aberturas aos nossos corações, e sejamos leais, verdadeiros, atentos, presentes, precisos, pois sós assim poderemos completar-nos, crescendo sem parar! 

Força, gente querida! Amabilidade, sim! Importância, e insignificância, não!    

Decididamente, não!      

Hermínia Nadais 

terça-feira, 20 de outubro de 2026

SOMOS MULTIDÃO!

 

Somos multidão! Normalmente, ninguém pode viver sozinho!

Ninguém pode ser feliz sozinho! Ninguém erra sozinho nem se corrige sozinho!

Ninguém pratica o bem sem ter algo ou alguém com quem o praticar!

A vida é um dom, uma alegria, uma graça!...

Mas… quando falamos em vida, estamos a evocar tudo quanto existe do qual eu, tu e eles… qualquer pessoa… todos nós… somos parte integrante!

Quando falamos em vida falamos numa totalidade de pessoas inatingível pela racionalidade da nossa mente humana.

Nós, tu e eu, somos seres sociais, não prescindimos dos outros seres humanos, e dependemos ainda do Sol, da Lua e das Estrelas, dos Planetas e Cometas, do ar, da água, da escuridão e da luz, do frio e do calor, das árvores e animais – mamíferos, aves, peixes, e até dos répteis, batráquios, insetos e não sei que mais… é assunto de estudos especiais que não consigo nem tenho necessidade de compreender.

E, analisando um pouco mais e melhor… não somos somente toda a multidão atual desta época que atravessamos, somos também a multidão de todas as pessoas de todos os tempos que passaram e daqueles que depois de nós, hão-de vir!

A nossa vida é de seres sociais, em que só nos completamos, verdadeiramente, uns com os outros… e todos com Deus, por Jesus Cristo, agarrados à CRUZ… o que é um enormíssimo e incompreensível mistério.

Que, um dia, consigamos compreendê-lo!                    

Hermínia Nadais 

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

ENCANTO!

 

Era uma pequena e esguia torre!

Saída de uma igrejinha majestosa plantada entre o casario, que realçava a sua estrutura sóbria e altamente solene!

Frente ao mar, escutava o marulhar das ondas e maravilhava-se com as corridas estonteantes das crianças que deambulavam pelo areal, dos velhinhos que conversavam nos bancos dos jardins, dos que corriam azafamados para levar a bom termo os afazeres da vida!...

Quando o relógio ecoava as doze badaladas e o sol brilhava no horizonte, uma pequena embarcação se acercava da praia.

De súbito, um bando de gaivotas famintas e preguiçosas se apressavam a sobrevoar o espaço na busca de algo que pudessem mastigar... mas o trémulo barquinho não trazia peixes.

Como por encanto, conseguiu ancorar por entre uns minúsculos rochedos albergados pela costa.

E alguns jovens, rapazes e raparigas, desceram, de mochilas às costas e mais alguns pertences!

Depois de olhar tudo em redor, fixaram-se na torre e encaminharam-se para ela.

Estupefactos e ávidos de saber o que ali se iria passar, um bando multicolor de crianças e adultos, meio atontalhados, apressaram-se a segui-los.

Um senhor de barbas brancas e espessas estava pronto a abrir-lhes a porta do pequeno templo. E todos entraram!

Mas os curiosos… claro… sem saberem para quê!...

Depois dos devidos cumprimentos ao “Senhor da Casa”, calmamente, os jovens olharam tudo em redor!

Tiraram algumas fotos! Trocaram palavras e gestos! Escreveram algumas frases!

E saíram para lanchar sob a enorme tília que cobria de sombra grande parte do minúsculo espaço circundante.

O venerando ancião e vigilante da Igreja juntou-se-lhes, saboreando as iguarias daquele lanche convívio que lhe parecia muito especial.

Convidadas carinhosamente, algumas crianças também quiseram provar.

Refeitos os estômagos… era a hora de subir à torre e observar o panorama: mar, ondas mansas e encapeladas… praia, arribas, telhados, árvores, jardins, flores… estradas e veículos… crianças, jovens, adultos, velhinhos… gaivotas estonteantes e perdidas… pássaros cantantes saltitando pelos telhados, dispersos, aqui e além!...

E… era a hora de regressar ao pequeno barquinho!

Desciam, lentamente… agora… enquanto a torre batia as quatro badaladas depois do meio-dia!

Então, o Simão da Rita arriscou a fazer de maestro, e todos cantaram uma maravilhosa e improvisada canção!

Adeus, ó terra, telhados e praia de areia a brilhar…

Adeus igreja e torre vigilante, queremos cá voltar! 

Acontecimento marcante, já faz muitos anos, em Esmoriz, no dia 9 de junho de 2012!

Hermínia Nadais 

sábado, 17 de outubro de 2026

AS GAIVOTAS E O PAPEL DO REBUÇADO

 

Quando me vêm à memória acontecimentos passados… delicio-me com eles!

Parece que os estou a viver de novo!…

Por momentos estou a sentir-me naquela praia bela e distante!

O mar acaricia a areia enquanto o sol se vai preparando para, com seus esplendorosos raios, iluminar de novo a terra.

As gaivotas, nos seus bailados e gorjeios, brincam alegremente aproveitando ao máximo a brisa amena na doce luz do alvorecer de mais uma manhã na Praia Vasco da Gama.

De quando em vez, as mais espevitadas sobrevoam as pequenas ondulações, nadando, caminhando, bicando… enquanto uma encontra algo que a faz sair apressadamente da água. A felicidade dela é imensa… encontrou um papel de rebuçado, de cor vermelho vivo… que como é habitual entre as gaivotas, está a ser desejado por todas pelo que tem de ser afincadamente defendido.

A pobre gaivota dá bicadas e mais bicadas… mas não consegue desfazer o papel. Pousa-o na areia e volta a apanhá-lo por várias vezes, até que o deixa de vez.

As suas colegas… desejosas de conseguir aquela surpresa… correram a apanhar o papel!… Uma, ferozmente, fugiu com ele, apressada, defendendo-se das demais.

Entretanto… o papel partiu-se em dois.

A gaivota tentou largar uma das partes para pegar a outra, mas acabou por ter de ficar só com uma… que engoliu!… A outra metade também foi engolida, mas por outra gaivota!...

E… quem são as gaivotas?

Pela observação feita, são aves persistentes, autoconfiantes… compreensivas… mas que não desistem de nada com facilidade!

Será que somos distraídos na vida… ou também temos algo de gaivotas???

Oxalá... tenhamos… pois precisamos de muita resiliência para não esmorecer na difícil caminhada da vida!

Hermínia Nadais

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

AS BELEZAS DA RIA NA COSTA NOVA!

 

Para quem não conhece o local, é uma ria larga… muito larga!...

De dia… recheada de barquinhos a passear! Uns… calorosos como jardins primaveris; outros… com velas brancas a flutuar ao vento, quais brancas camélias a deslizar suavemente sobre as águas calmas!

Nalguns pontos mais profundos e entre as diversas povoações das suas maravilhosas margens, os barcos que transportam os passageiros correm velozmente… enquanto nos locais mais díspares e estratégicos outros se quedam, aqui e além, dando aos pescadores a possibilidade de poderem fazer chegar às peixarias o peixe fresquinho esperado com ansiedade.

Aquando das baixas marés, os homens e mulheres palmilham pacientemente a lama, curvados sobre si mesmos, na apanha dos vivaldes que as águas cuidam muito bem!

As gaivotas poisam nos cumes dos palheiros coloridos… uma graça ímpar num outro qualquer local!

As palmeiras, dispersas no imenso relvado, vão baloiçando, enquanto os corvos, pretinhos, rodopiam constantemente.

Os veículos circulam meigamente pela rua… ávidos de admirar a paisagem. Algumas casas de comércio têm as suas portas engalanadas, mas pouco movimento!

Entretanto… o sol esvai-se e a noite cai! E o panorama da ria muda de aspeto… transforma-se num imenso lago escuro ladeado de luzes brilhantes a infiltrarem-se na água com reflexos inigualáveis.

Que bela é a ria… neste local de sonho!

Quem nunca sorveu esta maravilha… que se apresse a extasiar-se com ela!

Hermínia Nadais 


quinta-feira, 15 de outubro de 2026

UM ENCANTO DE VIDA

 

Foi em tempos passados, quando a terra era docemente cultivada pelas mãos humanas, e os homens, muitas vezes chamados a trabalhar nela como assalariados, eram carinhosamente alimentados pelas ‘senhoras’ da casa!

O sol escaldante deixava cair os seus raios dourados sobre o corpo de bronze alquebrado sob o peso da enxada que removia lentamente a terra do carvalhal amortecido.

Era meio-dia! Ao longe, uma mocinha graciosa vinha deambulando pela estrada deixando que o vento ondulasse os seus belos e pretos cabelos lisos.

De olhos enxutos, mas com a água a escorrer por entre os pelos loiros das raras e esguias barbas, João sentou-se, calmamente, debaixo do salgueiro, junto ao penedo que ladeava a margem direita do rio.

Ao vê-lo, um sorriso delicioso encheu de brilho o olhar de Maria, enquanto, brandamente, poisava a pequena cesta e estendia sobre a densa folhagem seca um lindo pano de linho fino, bordado a preceito, debaixo da pequena panela da sopa que fumegava um cheiro tão saboroso que enchia de gozo as bocas mais insípidas e amargas.

Os momentos do almoço passaram, mudos e velozes! E, enquanto a jovem se apressava no regresso ao lar para continuar, junto da mãe, as cansativas lides caseiras, João, de olhos presos naquele mimoso esmero da Natureza, ia cavando e pensando se não seria esse formoso rebento a esposa amada que sonhava um dia encontrar… para lhe mimar a lenta e sequiosa agonia dos dias!...  

Se o chegou a ser… não sei! Mas… que todos tenham sido muito felizes nos segundos de todos os dias! 

       Hermínia Nadais         


quarta-feira, 14 de outubro de 2026

AS NUVENS… E O SOL NASCENTE!

 

Os gatos miaram por falta de comida que… durante a noite, os gatos vizinhos lhes vieram roubar!

Abri a porta… para os ir saciar!

Olhei ao redor e fiquei deslumbrada com a suave luz do sol nascente a surgir no alto da serra… voltada para uma enormidade de pequenas e lindíssimas nuvens que cobriam o maravilhoso e eloquente azul do céu!

Quedei-me um pouco perante a esplendorosa maravilha!

E…  o meu pobre coração disse-me que aquele sol é imagem refulgente do Senhor Deus a iluminar os homens e mulheres a que chamamos Humanidade, as pequenas e lindíssimas nuvens!

É assim que Deus nos vê! Lindíssimas nuvens, dos mais variados tamanhos, feitios, claridade ou escuridão!

Nós, olhamos as pessoas com os nossos estuprados olhos, e não conseguimos ver, um pouco que seja, da infinita grandeza que o Senhor nos concedeu e aos irmãos e irmãs com quem convivemos nos segundos dos dias.

Hoje, nos poucos momentos que gastei a ver o Sol a aparecer no Horizonte, na beleza absorvida, consegui interiorizar que a Humanidade é, na realidade, bela por demais,  e se assim for vista por nós, teremos muito mais amor, dedicação, paciência, fraternidade, e paz, no decorrer da lida!

Que assim seja, gente muito querida!

Hermínia Nadais 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

LINGUAGEM INCOMPREENSÍVEL!

 

Num dia ensolarado, deu-me vontade de sair e sentar, saboreando o sol e olhando o espaço, nos bancos do jardim! Mas… como as tarefas caseiras não mo permitiam, foquei nelas todo o meu empenho.

Ao iniciar a confeção do almoço escutei um enorme rebuliço, guinchos… e mais guinchos… mesmo à porta da cozinha.

Incomodada com a barulheira, vislumbrei os safados dos ladrões da comida dos dois gatos…  com que gastava sacos e sacos de comida.

Peguei na vassoura, e abri lenta e cautelosamente a porta para dar uma valente sova naquele gatedo todo… que fugiu, velozmente, correndo, cada qual para seu lado, deixando-me a olhar, desalmadamente, sem gestos nem palavras, todo aquele panorama!...

E vi que um se escondeu… ao lado da então ali existente chaminé, onde bati com toda a força!… E fugiram, ele e outros que também lá se esconderam, numa corrida desesperada… inundando o jardim com uma nuvem de gatos a correr… de cores diferentes... miando ferozmente com quanta voz lhes saía das gargantas.

Voltei ao meu trabalho… e pouco depois… voltei a ouvir guinchos diferentes e berros descabidos numa algazarra sem fim.

Abri a porta! Ao fundo das escadas aquela berraria toda, com gatos a arranharem-se uns aos outros, nos focinhos, com a maior aspereza que imaginar se possa.

Peguei de novo na vassoura… fiquei parada no cimo da escadaria… e atirei com ela sobre eles… que se dispersaram novamente numa louca correria.

Por que estariam eles com tanta raiva uns dos outros… nunca o irei saber!

Mas, afinal, não são só os homens e mulheres que são raivosos, pois os gatos… muito embora numa linguagem incompreensível, parecem-me muito piores do que os Humanos. 

E a estes… sem autoconhecimento, quem os poderá corrigir?!...

Valha-nos… quem nos possa valer!

Hermínia Nadais


DESEN

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

QUESTÕES… E INVESTIGAÇÕES!

 

Nós, seres humanos, ‘animais’ racionais, somos realmente muito importantes em relação aos restantes animaizinhos!

A racionalidade é uma conquista diária de cada homem e de cada mulher, que buscam, cada qual, nas mais variadas questões e investigações, os caminhos que levem à felicidade para que todos fomos criados, na certeza de que ninguém poderá ser feliz se não der felicidade às pessoas com quem convive!

Todas as pessoas são dotadas de inteligência, vontade, sensibilidade, razão… e têm capacidade de interiorização, de trabalho, de atenção, de meditação, de partilha, de compreensão!

Mas, cada pessoa é diferente da outra!... Cada qual é… como é… e é assim que deve partilhar o que tem de acordo com as suas aprendizagens e vivências, pois são elas que marcam o ritmo da caminhada e o local exato onde essa caminhada se encontra.

Para o crescimento ser constante como queremos, o dia de hoje tem de ser mais dignificante do que o de ontem, e o dia de amanhã, mais rico de boas atitudes do que o de hoje.

Não tenhamos ilusões! A vida é uma caminhada onde, aos poucos, nos vamos descobrindo a nós mesmos e a quanto nos rodeia, tarefa muitas vezes inglória e onde encontramos muitos imprevistos, mas é com eles, bem aproveitados, que aprendemos a melhor viver!

Força, gente querida! Não podemos esmorecer!

Hermínia Nadais


domingo, 13 de setembro de 2026

JULGAR… NÃO! CORRIGIR… SIM!...

 

Para continuarmos a pensar um pouquinho que seja na querida e verdadeira Paz, aquela que nasce, vive e revive no mais profundo do coração temos muito, muito que intuir, aprender, fazer!

Na caminhada da vida há momentos variadíssimos, altos, baixos, de animação e de desconforto, em que nos deparamos com os mais diversos acontecimentos! E muitas vezes, encontramos incompreensões, caras esquisitas, nãos, repulsas, não aceitação da nossa vontade, revolta, agitação, desentendimento e mesmo agressão, se mais não for, verbal!

Perante tudo isto, o que fazer??? Cada pessoa é como é… e como vai conseguindo alterar os seus comportamentos menos bons, mas ainda assim, frágil e insegura! Todos somos inseguros e frágeis! A nossa fortaleza e segurança, ou nos vem do Senhor, ou não existe!

Perante todas as situações com que nos enfrentemos, a primeira coisa a fazer é pensar nas nossas inúmeras fragilidades e aceitar com paciência! A pessoa, ou pessoas em causa, que nos provocam sofrimentos, podem ter consciência do que estão a fazer ou nem sequer terem ideia do mal que estão a provocar!

Nestas situações… a melhor forma de corrigir é manter a serenidade e calma, agir e falar com delicadeza… se possível, sem pressionar, dar a opinião pessoal mantendo-se presente, amorosa, compreensiva!

Quando falamos em correção pensamos logo nos conselhos a dar, mas, nestas confusões da caminhada da vida, o melhor conselho é o nosso bom exemplo!

Proceder deste modo, é não julgar, é corrigir!

Esta forma de ser e estar é o melhor que podemos fazer com os comportamentos de quem connosco se vai cruzando nos caminhos da vida e nos traz, e que nos traz Paz tranquila e verdadeira, profunda!

Ó gente querida! Quando se faz o que se sabe e pode… que poderemos fazer mais? Aprender! Continuar a aprender convictamente… tudo o que a vida nos for ensinando… não julgando, ajudando! Que assim seja!

Hermínia Nadais

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

QUERIDO SETEMBRO!

 

Há tempos, e tempos, que não se repetem, sucedem-se!

Sucedem-se, assim como se sucedem eventos mais ou menos importantes que se vão prolongando através dos anos!

Do dia 1 de setembro, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, até 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, Padroeiro da Ecologia, é a Celebração Anual a favor da Natureza e do Ambiente, em que nos é pedida Oração, e cuidado!

Fala-se muito na proteção do ambiente, fazem-se as mais variadas reciclagens para o proteger, mas, segundo me parece, estamos muito longe de conseguir ultrapassar dificuldades inadiáveis.

Recordo os tempos em que, quando os dias solares começavam a perder segundos, o calor ia-se esvaindo, e o querido setembro, em que se inicia o Outono, já era fresco e chuvoso.

Agora, o calor é tão forte que nem a chuva o apoquenta!

O Mundo, a Terra, é a nossa Casa Comum!

Que estaremos a fazer de bom para que o nosso Planeta, a nossa muito querida Terra, fique mais habitável???

A comprar carros… e mais carros! Aviões… e mais aviões?!

A Eletricidade, não estraga o ambiente e fica muito mais barata que a gasolina e o gasóleo… mas… quem tem dinheiro para comprar carros elétricos???

Sinceramente… não sei aonde iremos parar com tantos destes descalabros!...

Tenhamos muito cuidado com o que depender de nós! Façamos e promovamos as devidas reciclagens!

Tenho um contentor de lixo ao lado de minha casa! Não tenho vergonha de dizer que, muitas vezes, retiro dele material elétrico, roupas, plásticos, caixas de papel e os mais variados papéis, inúmeras garrafas de vidro!... Faz pouco tempo, colocaram lá uma caixa enorme de rolhas de cortiça… que ainda não pude entregar na Escola Secundária, que aceita todos os tipos de reciclagem para angariação de fundos para o que necessita.

Agora… pensem comigo! Se os contentores de reciclagem estivessem longe, até daria para compreender; mas… estão a cerca de 100 metros de distância... uma boa forma de realizar pequenas caminhadas que tão bem nos fazem!... Enfim!...

Não sei o que pensará quem me vir tirar tantas coisas do caixote do lixo… mas… ponho tudo no carro e transporto-o para os devidos contentores!

Se quiserem pensar mal de mim… não tenho nada com isso! Dá-me muito trabalho, claro que dá! Mas faço o que a minha consciência me sugere!

Evitemos gastos exagerados de água, de fazer fogueiras, de tudo quanto possa estragar o ar que respiramos! Façamos tudo o que pudermos para que os nossos descendentes tenham muita saúde e tempo de vida nesta Terra linda onde Deus nos colocou!

Hermínia Nadais

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

HOJE… SAÍ DE MIM!

 

Nestes meus… oitenta… ao recordar e comparar os tempos antigos com os modernos, sinto-me mesmo mal!...

Não dá para eu perceber este meu estado de espírito, mas talvez… por o meu comportamento atual ser totalmente o contrário do que eu via, no antigamente!

No meu tempo de criança e adolescente, quase não havia livros! Grande parte das pessoas adultas eram iletradas, não sabiam ler nem escrever!

Viviam como sabiam e aproveitavam bem o tempo no trabalho campesino! Mas, com a malta mais jovem, como pensavam que sabiam tudo, não lhes davam qualquer importância!

O que dissessem, estava dito! A forma como cozinhassem, vestissem, falassem, decidissem na resolução de qualquer problema, era irrevogável! Não davam voz aos mais jovens que, para eles, eram sempre garotinhos e garotinhas… a quem tinham de ensinar… a vida inteira!

Que a vida está sempre a ensinar, é uma realidade! Mas… com a rádio, televisão, internet, telefones, desenvolvimento tecnológico, estudos longos e variadíssimos, bem vistas as coisas, a malta mais jovem, com muito mais possibilidades de aprender do que nós tivemos, sabe muito mais que nós, mais idosos!

Não quer dizer que as pessoas com mais idade não tenham conhecimentos! Têm muitos conhecimentos! Temos muitos conhecimentos, mas a aprendizagem surge-nos, sempre, das mais diversas e incríveis formas, podem crer!

Eu nunca imaginei aprender tanto com meus filhos e netos, com quem partilho quereres e saberes!

Eles aprendem comigo… e eu aprendo com eles!

As nossas casas são autênticas escolas de vida! Os nossos trabalhos e encontros são as salas de aula onde aprendemos uns com os outros, damos e aceitamos sugestões e opiniões!

E sabem?  Nesta forma de ser e viver… todos se sentem úteis… queridos… importantes…  sabichões!...

A alegria e bem-estar extasia a alma e dá força ao coração, às mãos, aos pés… a tudo o necessário para ser e crescer!

É algo de extraordinário! Se ainda não experimentastes, tentai experimentar e vereis a razão desta partilha!

Hermínia Nadais

terça-feira, 1 de setembro de 2026

DESENVOLVIMENTO HUMANO! (2)

 

Uma criança nascida numa família normal, com independência económica e habitacional, se não for bem cuidada, pode desmoronar-se por completo!

O passar necessidade… pode estragar muito o processo educativo! Mas… o ter tudo em abundância, sem sombra de dúvidas, estraga muito mais!

Conheci uma família com algumas posses… e um dos seus membros meteu na cabeça que os seus descendentes não iam precisar de trabalhar! E por mais que os restantes familiares tentassem tirar-lhe aquela ideia, não houve quem o conseguisse!

As crianças cresceram com tudo quanto queriam: comida a abarrotar, roupas… brinquedos… tudo quanto queriam ou lhe parecia quererem era logo comprado!

A conclusão foi péssima. Gorduras exageradas que acompanharam as pessoas até à idade madura e as estão a matar aos pouquinhos, com peso exagerado que lhes causa inúmeras dores, principalmente nas costas e pernas! E… no restante nível comportamental, tudo o que veem, compram ou ficam tristes por não poderem comprar.

Isto… não é vida que se possa aguentar!

Que a criança tenha o necessário, sim! Mas, supérfluo, não!

‘É de pequenino que se torce o pepino!’

Tem de haver muito cuidado com a educação!

Hermínia Nadais


domingo, 30 de agosto de 2026

DESENVOLVIMENTO HUMANO! (1)

 


Acerca do comportamento mais superficial, o desenvolvimento dos órgãos de comunicação social e consequente informação de massas, confronta-nos com as mais díspares situações que nos levam a pensar mais seriamente no desenvolvimento humano.

É muito comum aparecerem-nos crianças adotadas que se identificam por demais com os pais adotivos. Nas semelhanças entre gerações, muitas vezes, os traços fisiológicos são-nos mais despercebidos do que as atitudes comportamentais, e o psiquismo de base nem sempre é visível pela sociedade que nos envolve.

Um outro pormenor no caso de adoção é que os pais adotivos têm preferência por crianças quanto mais jovens melhor. Há mesmo os que tomam conta delas logo após o nascimento. E é aqui que se pode ver melhor que o ser humano tem qualidades inatas e adquiridas. Qualidades inatas são os traços fisiológicos, tipo de sangue, doenças transmissíveis; a parte psicológica e comportamental, que também tem tendência a ser inata, tem de ser muito bem trabalhada logo a partir do nascimento.

Conheço jovens maravilhosos e maravilhosas que, em crianças, eram… mesmo… terríveis, e com o esmerado cuidado e atenção dos progenitores e familiares conseguiram mudar os seus comportamentos e tornarem-se muito boas pessoas!

Crescer… tem de ser parte integrante de qualquer vida, mas o crescimento, sem ser repressivo, tem de ser muito bem acompanhado!

Não podemos fazer das pessoas o que queremos, mas temos de as ajudar a encontrarem-se a si mesmas, a autodescobrirem-se, a encontrarem o que mais lhes convém na caminhada da vida, para o seu desenvolvimento integral, espiritual e humano!

Na época atual, de internet, telefones, Facebook com inúmeras distrações apetitosas, não é fácil! Exige um esforço muito aturado dos pais, restantes familiares, professores, catequistas… de toda a comunidade!

É difícil, exigente, mas, possível!

Força, gente linda!

Hermínia Nadais

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

LOUCURAS… DE VIDA!

 

Há muitas coisas que temos de aprender! E para as aprender temos de as vivenciar, ou seja, de aprender, vivendo!

Sempre gostei de participar em celebrações festivas com tudo quanto encerram: orações, cânticos, musicalidade, tudo quanto nos encanta os olhos, enche os ouvidos e penetra no mais profundo dos corações! E, pensava que era uma forma de agradar ao Senhor, de Lhe fazer a vontade!

Hoje, não posso, de forma alguma, pensar assim! O que as mais díspares vivencias me ensinaram dizem-me que tudo isso é muito bonito e agradável, mas o Senhor não precisa de nada disso. Nós, sim, precisamos de todas essas formas de ser e estar para nos mantermos conectados com o Senhor e uns com os outros.

Qualquer celebração cristã é um encontro da pessoa consigo mesma e com o Senhor em união com todos os irmãos presentes… e muitos ausentes, que são apresentados, levados ao altar pelos pensamentos e palavras inaudíveis de toda a assembleia.

O Senhor quer, sim, a simplicidade, a ternura, o abandono, a entrega dos corações que, quando se Lhe entregam, Ele os transforma como bem entende para o bem próprio e comunitário.

Não sou eu que falo ou escrevo, são os meus oitenta anos que, mais do que nunca, sem que eu saia de casa, me levam a toda a Igreja, a toda a Humanidade, a preocupar-me com tudo e com todos, a pedir o mais que posso pelo bem-estar geral das populações, a santidade e realização integral de toda e qualquer criatura.

Pode parecer incómodo, mas, esta, é a minha constante loucura de vida!

Hermínia Nadais

sábado, 22 de agosto de 2026

APROVEITEMOS… O TEMPO!

 


O nosso tempo, neste mundo lindo onde fomos colocados, é sempre curto, tenha a vida a extensão que tiver! É esta realidade que nos leva a pensar na eternidade para que fomos criados!

Quando falamos de morte, na maior parte das vezes não pensamos que a “morte” não existe! A morte do nosso corpo é uma passagem para a outra vida, a eternidade! Vida sem corpo físico, claro, pois esse, fica mesmo por aqui.

Somos dois em um: corpo físico que guarda em si o mais importante de nós, o espirito, invisível aos olhos, mas bem sensível ao coração. Coração de onde nascem, crescem, aparecem, dores, amarguras, torturas, mas também sorrisos inebriantes e alegrias contagiantes! E tudo isto se vai revelando através do que o nosso corpo vai fazendo no decorrer dos dias.

Sem o corpo… como poderíamos cuidar do espírito? Nesta terra linda onde fomos colocados, era, de todo, impossível.

Então, cuidemos do nosso corpo e espírito, o melhor que podermos e soubermos, e que o aprender a ser e a crescer seja uma constante em toda a nossa vida!

Com o rodar do tempo, os anos vão-nos retirando de certos trabalhos e canseiras, mas a mente, se bem cuidada, vive e sente o que nunca, antes, sentiu ou imaginou sentir.

A alegria de viver traz-nos o sorriso ao rosto e faz o coração vibrar de contentamento, os olhos maravilham-nos com as belezas do universo.

Força, gente linda! A velhice não existe, não somos trapos, somos pessoas humanas ávidas de existir!

Então… aproveitemos muito bem o tempo eu nos for dado! Que assim seja!

Hermínia Nadais

SIMPLESMENTE… EU!

  Quando o tempo se esvai e o espaço me arrasa os sentidos desmesurados da vida deturpada de misérias e desalinhos, sinto-me, simplesmente, ...