Na minha
cabeça havia os bons e os maus!… E tudo o que a Igreja fizesse para derrotar os
maus… para mim… estava certo.
Esta era
a mentalidade da época em que nasci e no meio ambiente em que fui criada… sem
rádios… sem televisões… com pouco acesso aos escassos jornais e com grande
número de pessoas analfabetas ou quase. Vivia a tentar cumprir tudo quanto a
Igreja mandava com um medo horrível dos castigos de Deus.
Quando
comecei a estudar, aos vinte e quatro anos, e o Fonseca me disse que Jesus não
tinha nascido no dia de Natal… fiquei arrasada; falaram-me também nas riquezas
do Vaticano… e eu questionava-me sobre essas e outras riquezas, sobre
arrogâncias, orgulhos, maus exemplos… depois admirava-me como havia pessoas que
comungavam em todas as Eucaristias o que eu achava que não estava certo pela
falta de dignidade… e por aí além.
Destas e
doutras questões… por todas as formas, procurei saber as razões.
Eu vivia
angustiada. O Ser Humano é, naturalmente, religioso! E eu sempre fui muito
humana, mas não me sentia bem dentro da religião professada nem queria procurar
outra. Uma enorme confusão!
Como
professora do Primeiro Ciclo, frequentava todas as ações de formação de Moral e
Religião católica e de vez em quando procurava uma Ação de Formação Bíblica,
mas nada disto respondia às minhas questões!…
Fazia-me
pensar por demais e aumentava-me as confusões!…
Confusões…
só… até… um dia!...
Hermínia
Nadais