quinta-feira, 20 de março de 2008

MÁSCARA


No silêncio
da solidão
despi
a minha máscara.

Encontrei-me.

Resta-me
a Esperança
de aprender
a viver
comigo.

Hermínia Nadais

quarta-feira, 19 de março de 2008

Às vezes... ou sempre...


Há quem diga que nem sempre... nem nunca! Cá para mim eu acho que deverá ser sempre. Já que no mundo se fala tanto em ódio... porque não aproveitar bem a dica?
Poderá haver quem não entenda a minha maneira de ver. A princípio eu também não compreendia muito bem! Mas com o treino... acabei por concluir que a cultura do ódio, posta a render de determinada maneira... pode produzir muito bons efeitos.
O ódio e o amor caminham lado a lado, e dentro de cada homem travam uma luta constante. Ao sentir essa verdade, podemos decidir optar pela inacreditável e inaceitável cultura do ódio.
Não é muito fácil, mas talvez se torne... quem sabe... até um pouco divertido. Basta começarmos por tentar incarnar em nós, antes de mais e acima de tudo, o pavor e ódio ao próprio ódio. De seguida, dignar-nos-emos cultivar o ódio à injustiça, à maldade, à preguiça, à ignorância, ao mal-dizer, à calúnia, à insensatez, à indignidade, à indiferença... a tudo quanto for pobreza espiritual, material e humana. Tanto ódio!... Tanto!... Um comboio enorme... a transbordar de ódio... mas daquele ódio que muito fatalmente nos levará à prática do verdadeiro amor!
Será que há quem arrisque a começar com a aventura?!... Para quando?!...

Hermínia Nadais

terça-feira, 18 de março de 2008

Encontros

A existência de Deus na vida de um ser é a única força que o consegue desviar dos seus maus encontros com os outros seres.

Hermínia Nadais

segunda-feira, 17 de março de 2008

O QUE É A VIDA?

A vida é um sopro,
um mimo,
um carinho,
uma flor bela e colorida,
uma estrada
por onde vou andando
descuidada ou assumida,
uma folha
que o vento faz correr,
uma centelha de lume
que faz o amor crescer
numa fogueira
que arde sem se ver,
o Sol a brilhar,
a Primavera
a desabrochar,
um mar
de águas calmas
e praias ensolaradas,
um vento impetuoso
nas ondas encapeladas,
um deserto
de areias movediças
que as frequentes tempestades
ameaçam revirar,
uma cotovia
que canta sem parar,
uma brisa leve e doce
da manhã
que nos acaricia o rosto
com amor
desde o romper da aurora
até o sol se pôr.

Hermínia Nadais

Do Livro “Espaços... dos meus dias”, Colecção “Ao pé da Terra”
Editado pela Editorial 100

terça-feira, 11 de março de 2008

AMIGO!!!...


Amigo!
Hoje estou muito mais feliz!
Finalmente
“no melhor do (meu) mundo”
encontrei-te no perfume das letras
e sorvi todo o assombro discreto
das tuas palavras.
Na vibração
dos raios incandescentes
furtados à luz
do calor
paz e serenidade
vulcânica
da missão por ti escolhida
encontrei a ternura
dos afectos
e a ventura
da liberdade
saída da força calejada das mãos
pelos dedos (in)quietos
e (in)seguros
marejados dos anseios
desmedidos e palpitantes
do coração
que se vai esgotando
na permanente busca de “SER”.
Sinto reactivada
a minha ténue luz
sangrando
amor.
Enxergo melhor
o valor teimoso
da escuridão
descarada
que tenta a toda a prova
estragar
a claridade solarenga
dos meus dias.
Obrigada!

Hermínia Nadais

segunda-feira, 10 de março de 2008

Escravidão

É muito difícil viver como escravo, mas, a maior escravidão de um ser humano, não é fruto da sua convivência social... provém do peso das suas más tendências naturais e da falta de fortaleza para vencer.

Hermínia Nadais

domingo, 9 de março de 2008

Recordação!



Acordei!
Estavas a meu lado, sorrindo!
Levantamo-nos... abrimos os cortinados... olhamos o horizonte... mergulhamos na frescura colorida do jardim!...
O sol radioso... afastou-se rapidamente das nuvens e veio acariciar-nos o rosto e adoçar-nos os beijos... enquanto um bando de mansas pombas ia sobrevoando o espaço.
As flores brilhavam por entre a relva... ciosas de um elogio carinhoso.
Duas borboletas vieram saudar-nos e foram sorver o perfume das buganvílias cor-de-rosa...
A encher-nos de maior gozo... um ligeiro ruído proveio do arrasto das três mochilas azulinhas... enquanto as vozes meigas e suaves dos nossos netinhos nos segredavam com ternura:
- Bom-dia!... Até logo!...


Hermínia Nadais

Não às mágoas

Para não ficar triste, magoada e ofendida, que dos meus familiares e amigos eu nunca espere as palavras que quero ouvir nem os carinhos que necessito ter, mas que procure avidamente as palavras que devo dizer e os carinhos que devo dar.

Hermínia Nadais

POETA

Poeta
tem olhos de água
para sentir e ver
em seu redor
tudo quanto
estiver a acontecer...
Contudo
não é fácil escrever
quando algo ao poeta
é sugerido
porque pode
por ele
não ser sentido....

A poesia
é magia
que sai bem de dentro
de cada ser
onde ela mora
pelo tempo fora
bem guardada
e protegida...
até que por algo
ela se parta
e se reparta
por todos os mais...
bem repartida!...

Hermínia Nadais

Vida... de MULHER!



Vida... de Mulher...
Mulher... da vida!
Tu que existe
Para te dar
E consumir
Num amor total
Desejado
E persistente...
Nunca poderás deixar
Que por alguém
Sejas ultrajada
E desejada
Para com isso sofreres
Estupidamente...
Sendo vista
E julgada
Como a mulher verme
Infeliz
Despudorada
Que ganha a vida
Na berma da estrada...
Pois também ela tem coração...
Ela ama e sente...
E tal como acontece
A toda a gente
É torturada
Pela amargura
E pela dor
Da falta de amor
Do depravado homem
Que a procura
Indiferente
A tudo quanto
Para ela é deprimente!

Não podes permitir
Que tal façanha
Te aconteça... mulher...
Tão frequentemente!...

Hermínia Nadais