sábado, 10 de agosto de 2013

DESOLAÇÃO




Nunca pensei encontrar
este panorama triste
que pensei estar enterrado
e afinal ainda existe!

Trânsito amalgamado
numa planície sem fim
com tudo desmantelado
bonito mas muito rim!

Algo perdido no tempo
num espaço encantador
que o homem tem tornado
espetáculo aterrador!

Português fala em pobreza
e está de barriga cheia
precisa ir mundo além
para ver a miséria alheia!

Tudo escuro como breu
casas favelas e montes
nuvens escuras no céu
e mágoas amargas nas frontes!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Ave... sem ninho!...


Como ave sem ninho num mundo sem jeito
metida em redoma e sem respirar
é este o sentir que me aperta o peito
e faz a cabeça andar a girar!

Nada tenho em mim que me dê amparo
morreu a esperança na confiança extorquida
pelos sonhos desfeitos que acenderam luta
inglória passada nesta dura vida
e me deixou sem jeito ao acaso perdida!

Não me encontro em nada
nem em nenhum lugar
nem tenho coragem para mais lutar
não me compreendo na minha aflição
sinto-me perdida sem consolação!

E nesta tropelia sem nada p´ra crer
passo cada dia sem nada entender
buscando encontrar palavras de alento
sem saber quando acabará o tormento!

Numa busca constante 
por maior firmeza
talvez o tormento 
nunca acabe... 
com certeza!

Hermínia Nadais

domingo, 16 de junho de 2013

Rios de felicidade





Passeavam pelo espaço, embrenhados nos encantos da vida e perdidos na floresta do tempo! Pararam, junto à árvore gigante que sempre os protegia!

Era um final de tarde! Não se via alma viva, e também não havia tempo de procurar estrada ou caminho que os conduzisse a melhor porto.

Então, mergulhados na escuridão da noite privada de luar mas marejada de estrelas sorridentes, cintilantes e belas... montaram a tenda!

Sofregamente, tragaram a dura e amassada sanduíche à mistura com alguns goles de água corrente!

E, abandonados na ternura aconchegante da mãe natureza, repousaram com tranquilidade e em paz... até que o alegre chilrear dos passaritos lhes anunciou um novo amanhecer… no alvorecer de mais um dia onde lhes iriam sorrir, de novo, outros rios de felicidade!...

Hermínia Nadais

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Junto à ria




Na alta e escura noite, junto à ria,
Numa avenida muito bem iluminada,
Sobre erva seca, e em cadeirita sentada,
Ouvindo os carros correndo pela via...

...Vejo com espanto e alguma arrelia
Que a malta passa, acesa, embasbacada...
Por me ver ali tão só e abandonada
E em posição de total melancolia...

Braços acenam... mas finjo não ver,
Bem entretida a olhar para o papel,
E nele escrevendo... à luz doce da rua!

Do lado oposto, a água ia a correr!....
E nuns brilhantes círculos, e em anel
Ressaltava aos olhos a imagem da Lua.

 Hermínia Nadais

domingo, 5 de maio de 2013

MÃE É VIDA




Óh! Mãe!.. Tu que és vida e deste vida,
Tu que amparas, proteges e vigias,
Óh! Tu que passas muitas tropelias
Para tirares os teus filhos da má lida...

No teu regaço todos têm guarida
Nos mais alegres ou mais tristes dias,
Quando no meio de ímpares arrelias
Te sentimos mais de perto... Óh! Mãe querida!

No teu dia te vimos saudar,
Agradecer o quanto nos tens dado
Com mui carinho e dedicação.

Teu doce nome vamos proclamar,
Mãe, és eterna, sempre ao nosso lado,
Temos por ti a maior gratidão!...

Hermínia Nadais