segunda-feira, 5 de julho de 2010

Cruzar dois mundos


Cruzar dois mundos
é viver na cruz.
Casar dois mundos
é viver na dor.
Descobrir de dois mundos
o que em cada mundo
pode ser cruzado
é o trabalho mais difícil
que alguma vez
pode ser efectuado.
E quando num dos mundos
não há sinceridade
o outro mundo
esbarra na maldade
arrasante da ilusão
que faz em cada dia
partir em pedaços
a alma e o coração.

domingo, 4 de julho de 2010

ESTRANHA SENSAÇÃO


É mais uma tarde de sábado...
na Torreira junto à ria...
ninguém à espera
nenhum sítio aonde ir
nenhuma meta aonde chegar
nada a que me possa segurar
para me fazer sentir alguém
chorar cantar escutar
falar sorrir…

Resta-me
encher o olhar no horizonte
sentir o perfume da ria em minha fronte
ouvir o bramir das mágoas no canto da Natureza
a exalar formosura e beleza
nas gaivotas planando sobre as águas
no vento aflito que solta suas mágoas
nos calmos peixes vagueando em cardumes
colhendo amor vendendo azedumes
enquanto as traineiras pachorrentas
se acostam lá no cais
descansando das tormentas.

E lá na alta torre aonde o sino mora
alguém o faz chamar quem Deus adora.

E, quebrada a indolência e a preguiça
há que fazer-se à estrada
e ir à Missa!...

sábado, 3 de julho de 2010

Humanizemo-nos!


Humanizemo-nos!
Nascemos para o amor!
Seja qual for o credo que professemos ou mesmo não professando credo algum, se formos verdadeiramente Homens/Mulheres, seres humanos completos, viveremos no amor de Deus, com Deus e para Deus.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Esta noite


Esta noite foi muito especial.
Reuniram-se inúmeros amigos
à volta de um mesmo amigo
que nos une a todos
de uma forma especial e misteriosa.

Foi tão lindo,
tão profundo e tão bom,
que encheu o peito,
a alma e o coração!

Ouvi a voz dos anjos ao meu lado
e entoamos assombrosas melodias,
entre meigos sorrisos e doces alegrias.

No pequeno templo…
da magnitude da beleza requintada
desprendi os meus olhares
da esbelta talha dourada
para me prender nos encantos
das imagens exibidas, daqueles santos
que tal como eu, em tempos idos,
galgaram montes, estradas e caminhos
para das rosas retirar duros espinhos
e fazer do mundo um jardim belo e florido
onde o amor e o perdão tenham sentido.

E lá… numa minúscula casinha
escondido
deixamos o amiguinho
muito querido…
amiguinho que ali ficou e saiu com todos nós
pedindo-nos as mãos, os pés, o corpo, a voz
e ofertando a cada um harmonia e paz
companhia, misericórdia, redenção,
a felicidade do amor e do perdão.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O que é a bola???!!!...


Sou bola quase redonda,
Mas não sirvo p'ra jogar,
Vivo debaixo dos pés,
A minha vida é rodar!

Como bola... não me vês!...
Nem sentes que estou rolando!
Tua vida vais passando,
Acredita, podes crer!...
A correr ou a saltar
Pulando em mim, sem parar,
Sempre... Sempre... até morrer!

E nesse ponto final,
Pouco mais podem fazer,
Do que esburacar a bola
Para nela te esconder.

E se puseres a cabecinha
A bem pensar…
O quem eu sou
Será bem fácil decifrar...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Persistência!


Ora sem cessar!
Deus sabe muito bem tudo quanto necessitas… mas quando lho pedes reconhecendo a tua pequenez e considerando a Sua Grandeza, Ele não resistirá a dar-te o que precisas.

terça-feira, 29 de junho de 2010

VIVER!



Viver é ser livre
olhar o mundo
com alegria e amor
descobrir
a beleza da erva rasteira
ou da flor
da nuvem que flutua no espaço
ou da água fresca
que consola a terra...
É olhar o infinito
e buscar no silêncio
momentos de paz...
É correr constantemente
pelo espaço do ser
na quietude harmoniosa
do tempo
e crescer
sem peso nem medida
nas alegrias ou tristezas
alternadas
no decorrer da lida.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Cartaz… não!...


Costumamos dizer que quem gosta de cartaz vai trabalhar para o circo… mas bem vistas as coisas, há inúmeras maneiras de fazer cartaz, bem fora do circo, resta, sim, valorizar ou não esses cartazes que vão aparecendo feitos.
Vivemos num país de índole cristã, podemos mesmo dizer que de índole católica, ou seja, universal, resta-nos ver o porquê e o como.
O porquê é fácil. Quando nascemos arranjaram-nos uns padrinhos, levaram-nos a uma igreja qualquer e pediram a um padre nos baptizasse… e ficamos católicos, pronto!...
O como é bem mais complicado. Passados meia dúzia de anos, acompanharam-nos à catequese e até tiveram o cuidado de nos incentivarem a receber o Crisma… e foi mais uma etapa do nosso cristianismo católico. No nosso tempo ainda era muito feio não casar pela igreja… e nós casamos na igreja.
Agora… vamos à missa quando nos apetece; quando morre algum familiar ou amigo vamos ao funeral; além dos referentes aos nossos familiares, claro, vamos também aos baptizados, casamentos, comunhões e crismas de outros amigos. E somos cristãos católicos… assim… desta maneira… com que até nos podemos mostrar como pessoas boas e capazes… mas de católicos, muito sinceramente, pouco mais temos que o nome.
Haja coerência! Cartaz… definitivamente, não!

domingo, 27 de junho de 2010

Irremediavelmente



Todos os homens têm de trilhar um caminho. Se não tiverem a fortaleza, a coragem, o dom da sabedoria para seguir o caminho do bem, seguirão pelo caminho do mal, irremediavelmente.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Cruz


Eu não sei o que é a Cruz!
Que existe cruz, eu sei,
se de pau ou ferro
bronze ouro ou prata
não interessa
porque essa cruz
não mata não dá vida nem inquieta.

A Cruz…
Eu não sei o que é a Cruz!
Sei que foi em dois madeiros
o horizontal
oposto ao vertical
bem apegados
que há dois mil anos
as mãos e pés de um jovem
por mim
foram pregados…
mas mesmo assim
não se fez luz
e eu continuo sem saber o que é a cruz.

A Cruz…
a verdadeira Cruz
da humanidade
não tem hastes
nem paus
nem pregos
não tem nada
onde se veja
que é na Cruz que ela vive e está pregada.

A Cruz…
Eu não sei o que é a cruz!...

É, talvez…
um caminho a percorrer
que nunca se saberá ao certo
aonde ele irá ter;
o aceitar o irmão
quando os seus gostos
nos contrariam de todo
o coração;
o discernir
o certo do errado
e, mesmo a sofrer
aceitar do melhor grado
o que é melhor fazer;
o sorrir à vida
quando para os nossos olhos
não tem beco p’ra saída;
é o olhar
serenamente o mundo
para o abraçar
com o coração
ardendo de amor profundo
e a sofrer…
porque além do muito amar
pouco ou nada mais
se poderá fazer;
é o deixar-se conduzir
sem saber por onde
nem porquê
à mercê
do amor
que bem se sente
mas na prática
realmente
não se vê;
é o amargurar-se
com a dor do irmão
e o alegrar-se
quando tiver satisfação;
é, o querer,
o saber
e o não poder fazer;
é, o doar-se
sem reserva
ou restrições
e dessa dádiva
apenas receber
desilusões;
é…
Não sei que mais
será a Cruz…
mas, com rigor,
será sempre
amor e luz
trevas e dor
que no rodar da lida que existir
a vida à VIDA
para sempre irá reconduzir.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

DEAMBULANDO!


Perdida no dia do tempo
vagueia pela noite da vida
algures
deambulante
sem lamento
por um espaço incerto e desconhecido
onde a surpresa acorda
para novas realidades
que se sobrepõem às histórias
fraquezas
saudades
memórias
nobrezas
incertezas
vivências inesquecíveis
perturbações da infância
luzes da adolescência
convite à prudência
da idade da razão
que desperta
quando o ser na lida
cresce e agarra a vida
com toda a força de que é capaz
crescendo sem parar
e sem nunca recuar
buscando a paz
que apenas consegue
na ventura
de se lançar sem reservas
na aventura
de viver a vida crescendo
a cada hora
com tudo quanto acontecer
no aqui e agora
despertando para a nua realidade
a que chama com verdade
e sem demora
um navegar na utópica
“LIBERDADE”!

domingo, 9 de maio de 2010

Amar!


Quanto mais aprofundo a amor
que sinto na alma
menos compreendo o que é o amor.
Eu não sei o que é amar!
É… talvez… beijar
o espinho de uma rosa,
o cravo de uma cruz,
sorver o vento tempestuoso
de uma manhã de nevoeiro,
perder o calor suave
de um dia de soalheiro,
perder
na inquietude dos outros
a satisfação pessoal
e deixar-se matar
quando afinal
na vida
tudo é razão,
mas nada do que se faz,
é visto de bom grado
pelo irmão.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A ÁGUA DO RIO



Uma nascente
brota da terra,
algures,
no cume dum monte.

Desce lentamente
ao longo do vale
e recebe em si
a água que fluí
noutra nascente.

Fica contente!

E corre cada vez mais veloz
na força
que lhe advém
do encontro
que provém
da água de mais
outra
e outra
e outra…
e mais outra nascente…
que a ela
se juntam
deslizando
saltitando
e
cantando alegremente.

É sem querer!
Acontece!

Pois nada
as manda escolher
este caminho…
é o caminho
que lhes aparece
e que todas aproveitam
para percorrer
numa irresistível
união
de forças e acção
para ir ao encontro
de algo
que as encha
de maior satisfação.
Seguras de si
estas nascentes
alargam sua estrada
e perplexas
emergem na paisagem
fazendo a distinção
de cada margem.

Na via aberta
por elas percorrida
os homens fazem estrada
que facilita a vida.

E a água do rio,
lentamente,
a sussurrar,
encontra, finalmente,
o grande mar.

E fica aflita
pois não tem por onde fugir
e nada mais pode fazer
do que entrar
e desaparecer
ao se integrar
na imensidão profunda
desse mar.

E num doce aceitar
desta morte permanente
infiltra-se no mar,
suavemente!

E agora mar…
enamorada da areia
faz baixa… ou praia mar
conforme a maré está
vazia ou cheia.

E é neste marulhar…
sem ansiedade…
que a água do rio
vive em pleno…
a “LIBERDADE!”

segunda-feira, 29 de março de 2010

MINHA PÁTRIA, MEU PAÍS!


Ciosa de quanto vale
O viver neste cantinho
Resolvi correr o mundo
E voltar para o meu ninho…
Sonhando que ia encontrar
Minha Pátria, meu País,
Livre de toda a maldade
E imensamente feliz!

Senti saudades sem fim
Desta Pátria, minha amada,
Luz esplendorosa da Europa
Pelo Atlântico bafejada,
Que há um século se encontra
Pela República governada!

Voltei!
Seus campos e montes
Floridos a flamejar
Clamavam bem alto às fontes
Que os fossem refrescar!...

Os animais doloridos
Gementes de dor e medo
Saltitavam pelos prados
Como a sair de um degredo!...

Os homens e as mulheres,
Sem saber como viver
Em surdina, num lamento
Solicitavam ao vento
Que os viesse socorrer!...

Meio tonta e baralhada
Sofrida e com ansiedade
Murmurei-lhe com carinho
E muita serenidade:
“Minha Pátria, meu País!
Ó terra que tanto amo
Ó terra que tanto amei
Encanto da natureza…
Levanta do mar as velas!
Lança ao ar teus aviões!
Realça a tua grandeza
O ardor da tua gente
E tenta encontrar teu rumo…
Responde ao querer do teu povo…
Levanta os olhos ao céu
Coloca o joelho em terra
E serás grande… de novo!”

Poema exclusivamente escrito e enviado ao concurso de poesia da Biblioteca Municipal de Vale de Cambra para o Dia da Poesia 2010

sábado, 6 de março de 2010

O Homem


O que cada homem é transcende o seu próprio conhecimento, e todo o homem que julga conhecer-se em toda a sua plenitude já perdeu toda a razão do Ser Humano, pois limitou-se apenas à sua humanidade e racionalidade.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Dura vida




Na claridade amena do sol
realça a escuridão da vida.

O coração bate apressado
ou quase deixa de bater.

A cabeça dói.

O pensamento não pára
no verdadeiro amor
por causa de um amor
que nunca foi verdadeiro…

Ou talvez… alguma vez…
tenha sido.
Quem sabe… ao certo… o que vai
no coração humano!

Às vezes,
nem sequer sabemos
a razão porque sentimos
a imensa dor que sofremos.
E quer queiramos,
quer não,
é nesta dura vida que vivemos.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Será que isto é Natal?


SERÁ QUE ISTO É NATAL?


Uma forte onda de frio vai cobrindo este recanto da Terra.
As nuvens cinzentas escondem dos olhos o sorriso do Sol deixando-nos nostálgicos os sorrisos.
Atrofiados pela extensão das noites os dias aquietam a vida.
Por mais que as lanternas queiram substituir a luz do Luar e o brilho das Estrelas, andamos envoltos nas trevas.
Entoam-se cânticos evocando a “Luz de Belém”! Entretanto o “Deus Menino” foge ao ruído ensurdecedor, deixa pelo espaço desejos de encontro e refugia-se bem no fundo de todos os corações desencontrados que buscam desalmadamente a paz por que tanto anseiam.
Será que isto é Natal?

2009/12/27 – 17.00h

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

NATAL



Tempo de Amor,
Tempo de Esperança,
Tempo de Solidariedade,
Tempo de Confiança,
De Luz e de Verdade!

É a festa do aniversário
Do “Maior Amigo”
Que todo o Homem tem;
O Filho de Deus,
Que quis ter uma “Mãe”
E um "pai", como qualquer de nós,
Para nos mostrar,
Como todo o Homem
Deve saber viver
Deve saber Amar,
Um Amor
Cheio de Luz,
Como Esse Menino,
O Menino Jesus
Que quando crescido
Por nós foi condenado,
Estendido e pregado,
Nos braços de uma cruz...
E na haste maior, a principal,
Ele ligou a terra ao Céu!
E na mais pequena,
Que é horizontal,
De braços abertos
Chamou cada qual,
Ao Amor com qualquer outro
Que em Deus é irmão...

E se no Mundo
Cada um tivesse Amor profundo
Semelhante a Este Amor que é sem igual...
Estaríamos, eternamente,
Celebrando a Festa de Natal!
Pois o Natal em cada vida, em cada crente,
É nascer para "O Amor" constantemente!

sábado, 5 de dezembro de 2009

SER HOMEM


Podemos encontrar procedimentos muito humanos (cristãos) em todos os homens, mas nunca poderemos encontrar verdadeiros cristãos nos seres humanos não humanizados.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

PRECISO!



Preciso sonhar
que a fantasia do sonho
se tornará realidade.

Preciso vendar
de meus olhos a verdade
e ver a vida cor-de-rosa.

Preciso sobreviver
à inquietação
sorrindo na branda
doçura da ilusão.

Preciso agarrar
a realidade
com prazer e alegria
para encontrar
na adversidade
a felicidade, paz e harmonia.

Preciso interiorizar
que nas profundezas
do meu nada mais agudo
encontrarei a força capaz
p´ra vencer tudo.

TU!