sábado, 2 de junho de 2012

O POEMA DA VIDA!


Um certo dia
atenta ao vento como eterna sonhadora…
vi a vida no tempo
em poesia muito bela e encantadora!
E deslumbrada, assim, como criança,
disse de mim para mim com toda a confiança:

A vida é um poema…
nas primaveras alegres e solarengas alvoradas…
nas deleitosas e recheadas colheitas outonais …
nas sequiosas e crepitantes angustias dos verãos…
nos frígidos e dolorosos delírios invernais!

Sim! A vida é um poema…
nas auroras melodiosas e frescas das manhãs
na paz tranquila das tardes frias ou ensolaradas
nas laboriosidades intensas dos meios-dias
na ternura afetuosa das noites escuras ou estreladas!...

A vida é um poema…
um poema a compor constantemente
no permanente decorrer dos dias
procurando o que melhor interessa
a um amistoso viver de toda a gente
longe dos desesperos e inquietantes arrelias!

A vida é um poema
alegre ou triste
com amor e humildade desejado
ou repelido
na rebeldia e egoísmo exagerado…

A vida é um poema
a procurar
a compreender
desvendar
descobrir
encontrar
reencontrar
e assumir
no jeito certo
e no local exato
onde  ela se deve consumir
sem revolta e com amor
aliviando a cada instante
a dor alheia
e a própria dor.

No poema da vida…
o olhar-se interiormente
é o jeito certo
de retirar de cada dia com ardor
toda a revolta de horror e de deserto!...

No poema da vida,
não… eu não quero…
eu nunca vou querer
de forma pensada e assumida
estar constantemente revoltada
no decorrer persistente
da minha dura lida…

No poema da vida
não quererei nunca…
isso não…
viver em tão delicada confusão
nem ter a loucura da ilusão
de não me querer aventurar a perceber
que essa imensa dor
constante ou intermitente
tem de ser cortada
firmemente
com toda a força da razão….
para não magoar… ainda mais… o já tão magoado coração
que com uma enorme razão poderá ficar doente.

Não! Este cerco errado
e malfadado
quero arredar de mim!
Eu não quero passar nunca a minha vida
revoltada, assim,
sem forma própria de viver e de estar,
lutando em vão por um certo lugar
que me pertence
desde o momento em que comecei a existir
e se tornou mais forte e persistente
quando, crescendo, me fui tornando gente…

Não!... Não nascemos para nós,
de longe, isso, eu descobri, eu sei, 
por isso desde sempre eu arrisquei
doar a vida em prol da sociedade
procurando sem cansar
e sem cessar
servir a toda a gente ao meu redor
com o maior amor esmero e lealdade.

Mas… esquecendo ilusões e desenganos
dentro de mim… de ti… de vós…
existe um “NÓS”…  gritando… em brados tais…
que proclamam sem cessar
doridamente
o reconhecimento de todos os demais…

E… se o nosso “NÓS” não for reconhecido
tal como na vida nos convém
no coração nascerá uma imensa dor
assaz atroz
bárbara desumana
monstruosa medonha e  permanente
que nada nem ninguém
será capaz de retirar
do malogrado coração
sempre a sangrar
enquanto essa dolorosa injustiça
perdurar
tão loucamente!

Então… ó humana geração
para que não mais tal aconteça
no imenso paraíso onde vivemos
e que queremos sempre seja doce e bom…
reconheçamos os “EU” de toda a gente
que da melhor forma que entender e for capaz
avidamente vai procurando ser feliz…
E… lutando por um mundo diferente
de coração a extravasar de amor ardente
no poema incessante da vida, ininterruptamente,
vamos todos servir e amar
com verdade…  e não… como se diz.

Hermínia Nadais

terça-feira, 22 de maio de 2012

TORMENTAS DA VIDA




Caminho na vida
aturdida isolada
algures perdida
sem rumo sem nada.

O tempo se esfuma
pela minha mão
pois não o aproveito
e não vejo jeito
de encontrar solução.

Não tenho proventos
que possam chegar
para tantos tormentos
poder aliviar.

E nestas angústias
amargas sem fim
tenho de arranjar
formas de agir
sem fugir de mim.

E o coração
apertado em vão
já nem forças tem
para procurar
o meigo invocar
das luzes do ALÉM.


Não rezo não canto
não escrevo não faço
o tempo se esfuma
na noite de bruma
deixando cansaço.

Não há quem aguente
o que a gente sente
em situações tais
e de nada adianta
fazer cara feia
ou viver a dar ais.

Há que aguentar
e tentar encontrar
formas de vencer
nesta noite escura
cheia de amargura
que nos faz sofrer.

Poeta não fala
sente come e cala
e aguenta a dor
vive o dia a dia
escondendo arrelia
semeando amor.

E neste conceito
leva a todo o preito
espalhar alegria
enquanto se amassa
na dor que amordaça
a noite mais fria!...

2012/03/24
Hermínia Nadais

segunda-feira, 7 de maio de 2012

AGONIA



O sol escaldante deixava cair os seus raios dourados sobre o corpo de bronze alquebrado sob o peso da enxada que removia lentamente a terra do carvalhal amortecido.
Era meio dia! Ao longe, uma mocinha graciosa vinha deambulando pela estrada deixando que o vento ondulasse os seus belos e pretos cabelos lisos. De olhos enxutos mas com a água a escorrer por entre os pelos loiros das raras e esguias barbas, João sentou-se, calmamente, debaixo do salgueiro junto ao penedo que ladeia a margem direita do rio. Ao vê-lo, um sorriso delicioso encheu de brilho o olhar de Maria enquanto, brandamente, poisava a pequena cesta e estendia sobre a densa folhagem seca um lindo pano de linho fino, bordado a preceito, debaixo do que a pequena panela da sopa fumegava um cheiro tão saboroso que enchia de gozo as bocas mais insípidas e amargas.
Os momentos do almoço passaram, mudos e velozes! E, enquanto a jovem se apressava no regresso ao lar para continuar junto da mãe as cansativas lides caseiras, João, de olhos presos naquele mimoso esmero da Natureza ia cavando e pensando se não seria esse formoso rebento a esposa amada que sonhava um dia encontrar… para lhe mimar a lenta e sequiosa agonia dos dias!...

Hermínia Nadais

quinta-feira, 26 de abril de 2012


CRAVOS DE ABRIL!

Não sinto saudosismo nem saudade
Mas algo que para mim é muito mais
São netos e avós filhos e pais
Numa ausência quase total da liberdade!

A anarquia dominou a sociedade
E a luta pelo poder e por ter mais
Roubou ao povo meu tantos ideais
Que meu coração não aguenta a realidade!

Ó gente ousada escolhe o que seguir
E foge do insensato proceder
Que irá levar-te onde não queres ir…

Segue os cravos de Abril gritando ao vento
Que só o altruísmo e o amor podem varrer
Do teu País as sombras do tormento!...

Hermínia Nadais


terça-feira, 17 de abril de 2012

Vida!...



  
Tantas mágoas sentidas
nas agruras das vidas!
São aprendizagens que teremos que aproveitar
para nos sentirmos
cada vez mais realizados e felizes.
Felizes?...
Quando se fala em felicidade,
o coração pula de alegria,
pois mesmo consciente
de que neste mundo é uma utopia,
a verdadeira alegria
existirá em plenitude,
um dia,
quando os ventos
já não nos chocarem os sentidos
nem as chuvas
nos encharcarem os cabelos
quando,
leves como penas planando na atmosfera
o Senhor dos senhores
nos arrebatar deste mundo encantador
para aquele local extasiante
que exatamente ninguém conhece
mas todos aspiramos habitar
um dia
saboreando plenamente o AMOR!

Hermínia Nadais

sábado, 7 de abril de 2012

PÁSCOA/PASSAGEM


DEUS É AMOR, É MISERICÓRDIA E PERDÃO!
E no Seu insondável SER, ama o homem tão infinitamente que está sempre pronto a, com os seus braços amorosos e o maior carinho, levantá-lo do desespero e a conduzi-lo ao caminho da felicidade - a Páscoa, o AMOR. 
O homem não pode ser inimigo do homem, porque todo o homem foi criado para o mesmo fim – o AMOR. Quando o homem fala em vencer o inimigo, o único inimigo do homem é o desamor ou pecado, o seu pecado, o abandono consciente e consentido do caminho que deve seguir que é,  simplesmente, AMAR, com todas as forças de que for capaz e com todas as implicações que a palavra encerra.
Santa Páscoa, com uma autêntica mudança de rumo de vida na busca do verdadeiro AMOR!

Hermínia Nadais

segunda-feira, 2 de abril de 2012

TERNO AMANHECER


Nos momentos altos de um terno amanhecer
com as mais intensas vozes do silêncio que inebria 
num grito mudo mas repleto de todas as forças do meu ser
para todos os lados eu repito: Bom dia!

Bom dia ria, bom dia, bom dia!
Bom dia nuvens que me encobris o sol
Bom dia traineiras que descansais
dormindo calmamente
atracadas ao cais
Bom dia pescadores que transportais
baldinhos de marisco e peixe fresco
para fora dos areais.

Bom dia águas mansas que povoais
o espaço que deslumbra os meus olhos mortais
Bom dia carrinhas refrigerantes que esperais
no cais
as traineiras regressadas da pesca
aqui da ria
onde o peixe de água doce nos cheira a maresia.
Bom dia Natureza!”
Bom dia! Bom dia!… Muito bom dia!

Hermínia Nadais

sábado, 31 de março de 2012

Será?...


O amor dos homens é muito pequeno 
para nele caber o amor de Deus, 
por isso, o amor de Deus só é possível 
se os homens se esquecerem do seu próprio amor, 
se matarem o seu amor próprio, 
para que, assim, 
possa enraizar-se neles o Amor de Deus 
que é, na realidade, 
“o único” que faz o amor de qualquer homem 
chegar intacto e sem excepção 
a todos os outros homens. 

Hermínia Nadais

quarta-feira, 28 de março de 2012

PEDAÇOS DE CÉU



Vagueio no esplendor
da mais refulgente luz
quando me encontro
frente ao pequeno écran
meditando
nas palavras tão finamente
trabalhadas
dos meus amigos e amigas
a exprimir da forma mais bela
os mais nobres e belos sentimentos.

Ainda
que a amargura da vida
me abale,
o calor destas linhas
aquece-me a alma
mata-me a dor da saudade
cura-me a nostalgia do coração
e faz-me voar pelo espaço
nas asas dos anjos
buscando os sorrisos de Deus,
leve como uma pena de gaivota
e feliz como um rouxinol
trinando docemente
na frescura de uma manhã primaveril.

Estes são os pedaços de céu
que nos é dado viver
nos dias sombrios
deste maravilhoso planeta
que habitamos,
na busca de outra pátria desconhecida
mas que
na felicidade do gozo
destes momentos de doçura
se vislumbra
cheia de esplendor e paz.

Hermínia nadais

terça-feira, 27 de março de 2012

Incertezas!



Não sei… ou sei? É tortura… ou VIDA?
É vida… eu sei!

E talvez… quem sabe,
nos maus e bons momentos,
confusos angustiados e cheios de ais…
a minha vida seja plena por demais!
Cheia até mais não!
Dos pés à cabeça e da superfície da pele
até ao pontinho mais
profundo das maiores profundezas do coração!

Sei que o tempo urge…
mas não tenho a menor ideia de como pegar e me expandir
no escasso tempo que me é dado usufruir!
Escasso, talvez não,
pois os meus dias têm tantas horas
como os dias de todas as pessoas!
Contudo, vejo de forma clarividente
a nítida e sentida afirmação -  “não há duas pessoas iguais”!...
 Ai não há… lá isso não!
Nesta vida assoberbada de horror e de beleza…
mais do que nunca…  eu tenho a certeza!

 Pela parte que ainda me cabe perceber –
vivo no tempo e sem tempo para viver!

Penso gastar o tempo muito bem gasto –
mas não sei bem se o poderia gastar
de um outro modo, melhor para todos
e para mim muito menos desgastante!

Neste tempo escasso
faço o que necessito e gosto –
mas consciente de que deixo para trás
muito do que mais desejo,
que ajudaria muito outras pessoas
a serem mais e terem menos
o que me faria imensamente feliz!

Resumindo e concluindo…
anseio o reencontro comigo mesma –
sem me conseguir lembrar
onde me desencontrei
para me ir buscar ao lugar certo
e regressar no momento exato…
sem deixar nadinha para trás!
O que me escasseia é,
 precisamente,
o que mais me deleita e satisfaz!
Até quando continuarei assim,
perdida e encontrada…
neste cantinho maravilhoso do mundo
onde nasci,
cresci,
brinquei,
trabalhei,
sorri,
aprendi
e estou instalada!


Hermínia Nadais