Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

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quarta-feira, 20 de abril de 2011

SONHOS DESFEITOS!

Foi num lacrimoso dia dos finais da Primavera… um daqueles característicos dias solares em que os pingos da chuva vão alternando continuamente com os raios de Sol escaldante e os minutos se sucedem num rodar tão permanente que parece não ter fim.
Enquanto o Sol ia sorrindo por entre a densidade das nuvens e iluminando a terra com os seus esplendorosos raios, uma alegre e colorida borboleta voava por entre a frescura da ramagem, junto a um pequeno regato, embalada pela maravilhosa beleza que a circundava. Subitamente, deparou-se com uma papoila empalidecida… à míngua das carícias fulgurantes e directas do calor e luz solares!
Entreolharam-se meigamente, depois do que a borboleta sussurrou:
- Como é possível, papoila linda?!... Isto não é lugar para ti!
E… velozmente… como que para superar tanta carência de afecto… imobilizou as suas leves asas para as poisar sobre as fragilizadas pétalas, acalentando-as com a maior ternura e carinho do palpitar suave e quente do seu bondoso coração. Entre soluços partilhados, abraçaram-se meigamente, expandindo felicidade!
Entretanto, duas meninas de olhos azuis e cabelos loiros ondulados, apareceram, saltitando e cantarolando.
Nas mãos aveludadas e macias traziam uma pequena rede amarela e um saquinho azul.
Sem mais demoras, lançaram a rede sobre a borboleta e, de imediato, muito cuidadosamente, retiraram da terra embevecida a esguia papoila para colocá-la, com todos os cuidados possíveis, num vasinho verde retirado do interior do saco.
Amargamente surpresas… a papoila e a borboleta… bem queriam dar continuidade à sua felicidade pessoal e à alegria desmedida e louca daquelas inexperientes crianças… mas não conseguiram resistir à mágoa da separação, à perca irreparável do seu incomparável cantinho nem da sua tão genuína liberdade!...
E… lentamente… a borboleta foi imobilizando as asas, e a papoila… magoada e enternecida… foi deixando murchar as folhas ao mesmo tempo que deixava cair, uma a uma, todas as suas pétalas!…
De olhares lacrimosos e corações feridos, as duas meninas, silenciosa e desoladamente, iam-se encaminhando para as suas casas!

5 comentários:

Carolina disse...

Quida Titi Hêminia

Ó coitadinhas da boboleta e da papôla!
Que tiste!
É por causa da época da Páscoa que também é tiste, mas ao mêmo tempo de aleguia! - disse a minha vóvó Néné.
Poque o nosso Jesus moleu por todos nós, mas também para nos dar Vida e Graça no céu! Não é titi?!

Desejo uma Páscoa feliz na companhia dos netinhos e a vó Néné diz que telefona depois da Páscoa poque naquele dia estava xôxa! E agola veio aqui de fugida poque foi colocar no meu blog um pexentinho para todas as titis quidas!

Beijinhos meus doces e babados...

Bébé Carolina

Pedro Suarez disse...

Considero, acima de tudo, locais reconfortantes, quando falo nos seus blogues.
Que história emocionante, intensa...
Fantástico!

Muito obrigado pelo apoio que me tem dado por acompanhar o meu trabalho.

Vemo-nos por aí...

Hermínia Nadais disse...

Olá Carolina!
Estás muito linda! A tua vó Né tem muito cuidado contigo. A Titi Hêminia de vez em quando anda lá pelo teu amoroso e maravilhoso cantinho... onde abundam beleza, mensagem e bom gosto!
Parabéns, minha querida!
Uma boa Páscoa para ti e toda a família, chei de miminhos e carinhos.
Beijinhos doces para todos da titi Hêminia

Hermínia Nadais disse...

Obrigada Pedro pelo carinho das palavras que expressam tanta ternura de gestos!
As maiores venturas e felicidades!

Miss esquisitoide disse...

Adorei os textos deste blog, são bastante tocantes, mas esse realmente chamou-me atenção!
Muito lindo...