Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

MANHÃ NA COSTA NOVA





Enquanto o Sol sorri deixando uma estrada de luz a atravessar a ria, os barcos andam por ali onde os homens e as mulheres, aproveitando as baixas marés, de baldes na mão, vão recolhendo os vivaldes que lhes darão o sustento e suporte para poderem vaguear honestamente pelos caminhos do mundo.
O sistema de rega, num movimento constante, humedece o relvado para que se conserve verdejante e dê mais deslumbramento a este espaço de sonho.
Os veículos circulam na via, a velocidade moderada!
As lojas, aos poucos, vão abrindo e colocando as suas ofertas à vista de toda a gente que delas necessite ou as queira ter como suas.
As pessoas mais despreocupadas de canseiras laborais aproveitam para o passeio matutino com os seus fiéis amigos de quatro patas que passam sorridentes, tal como os seus donos.
Há também quem aventure a corridinha ou caminhada matinal sobre o tapete vermelho que ladeia a ria.
Nas poucas casinhas ambulantes, em gozo de férias, ainda se dorme, tranquilamente, o sono da paz reconfortante dos dias do ano, cheios de stress e aventuras que desgastam as belezas da vida.
As gaivotas perdidas ou desencontradas da zona marinha vão sobrevoando o espaço ou param, a descansar, nas pequenas colunas de cimento junto do cais de embarque para os pequenos passeios fluviais.
As bicicletas de vários números de ocupantes, essas, estão ainda cobertas com a sua pequena manta acolhedora do sereno da noite.
Entretanto, pela ria, um sem número de pequenos barcos que surgem não se sabe bem de onde nem para quê deslizam suavemente… e os considerados de transporte correm ria acima ou abaixo, não sei muito bem, como que a levar alguém apressado a determinado lugar… enquanto alguns e algumas ciclistas, descontraidamente, vão circulando com brandura pelas margens atapedadas!
Que encanto que tanto maravilha e encanta… neste pequeno e afável recantinho da Natureza onde tudo nos fala de paz, serenidade e harmonia!...

Hermínia Nadais

3 comentários:

João Esteves disse...

Muito agradável leitura, amiga Hermínia, o presente post onde revejo seu estilo fluido, maduro.
Intrigou-me o termo 'vivaldes', que suponho tratar-se de uma forma local de referência aos bivalves. Seja ou não isto, a forma deve ser pouco difundida (não encontrei referências em minha rápida pesquisa). Ela remete inevitavelmente à música, pela semelhança com o nome de um antigo e célebre compositor. É imenso o repertório de brasileirismos similares, com essa cor local e muita vez praticamente desconhecidos fora do seus habitats.

Hermínia Nadais disse...

Olá amigão!
Obrigada pelo comentário!
O termo vivaldes eu também não encontrei o significado, mas é o que dizem na linguagem regional referindo-se à apanha de mariscos escondidos nas areias movediças. Vou informar-me quando passar lá pelo local, a ver se descubro se é com "v" ou "b" que se pronuncia... e depois direi algo, está bem?
Abraço,
Hermínia

Silenciosamente ouvindo... disse...

Olá amiga, eu também conheço por
vivaldes,mas a língua portuguesa
por vezes tem termos variados,
que são assimilidos por certas
pessoas ou regiões.
E o Verão continua neste já quase
Outono.
Beijinhos e o desejo que esteja
bem e os seus.
Irene