Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

Na frescura dos meus anos, vagueio confiante pela estrada do tempo; escrevo, observo e recordo

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O Ano da Fé é para santificar a vida



O Ano da Fé, proclamado pela primeira vez em 1967, é um excelente período para o conhecimento dos valores presentes da Fé. Foi proclamado a primeira vez em 1967, pelo Servo de Deus Papa Paulo VI.
Numa humanidade desorientada pelo abandono dos valores ensinados por Jesus Cristo, é importante pensar na necessidade da Fé para um ressurgir da esperança nos nossos ambientes.
O Ano da Fé está instalado no Decreto Porta Fidei de Bento XVI.
Bento XVI lembra que, onde a fé é viva, a cultura cristã se torna presente, por isso é preciso recuperar um olhar positivo sobre a Fé para a transmitir integralmente às gerações vindouras.
Foi neste contexto que o Sínodo dos Bispos se reuniu em Roma, para implementar mais fortemente a Nova Evangelização, baseada nos documentos da Igreja e no testemunho dos cristãos.
Durante a celebração do “Ano da Fé”, o Papa propõe aos católicos a Indulgência Plenária, conforme orientações do seu Decreto que abaixo se descreve, assim:
Ao longo de todo o Ano da Fé, proclamado de 11 de outubro de 2012 até ao fim do dia 24 de novembro de 2013, poderão alcançar a Indulgência Plenária da pena temporal para os próprios pecados, concedida pela misericórdia de Deus, aplicável em sufrágio pelas almas dos fiéis defuntos, a todos os fiéis deveras arrependidos, que se confessem de modo devido, comunguem sacramentalmente e orem segundo as intenções do Sumo Pontífice:
A) Cada vez que participarem em pelo menos três momentos de pregações durante as Missões Sagradas, ou então em pelo menos três lições sobre as Atas do Concílio Vaticano II e sobre os Artigos do Catecismo da Igreja Católica, em qualquer igreja ou lugar idóneo;
B) Cada vez que visitarem em forma de peregrinação uma Basílica Papal, uma catacumba cristã, uma Igreja Catedral, um lugar sagrado, designado pelo Ordinário do lugar para o Ano da fé (por ex. entre as Basílicas Menores e os Santuários dedicados à Bem-Aventurada Virgem Maria, aos Santos Apóstolos e aos Santos Padroeiros) e ali participarem nalguma função sagrada ou pelo menos passarem um tempo côngruo de recolhimento com meditações piedosas, concluindo com a recitação do Pai-Nosso, a Profissão de Fé de qualquer forma legítima, as invocações à Bem-Aventurada Virgem Maria e, segundo o caso, aos Santos Apóstolos ou Padroeiros;
C) Cada vez que, nos dias determinados pelo Ordinário do lugar para o Ano da fé (por ex. nas solenidades do Senhor, da Bem-Aventurada Virgem Maria, nas festas dos Santos Apóstolos e Padroeiros, na Cátedra de São Pedro), em qualquer lugar sagrado, participarem numa solene celebração eucarística ou na liturgia das horas, acrescentando a Profissão de Fé de qualquer forma legítima;
D) Um dia livremente escolhido, durante o Ano da fé, para a visita piedosa do batistério ou outro lugar, onde receberam o sacramento do Batismo, se renovarem as promessas batismais com qualquer fórmula legítima.
Os Bispos diocesanos ou eparquiais, e aqueles que pelo direito lhes são equiparados, no dia mais oportuno deste tempo, por ocasião da celebração principal (por ex. a 24 de novembro de 2013, na solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, com a qual será encerrado o Ano da fé) poderão conceder a Bênção Papal com a Indulgência Plenária, lucrável por parte de todos os fiéis que receberem tal Bênção de modo devoto.
Os fiéis verdadeiramente arrependidos, que não puderem participar nas celebrações solenes por motivos graves (como, em primeiro lugar, todas as monjas que vivem nos mosteiros de clausura perpétua, os anacoretas e os eremitas, os encarcerados, os idosos, os enfermos, assim como quantos, no hospital ou noutros lugares de cura, prestam serviço continuado aos doentes), obterão a Indulgência Plenária nas mesmas condições se, unidos com o espírito e o pensamento aos fiéis presentes, particularmente nos momentos em que as palavras do Sumo Pontífice ou dos Bispos diocesanos forem transmitidas pela televisão e rádio, recitarem em casa ou onde o impedimento os detiver (por ex. na capela do mosteiro, do hospital, da casa de cura, da prisão...) o Pai-Nosso, a Profissão de Fé de qualquer forma legítima e outras preces segundo as finalidades do Ano da fé, oferecendo os seus sofrimentos ou as dificuldades da sua vida.
Devemos prestar toda a atenção às solenidades e eventos do Ano da Fé, aprofundando alguns aspetos fundamentais que necessitem de esclarecimentos e estudos. Tanto conferências como reflexões, textos, homilias terão oportunidade de esclarecer as pessoas sobre a nossa fé e suas razões. Este é um tempo favorável para viver e aprofundar a fé que devemos aproveitar o melhor que pudermos e soubermos.

Hermínia Nadais

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Cristo o centro do mundo e da história




O início do Ano da Fé, no 50 º aniversário da cerimónia de abertura do Concílio Vaticano II foi aberto solenemente pelo Santo Padre Bento XVI durante uma Eucaristia celebrada na manhã do dia 11 de Outubro de 2012, no adro da Basílica de São Pedro.  
A homilia de Sua Santidade foi um exemplo de união de todos os cristãos, independentemente da forma como professem a sua Fé em Jesus Cristo/Deus. 
Saudou Bartolomeu I, Patriarca de Constantinopla, Rowan Williams, Arcebispo de Cantuária, os Patriarcas e Arcebispos Maiores das Igrejas Orientais católicas, e os Presidentes das Conferências Episcopais. 
Recordou a graça de muitos dos presentes que ali puderem recordar a memorável procissão dos Padres conciliares na procissão inicial quando entraram solenemente naquela Basílica e a entronização do Evangeliário, uma cópia do que foi utilizado durante o Concílio, a entrega das sete mensagens finais do Concílio e do Catecismo da Igreja Católica, a festejar os seus vinte anos. 
Estes sinais fazem-nos recordar e convidam-nos “a entrar mais profundamente no movimento espiritual que caraterizou o Vaticano II,” para que possamos assumir e integrar na vida todos os seus ensinamentos, comunicando Jesus Cristo a todos os homens, “no peregrinar da Igreja nos caminhos da história.
O Ano da Fé está ligado a toda a caminhada da Igreja nos últimos 50 anos, em que Paulo VI proclamou um "Ano da Fé" em 1967, o Bem-Aventurado João Paulo II no Grande Jubileu do Ano 2000 apresentou novamente Jesus Cristo como único Salvador de toda a humanidade, ontem, hoje e sempre. Jesus Cristo é “o centro do cosmos e da história,” “é o centro da fé cristã. O cristão crê em Deus através de Jesus Cristo, que nos revelou a face de Deus. Ele é o cumprimento das Escrituras e seu intérprete definitivo. Jesus Cristo não é apenas o objeto de fé, mas, como diz a Carta aos Hebreus, é aquele «que em nós começa e completa a obra da fé» (Hb 12,2).”
A missão Evangélica de Cristo, iniciada com os Apóstolos com o “«Como o Pai me enviou, também eu vos envio» (Jo 20,21)” e o “«Recebei o Espírito Santo» (v. 22)”, continua no espaço e no tempo, ao longo dos séculos e continentes, para infundir o Espírito Santo nos discípulos de hoje, Papa, Bispos, Presbíteros, Diáconos e Leigos, “dando-lhe a força de «proclamar a libertação aos cativos / e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor» (Lc 4,18-19).”
Assim como o Concílio, não tratando expressamente da fé, fala da fé e reconhece o seu caráter vital e sobrenatural, como alicerce da integridade, fortaleza e estrutura das suas doutrinas que, em consonância com a tradição doutrinal da Igreja mostra Cristo como fonte e o Magistério da Igreja como canal de Fé.
O Bem-Aventurado João XXIII, na abertura do Concílio, apresentou a sua finalidade principal afirmando que o mais importante no Concílio Ecuménico não era a discussão sobre este ou aquele tema doutrinal, mas que o depósito sagrado da doutrina cristã, certa e imutável, fosse guardado e ensinado de forma mais eficaz,  fielmente respeitada, aprofundada e apresentada de forma a responder às exigências do tempo, fazendo resplandecer a verdade e a beleza da fé no hoje do tempo, sem a sacrificar frente às exigências do presente, nem a manter presa ao passado.
A Fé faz-nos sentir e viver o eterno presente de Deus que transcende o tempo, e tem de ser acolhida em cada hoje, que não mais se repetirá.
Bento XVI pensa que o mais importante é reavivar o desejo ardente de anunciar novamente Cristo ao homem contemporâneo, apoiado sobre os documentos do Concílio Vaticano II, sem nostalgias do passado nem avanços excessivos, “permitindo captar a novidade na continuidade” preocupando-se  em fazer com que a mesma fé viva continue a ser vivida no presente do mundo sempre em mudança.
É preciso dinamizar a apresentação da fé de uma forma eficaz, abrindo-se com confiança ao diálogo com o mundo moderno, apoiando-nos na vida e obra de Jesus Cristo.
“A Igreja hoje propõe um novo Ano da Fé e a nova evangelização,” porque é necessário revigorar a Fé, ainda mais do que há 50 anos!
A iniciativa de criar um Concílio Pontifício para a promoção da Nova Evangelização enquadra-se nessa perspetiva, pois nos últimos tempos a "desertificação" espiritual tem aumentado. Vive-se por demais no vazio de um mundo sem Deus! No mundo de hoje há inúmeros sinais da sede de Deus e do sentido último da vida. É preciso redescobrir a alegria de crer e a sua importância vital e essencial para a vida de todos os homens e mulheres, que têm de ser libertos do pessimismo e de manter viva a esperança.
“Hoje, mais do que nunca, evangelizar significa testemunhar uma vida nova, transformada por Deus, indicando assim o caminho.” Hoje temos de aproveitar bem os caminhos de peregrinação, ou seja, a arte de viver e compartilhar a vida com os irmãos.
Devemos aproveitar o Ano da Fé para aprender a peregrinar nos desertos do mundo contemporâneo, sem cajado, sacola, pão, dinheiro, ou túnicas, mas com o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio Vaticano II  e oCatecismo da Igreja Católica são uma expressão luminosa, que São Paulo nos aponta e de que Maria, a Mãe querida, é a maior estrela. 

Hermínia Nadais

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

NO Ano da Fé - a Nova Evangelização



Quando  Jesus Cristo deixa de estar presente na vida, a verdadeira espiritualidade desaparece porque ELE é o centro de toda a nossa vida interior!
Na passada quinta-feira, 11 de outubro de 2012, na comemoração do 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II e do 20º ano da promulgação do atual Catecismo da Igreja Católica, conforme o decretado pelo nosso querido Papa Bento XVI, com maior  ou menor solenidade, nas mais díspares localidades e nas mais diversas formas  foi celebrada a abertura solene do Ano da fé, que em muitas outras localidades, pelas mais variadas razões, será celebrada posteriormente.
A recitação individual e coletiva do “CREDO”, símbolo da Fé Católica, deverá ser cada vez mais a nossa oração preferida.
O “movimento espiritual” que caracterizou o Concílio Vaticano II está muito longe da implantação desejada! Cabe a nós, Católicos, fazer tudo para que os objetivos do Concílio sejam uma realidade presente na maioria esmagadora dos Cristãos.
O Ano da Fé quer dizer aos homens que Jesus Cristo é o centro do mundo e da sua história. Jesus, o Filho de Deus, não é somente objeto da fé, mas a origem e plenitude da Fé. Ele é o propulsor da missão evangelizadora da Igreja que ao infundir o Espírito Santo nos discípulos Ordenados ou simplesmente Fiéis Leigos a leva a atravessar mares e terras, continentes e oceanos, ao longo de todos os séculos.
Muito embora também sejam necessários, o Ano da Fé não tem por fim colocar temas de fé em documentos específicos, mas pretende levar os Cristãos a acreditar em Deus por Jesus Cristo e a colocarem-se com toda a confiança no Seu colo misericordioso, carinhoso e bom.
O Ano da Fé quer levar os homens e mulheres do nosso tempo a interessarem-se de tal forma pelo mistério cristão que, aceitando e respeitando fielmente a doutrina da Igreja, certa e imutável, a consigam adaptar às exigências do nosso tempo e comecem a viver Jesus Cristo numa total união e comunhão fraterna, tal como o fizeram os primeiros cristãos
A fé não pode estar subjugada às “exigências do presente”, nem “presa ao passado”, deve ecoar o eterno presente de Deus que transcende o tempo para poder ser acolhida por cada Ser Humano no hoje irrepetível de cada momento de todos os dias.
O novo Ano da Fé e da nova Evangelização, muito mais do que “honrar acontecimentos” pretende diminuir a "desertificação espiritual" e redescobrir Jesus Cristo, o Caminho, Verdade e Vida, que devemos imitar para bem viver.
As amarguras que afligem a sociedade em geral provém da falta de conhecimento e interiorização dos verdadeiros valores da vida que só encontraremos numa verdadeira Fé em Jesus Cristo, sem a qual a vida é um deserto permanente. Fala-se muito em prestar atenção aos sinais, mas a maior urgência é saber descobri-los, olhá-los, assimilá-los, ultrapassar barreiras, manter a esperança e viver em Caridade e Amor como Jesus Cristo viveu e quer que vivamos.
O Ano da Fé quer ajudar-nos a peregrinar nos desertos do mundo de hoje vivendo o essencial cristão – Jesus Cristo – que os Evangelhos e outros livros das Sagradas Escrituras proclamam juntamente com o Magistério da Igreja através dos documentos do Concílio Ecuménico Vaticano II, do Catecismo da Igreja Católica e seu Compêndio e outros documentos a que temos de prestar a maior atenção, pois nos ajudarão a seguir e viver cada vez mais intensamente Jesus Cristo que deseja estar vivo e atuante em cada um de nós.

Hermínia Nadais

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A Fé e a Caridade



A Fé e o Amor são inseparáveis: se eu acredito, eu amo; se não acredito, eu abomino.
O Amor é raiz de toda a Caridade e o único caminho da Caridade, pois nunca será possível a prática da verdadeira Caridade sem vivências profundas de um verdadeiro Amor.
Gostar ou não de alguém é condição suficiente para se lhe prestar atenção ou não, para se ajudar ou não ajudar. Este comportamento é apanágio de pessoas coerentes com a prática da crença humana, é um comportamento onde reinam as regras de moral e bom costumes. Caridade e Amor são palavras que muitas vezes se unem, ou melhor ainda, se sobrepõem de tal modo que muitas vezes se confundem.
A Fé e a Caridade andam de mãos dadas. Esforçarmo-nos por conhecer melhor a Deus leva-nos a acreditar cada vez mais em Deus e a amá-LO mais, e mediante o aumento do amor a Deus amamos mais o próximo, amigo ou inimigo, de quem gostemos ou não, e vamos socorrê-lo cada vez mais da melhor forma que pudermos e sempre que isso seja necessário, vendo nele, em cada instante, o verdadeiro rosto de Deus presente na atualidade.
Esta é a prática da verdadeira Caridade sobre o que a Palavra de Deus fala inúmeras vezes, tanto no Antigo como no Novo Testamento. A Caridade pode ser realizada com obras destinadas a socorrer as pessoas corporal ou espiritualmente, ela é a prática do verdadeiro amor. Ajudar para receber recompensas, favores, elogios ou mesmo só um muito obrigada não é praticar a verdadeira caridade, na maioria das vezes é, isso sim, cuidar do amor próprio e do egoísmo exagerado. A Caridade faz-se de forma gratuita, sem esperar nada em troca, além do que a prática da Caridade produz que é muita satisfação e alegria.
Praticar a Caridade é viver no amor, é amar ao jeito do Senhor Jesus, é entregar-se à resolução das necessidades do outro por amor a Deus, e por a grandeza desse amor a Deus, amar o próximo como a Deus… e amar a Deus e ao próximo com a mesma intensidade, porque se consegue ver no próximo a própria imagem de Deus.
É muito verdadeira esta afirmação: “Quem diz amar a Deus que não vê e não ama (não pratica a caridade com) o próximo que vê, é mentiroso e a verdade não está nele”.
E mais ainda: “Podes ter fé de arrastar montanhas, mas se não tiveres caridade, amor, de nada te valerá”.
Não há Caridade sem Fé, e fé sem caridade não tem valor nenhum.
“Mostra-me a tua fé pelas obras que pelas minhas obras te mostrarei a minha Fé”, pois cada pessoa será sempre o que for a sua Fé.
Hermínia Nadais