terça-feira, 4 de agosto de 2015

PADRE CURA




João Maria Vianney é o chamado Padre Cura, que lá numa qualquer paróquia perdida falava às pessoas, aconselhava, rezava, estava horas seguidas no confessionário ouvindo e ajudando as pessoas a encontrarem-se com elas mesmas, com Deus e com os irmãos, pois foi para isso que fomos criados.
E porque os bens materiais continuam a andar muito mal repartidos e há imensas pessoas a morrer todos os dias com falta de alimento, fala-se muito na fome do mundo.
Estas disparidades não são só de agora, já era assim no tempo de Jesus nas terras que Ele pisou, pelo que a multiplicação dos pães surgiu. Gostei demais de algumas palavras do Papa antes do Ângelus do último domingo:
Jesus nos “quer fazer entender que, além de fome física o homem tem dentro de si outra fome - todos nós temos essa fome - uma fome mais importante, que não pode ser saciada com o alimento cotidiano. É fome de vida, fome de eternidade que somente Ele pode satisfazer, sendo Ele "o pão da vida" (v. 35). Jesus não elimina a preocupação e a busca do alimento cotidiano, não, não elimina a preocupação de tudo aquilo que pode fazer a vida melhor. Mas Jesus nos recorda que o verdadeiro significado da nossa existência terrena está na eternidade, no encontro com Ele, que é dom e doador, e nos recorda também que a história humana com seus sofrimentos e alegrias deve ser vista em um horizonte de eternidade, ou seja, naquele horizonte do encontro definitivo com Ele. Esse encontro ilumina todos os dias da nossa vida. Se pensarmos neste encontro, neste grande dom, e nos pequenos dons da vida, até mesmo os sofrimentos, as preocupações, serão iluminados pela esperança deste encontro. "Eu sou o pão da vida; quem vem a mim nunca mais terá fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede"(v. 35). Esta é a referência à Eucaristia, o dom maior que sacia a alma e o corpo. Encontrar e acolher Jesus em nós, "pão da vida", dá sentido e esperança ao caminho, muitas vezes, tortuoso da vida. Todavia, esse "pão da vida" nos é dado com uma tarefa, ou seja, para que possamos por nossa vez saciar a fome espiritual e material dos irmãos, anunciando o Evangelho em todos os lugares. Com o testemunho da nossa atitude fraterna e solidária para com o próximo, tornamos presente Cristo e seu amor entre os homens.”
Vontade de fazer o que Jesus nos solicita pode não faltar… mas daí até á realidade dos factos vai uma distância muito grande, imensa mesmo!
Que Jesus e o Seu Espírito Santo nos ajude a sermos realmente cada vez mais e melhores testemunhas do Amor de Deus entre todos os homens nossos irmãos, como fazia o Padre Cura!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

HOJE…




Hoje,
para libertar-me de embaraços
recordei minha vida por pedaços
para me rever nos cansaços
do passado
na certeza de que nada está perdido
mas a ser humildemente consumido
nas torturas
que qualquer vida tem
vida de quem foi filha
e é mulher
esposa
sogra
nora
avó
e
mãe.

Hoje…
não me apetece chorar
quando deveria esforçar-me
por conter lágrimas.

Também não sei que lágrimas seriam
se de saudade dor
desespero esperança receio...
Talvez fossem de alegria.

Não daquela alegria
provinda de algo de bom acontecido
mas da sentida por nada ter feito
em prol de algo mau
que possa vir a acontecer.

E quem nos poderá dizer que é mau?!...
Nós não seremos de certeza
pois nem sequer sabemos
ou poderemos julgar sucedimentos
por não nos ser possível alcançar
a razão dos acontecimentos!...

Então, contém-te, Maria!
Espera e confia no amanhã que é outro dia
que será sempre para todos bem melhor
se com amor
confiarmos mais a sério no Senhor!

Hermínia Nadais

domingo, 2 de agosto de 2015

CONFRONTO




Viver
é confrontar-se 
connosco
com tudo e com todos
dia a dia
com amor e dor
força e vigor
dedicação e harmonia
tristeza e alegria


É procurar no silêncio
do ser
o encontro 
com aquela morte
que se vive a todo o momento...
invisível a olho nu
e que tantas vezes nos devora
a toda a hora...
mas nas fadigas e desvairos
imensamente satisfeitos 
porque certos
que é nessa bendita morte
permanente
que o vigor da vida
mora.


 Hermínia Nadais