quarta-feira, 26 de março de 2008
A MINHA VIDA... E EU
Nenhum ser pode confundir-se com a vida. O ser é a amostragem da vida e o seu comando ou descomando
Hermínia Nadais
In “Espaços... dos meus dias”
ALÉM DO MEU HORIZONTE
Sair do espaço em que se vive é partir à descoberta de outras belezas que nos levam mais ao encontro do infinito e encantam a alma e o coração
In “Espaços... dos meus dias”
domingo, 23 de março de 2008
Silêncio
A voz do silêncio vale mais que ouro... pois com ela falamos directamente ao nosso coração... do nosso próprio coração e do coração de quem nos rodeia!
Hermínia Nadais
quinta-feira, 20 de março de 2008
MÁSCARA

despi
a minha máscara.
Encontrei-me.
Resta-me
a Esperança
de aprender
a viver
comigo.
Hermínia Nadais
quarta-feira, 19 de março de 2008
Às vezes... ou sempre...

Poderá haver quem não entenda a minha maneira de ver. A princípio eu também não compreendia muito bem! Mas com o treino... acabei por concluir que a cultura do ódio, posta a render de determinada maneira... pode produzir muito bons efeitos.
O ódio e o amor caminham lado a lado, e dentro de cada homem travam uma luta constante. Ao sentir essa verdade, podemos decidir optar pela inacreditável e inaceitável cultura do ódio.
Não é muito fácil, mas talvez se torne... quem sabe... até um pouco divertido. Basta começarmos por tentar incarnar em nós, antes de mais e acima de tudo, o pavor e ódio ao próprio ódio. De seguida, dignar-nos-emos cultivar o ódio à injustiça, à maldade, à preguiça, à ignorância, ao mal-dizer, à calúnia, à insensatez, à indignidade, à indiferença... a tudo quanto for pobreza espiritual, material e humana. Tanto ódio!... Tanto!... Um comboio enorme... a transbordar de ódio... mas daquele ódio que muito fatalmente nos levará à prática do verdadeiro amor!
Será que há quem arrisque a começar com a aventura?!... Para quando?!...
Hermínia Nadais
terça-feira, 18 de março de 2008
segunda-feira, 17 de março de 2008
O QUE É A VIDA?
A vida é um sopro,um mimo,
um carinho,
uma flor bela e colorida,
uma estrada
por onde vou andando
descuidada ou assumida,
uma folha
que o vento faz correr,
uma centelha de lume
que faz o amor crescer
numa fogueira
que arde sem se ver,
o Sol a brilhar,
a Primavera
a desabrochar,
um mar
de águas calmas
e praias ensolaradas,
um vento impetuoso
nas ondas encapeladas,
um deserto
de areias movediças
que as frequentes tempestades
ameaçam revirar,
uma cotovia
que canta sem parar,
uma brisa leve e doce
da manhã
que nos acaricia o rosto
com amor
desde o romper da aurora
até o sol se pôr.
Hermínia Nadais
Do Livro “Espaços... dos meus dias”, Colecção “Ao pé da Terra”
Editado pela Editorial 100
terça-feira, 11 de março de 2008
AMIGO!!!...

Hoje estou muito mais feliz!
Finalmente
“no melhor do (meu) mundo”
encontrei-te no perfume das letras
e sorvi todo o assombro discreto
das tuas palavras.
Na vibração
dos raios incandescentes
furtados à luz
do calor
paz e serenidade
vulcânica
da missão por ti escolhida
encontrei a ternura
dos afectos
e a ventura
da liberdade
saída da força calejada das mãos
pelos dedos (in)quietos
e (in)seguros
marejados dos anseios
desmedidos e palpitantes
do coração
que se vai esgotando
na permanente busca de “SER”.
Sinto reactivada
a minha ténue luz
sangrando
amor.
Enxergo melhor
o valor teimoso
da escuridão
descarada
que tenta a toda a prova
estragar
a claridade solarenga
dos meus dias.
Obrigada!
Hermínia Nadais
segunda-feira, 10 de março de 2008
Escravidão
É muito difícil viver como escravo, mas, a maior escravidão de um ser humano, não é fruto da sua convivência social... provém do peso das suas más tendências naturais e da falta de fortaleza para vencer.
Hermínia Nadais
domingo, 9 de março de 2008
Recordação!

Acordei!
Estavas a meu lado, sorrindo!
Levantamo-nos... abrimos os cortinados... olhamos o horizonte... mergulhamos na frescura colorida do jardim!...
O sol radioso... afastou-se rapidamente das nuvens e veio acariciar-nos o rosto e adoçar-nos os beijos... enquanto um bando de mansas pombas ia sobrevoando o espaço.
As flores brilhavam por entre a relva... ciosas de um elogio carinhoso.
Duas borboletas vieram saudar-nos e foram sorver o perfume das buganvílias cor-de-rosa...
A encher-nos de maior gozo... um ligeiro ruído proveio do arrasto das três mochilas azulinhas... enquanto as vozes meigas e suaves dos nossos netinhos nos segredavam com ternura:
- Bom-dia!... Até logo!...
Hermínia Nadais
Não às mágoas
POETA
Poeta
tem olhos de água
para sentir e ver
em seu redor
tudo quanto
estiver a acontecer...
Contudo
não é fácil escrever
quando algo ao poeta
é sugerido
porque pode
por ele
não ser sentido....
A poesia
é magia
que sai bem de dentro
de cada ser
onde ela mora
pelo tempo fora
bem guardada
e protegida...
até que por algo
ela se parta
e se reparta
por todos os mais...
bem repartida!...
Hermínia Nadais
Vida... de MULHER!
Vida... de Mulher...
Mulher... da vida!
Tu que existe
Para te dar
E consumir
Num amor total
Desejado
E persistente...
Nunca poderás deixar
Que por alguém
Sejas ultrajada
E desejada
Para com isso sofreres
Estupidamente...
Sendo vista
E julgada
Como a mulher verme
Infeliz
Despudorada
Que ganha a vida
Na berma da estrada...
Pois também ela tem coração...
Ela ama e sente...
E tal como acontece
A toda a gente
É torturada
Pela amargura
E pela dor
Da falta de amor
Do depravado homem
Que a procura
Indiferente
A tudo quanto
Para ela é deprimente!
Não podes permitir
Que tal façanha
Te aconteça... mulher...
Tão frequentemente!...
Hermínia Nadais
Mulher... MULHER!

Criatura de Deus, frágil... e forte!
Estrela serena que no céu reluz!
Lutando pela vida... com a morte!
Carregas aos ombros o peso da cruz!
Apareceste, por seres desejada
P’ra companheira do homem solitário...
E logo após começou o teu calvário
Quando p’la serpente tu foste enganada!...
De bem querida, passaste a desprezada
E a culpada do trabalho e da má sorte...
Transformaram tua vida em dura morte...
Em objecto de prazer e de loucura...
Donde tiveste de partir para a aventura!...
Criatura de Deus, frágil... e forte!
Do teu olhar transmites harmonia!
Do teu coração luz e esperança!
Do teu querer a força e a confiança!
Do teu viver conforto e alegria!
Tal qual outrora pelas mãos de Maria
Chegou à Humanidade o bom Jesus,
O teu querer a todos bem conduz,
Por teu labor e anseio há, na verdade,
Amor, carinho, paz, tranquilidade...
Estrela serena que no céu reluz!
Procuraste a liberdade e conseguiste
Quando lutaste com garra e persistência...
Quando usaste a habilidade e a prudência
E do abuso do poder tão bem fugiste!...
Com tal sucesso o mundo não resiste
A louvar com enlevo o teu suporte,
Tua coragem e empenho que dá sorte
A quem de ti se acerca na amargura!...
Pois tu a todos acolhes com ternura
Lutando pela vida... com a morte!
Com a morte que em ti sentes p’ra te dar
Ao irmão que a teu lado sofre e chora...
Pois por ele estás desperta a toda a hora
Disposta a tudo fazer para ajudar!...
E não há nada que te faça recuar
Quando decides das trevas fazer luz...
Quando o teu querer mais forte já reduz
Tua vontade ao bem-estar de todo o irmão!...
Então... no teu bem dilacerado coração...
Carregas aos ombros o peso da cruz!
Hermínia Nadais
MULHER!

Eu não sei olhar... para ti... mulher!
Sem te ver crescer com grande emoção,
Com amor enorme, que enche o coração
De forte e coesa vontade de ser!
Nos “altos” e “baixos” tu sabes fazer
Da luta da vida uma bela canção...
Colocando em tudo tua leve mão
Enquanto trabalhas ou gozas lazer!
Por toda esta luta te fizeram ter
Algo que te cante merecido louvor
Por tudo quanto a todos vais dando...
E te ofertaram para agradecer,
O oito de Março, Dia da Mulher...
Que te mostra ao mundo como ave... voando!...
Hermínia Nadais
VINGANÇA DE MULHER

Em meio da noite...
aflita... acordei!
Pensei no porquê...
que não encontrei!...
Eu me remexi...
eu... me revirei...
Quando adormeci
então eu sonhei
que era uma fada
bela... encantada...
no meu casarão...
juntinho da estrada...
sentada...
sozinha...
no vão de uma escada
e num cadeirão...
muito concentrada!...
Se acosta um gatão
ao volante agarrado
num enorme carrão
bonito e encarnado!...
É o fanfarrão
do meu namorado
trazendo consigo
um bando afamado
que me olha... nos olhos...
aterrorizado!...
Seguro a varinha!...
E num de repente
mando p’rá cozinha
toda aquela... gente...
p’ra cortar... cebola...
fazer... refogado...
trocar... a fraldinha
ao bebé... borrado...
mijado...
chorão...
que a varinha
fez
do corpo do cão...
Também a bolsinha
sai do seu lugar
a filmar a cena...
para recordar!...
E o carro vermelho
vítima do encanto
galopa comigo
vestido de branco
com as borboletas
mocinhas brejeiras
sorrindo, felizes
e com ares de espanto
servidas pelos homens...
presos pelo encanto!...
Fiquei
desolada
quando acordei...
pois as aventuras,
no sono... eu... deixei...
Enquanto duraram...
voei...
nas alturas...
acima dos astros
e dessas criaturas
que teimam em fazer-me
a vida em pedaços
e que eu consegui
transformar em estilhaços!!!...
Foi sonho... eu bem sei...
mas o que vivi...
não mais esquecerei!...
E sempre que possa... repeterirei!...
Hermínia Nadais
quinta-feira, 6 de março de 2008
LOUCO RADAR
Não sei porque estou
perdida
cansada
rodando sozinha
na berma da estrada
da vida que teima
em me desgastar
e eu não encontro
por onde fugir
de tanta tortura
que me faz partir
o corpo e a cabeça
alma e coração
não há confusão
que não me aconteça
e por mais que pareça
não posso encontrar
quem me ponha a mão
neste meu lidar
cheio de aflição
que me faz girar
em torno de mim
pois não posso crer
que ainda possa haver
uma vida assim
tão cheia e vazia
tão quente e tão fria
tão frágil tão forte
que por mais que tente
não vejo que aguente
esta dura morte
que aumenta na idade
e durará sempre
nesta orfandade
mas estou firme e crente
que não me atormente
na eternidade
Hermínia Nadais
sábado, 1 de março de 2008
BUSCAS DE PAZ
Maridos (ou) mulheres,
filhos, netos,
movimentos,
associações,
pessoas magoadas,
feridas,
maltratadas,
doentes,
e carentes...
de mimos
e consolações...
inúmeras preocupações,
canseiras e aflições
que não dá para acreditar
como é possível
que alguém
possa aguentar!...
São vidas cruzadas,
sofridas, abatidas,
desentendidas...
descontroladas...
quais fogueiras
apagadas
com poeiras...
Tantos corações
desfeitos,
amargurados,
perdidos,
desatinados...
tentando encontrar
pelo mundo fora
a tão almejada PAZ
do coração
que nunca encontrarão
na confusão,
no aqui e agora...
mas, calmamente,
no silêncio mais profundo
bem no fundo
de si mesmos,
onde a PAZ
realmente
terá que nascer...
ser cultivada
crescer...
e finalmente
morar
na mais bela forma de estar
e de viver!
Hermínia Nadais


