Os efeitos da globalização fazem com que a educação não dependa somente da família, vizinhos e amigos, e nem mesmo do País. O rápido e desmedido desenvolvimento tecnológico leva tão longe a Comunicação que, actualmente, no Processo Educativo, o que somos vai para além fronteiras de onde, com a mesma rapidez e eficácia, recebemos inúmeras e marcantes influências, para o bem e para o mal.
Os imensos estudos e investigações efectuadas em todas as áreas de conhecimento têm levado a bom termo descobertas maravilhosas acerca do passado próximo e cada vez mais remoto das civilizações, o que nos leva a compreender cada vez melhor o porquê de muitos escritos que nos chegam e nos parecem verdadeiras aberrações, nomeadamente, na Bíblia Sagrada.
Se me perguntarem se devem ler a Bíblia, eu direi muito categoricamente que não, que não devem ler. A Bíblia não foi feita para ser lida, de qualquer forma, como um outro livro qualquer! A Bíblia, com todas aquelas passagens incompreensíveis, inconcebíveis, inimagináveis, dramáticas e aterradoras, é o livro da Grande Revelação do Amor de Deus pelos homens, visto em inúmeras passagens, mas acima de tudo no Evangelho de São João e no Capítulo 13 da primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.
Os Teólogos passam a vida a estudar a Bíblia! A estudar, aturada e profundamente, todas as passagens bíblicas! E quanto mais estudam, a mais conclusões chegam, e acabam por concluir que encontrarão sempre novas conclusões. Os ensinamentos bíblicos são inesgotáveis, porque uma história de Amor tão forte e profundo nunca mais terá fim.
A Bíblia narra a história de um povo! A história do relacionamento de Deus com um povo e do relacionamento desse povo com Deus.
A história de um povo, tal como outras histórias de outros povos, pode ser investigada e estudada. Há muitos exegetas a interpretar factos bíblicos; inúmeros teólogos a estudar a Bíblia; e relatam tudo sobre a Bíblia, de cor e salteado, mas muitos deles não conseguem perceber nada da Bíblia, porque a história do Povo Bíblico não tem por fim relatar factos, mas despertar o amor dos corações.
As leituras bíblicas têm que ser analisadas dentro do contexto social da época em que foram escritas e da razão por que foram escritas, e têm que ser lidas e meditadas com olhos de compreensão, carinho e AMOR!
No meio de tantas páginas de confusões e desatinos e de algumas claras expressões de AMOR que nos parece haver na Bíblia, toda ela se resume em poucas palavras: Deus gosta de nós, assim com somos, e ama-nos infinitamente. Deus é Pai Misericordioso, que não olha ao passado, transforma o presente e acompanha o futuro.
Através do Seu Filho Jesus Cristo, Deus disse-nos e continuará para sempre a dizer que não é com ofensas que conquistamos o próximo, mas com compreensão, ternura e gestos de perdão – com amor.
Onde houver gestos de ternura e amor, está Deus, porque Deus é amor!
Deus está nas igrejas e fora delas, Deus está em todas as pessoas que amem verdadeiramente, sejam de que religião forem ou mesmo não tendo religião alguma!
Deus é de todos, e todos somos de Deus!
Perante Deus, o Papa, com todo o respeito, amor e consideração que por ele temos, não é mais do que outro cristão qualquer; é, muito simplesmente, um cristão, com o maior cargo na hierarquia temporal da Igreja!
Esta maneira de pensar e ver as pessoas na hierarquia da Igreja aconteceu depois do Concílio Vaticano II, em que os Leigos começaram a ser considerados como apóstolos indispensáveis à implementação da mesma Igreja, e em que as pessoas com maiores cargos devem ter a força necessária para arrastar consigo os outros elucidando-os e ajudando-os a crescer, e nunca para se considerarem mais que eles.
Se ainda existem, na hierarquia da Igreja e entre os leigos que mais trabalham por ELA, pessoas prepotentes, ambiciosas e a provocar escândalos, é porque os homens, na verdade, são imensamente frágeis e inseguros, que se deixam arrastar facilmente pelas tentações de todos os dias.
A Igreja é Santa porque Jesus/Deus é Santo, mas também é pecadora porque os homens são pecadores. É assim que temos de a ver, porque é assim que ela é.
Para Deus, entre os homens cristãos e não cristãos, há uma grande diferença. Os cristãos, que já tiveram o privilégio de encontrar Jesus/Deus, têm o dever de mostrar Jesus/Deus àqueles que ainda O não conhecem.





