Já ouvi imensas descrições de Deus. E acho que com razão, pois como cada ser humano é único e irrepetível, cada pessoa, impreterivelmente, tem a sua visão de Deus, também única e irrepetível! Deus não pode ser visto de igual forma por duas pessoas, porque cada uma é diferente da outra, sente-O, imagina-O e vive-O à sua maneira.
Foi muito bem pensada a ideia de celebrar o Natal de Jesus na mesma data em que os pagãos celebravam a festa do deus sol. A Igreja Católica já foi muito criticada por isso, mas vendo bem, foi uma boa aposta. Compreenderemos melhor as graças inumeráveis que Deus nos dá se O imaginarmos assim como um Sol, disposto a aquecer, iluminar, espalhar energia por toda a parte e a favorecer toda a gente que queira aproveitar as suas dádivas. E toda a gente pode usufruir das benesses do Sol que elas não se esgotam.
Deus… não se cansa de nos amar e de nos chamar para ELE, das mais diversas maneiras, e tem para cada um de nós imensas e inúmeras graças, mas só quem as quiser saborear as poderá vir a possuir.
Criado por Deus, o homem busca Deus sem cessar, consciente ou conscientemente. Criado para Deus, para o AMOR, só em Deus, no AMOR, encontrará descanso, felicidade e bem-estar.
Ninguém sabe ao certo desde quando a Terra e o Homem existem. Estudos, investigações, uma possível aproximação da realidade, não constitui qualquer certeza! Só há bem pouco tempo, alguns milénios, os homens começaram a registar acontecimentos. E os primeiros acontecimentos registados pelos homens estão na Bíblia Sagrada, aquela pequena Biblioteca que não possui, de forma alguma, todos os livros que foram escritos na época em que a colectânea foi elaborada. Temos certeza disso, quando falámos nos Evangelhos apócrifos que nos têm ensinado também muitas coisas.
A Bíblia foi escrita e compilada pelas mãos dos homens, mas não há dúvida que os homens que a escreveram e compilaram o fizeram por intuição Divina.
Como escrita por homens, tem bem vincado o pensamento dos homens do tempo em que foi escrita; como inspirada por Deus tem respondido, responde e responderá, invariavelmente, a todas as questões possíveis de todos os homens de todos os tempos. Daí, que não possa muito simplesmente ser lida, mas que deva, incessantemente, ser meditada.
O mesmo texto bíblico fala a cada pessoa conforme o que a pessoa necessita ouvir… e à mesma pessoa, em diferentes leituras do mesmo texto, pede conversões diferentes.
Há textos na Bíblia que sabemos imaginados, como a formação do mundo e do homem, mas está tudo maravilhosamente relacionado.
Mas… não podemos ter a pretensão de, com estudos aturados ou investigações mais ou menos profundas, poder interpretar capazmente a Bíblia. Podemos, sim, investigar o viver dos homens nas determinadas épocas em que foi escrita para compreender o contexto geral dos textos a meditar que falarão sempre a cada coração conforme o conhecimento que tiver de Deus e o estado de conversão que vivenciar no seu dia a dia.
Quando oiço certas expressões acerca da Bíblia vem-me logo à memória a forma como me familiarizei com ELA. A princípio, não foi nada fácil. A Bíblia completa só começou a vulgarizar-se na Igreja Católica faz muito pouco tempo, depois do Concílio Vaticano II.
Dadas as minhas origens, a participação na Eucaristia Dominical era permanente. Mas como era celebrada na Língua Latina de que as pessoas normais não entendiam nada, havia os missais que as pessoas que sabiam ler usavam para acompanhar tanto a Liturgia da Palavra como a Liturgia Eucarística e todas as orações do celebrante.
Neste contexto, desde sempre tive contacto com passagens bíblicas. Os Quatro Evangelhos já estavam vulgarizados aquando a minha juventude.
Quando consegui uma Bíblia, comecei a ler do princípio, como se começa com qualquer outro livro. Como não percebi quase nada de nada. Comecei a abri-la à sorte, e havia coisas que eu pensava perceber e gostava, mas determinadas passagens davam-me medo, causava-me imenso pavor! Então… guardei-a muito guardadinha.
Tive várias formações catequéticas com manuseamento da Bíblia, onde fiquei a conhecer um pouquinho de alguns livros e havia muitas passagens de que eu gostava, mas não passava daí. Entretanto, abriu um concurso para uns Jogos Florais onde, em poesia, quadras ou prosa, se deveria descrever o que era para nós a Bíblia. Eu concorri e fiquei em primeiro lugar. Mas… nessa altura, a Bíblia ainda me dizia muito pouco.
Um dia, num santuário, encontrei-me com um Sacerdote muito jovem que, de tão bom, ainda hoje não consigo classificar. Depois de um importantíssima conversa bem íntima em que me disse frases inesquecíveis que ainda hoje me orientam na vida, muito sabiamente, aconselhou-me a ler muitas vezes e durante muitos dias o Salmo 130, com estas palavras: “O salmo é pequenino… e não lhe vou dizer mais nada, pois quando o ler vai compreender porque lho indiquei.”
Fui para casa radiante de alegria… e com o Salmo… Fiquei maravilhada!
Num outro encontro, sugeriu-me que aproveitasse o tempo de férias para dar uma olhadinha sobre todos os Salmos. Mas… eu não me fiquei nos Salmos, passei aos Provérbios e ao Cântico dos Cânticos, e foi nessa altura que comecei a interessar-me a sério pela Bíblia!
Pouco tempo depois veio um Sacerdote novo para uma Paróquia da Vigararia que decidiu, no princípio de cada Ano Litúrgico, fazer um mini-curso sobre o Evangelista do Ano. Contextualizou a escrita dos vários Evangelhos e do seu conteúdo. Aprendi muito!
Frequentei Cursos Bíblicos! Desde sempre soube da existência da Antigo e Novo Testamento, que agora alguns já chamam de Primeiro e Segundo Testamento, mas foi nos referidos cursos que fiquei a conhecer minimamente os diversos agrupamentos de livros que compõem a Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento.
Pude frequentar um Curso de Iniciação à Teologia que me abriu os mais díspares horizontes! Ali descobri a interpretação de inúmeras passagens e expressões Bíblicas e aprendi a meditar melhor, meditando!...
No decurso do Ano Paulino, em 2009, para me sentir obrigada a estudar e viver a vida e obra de São Paulo decidi criar um blogue para ir colocando as minhas aprendizagens, descobertas e vivências.
São Paulo, judeu bem informado e escrupulosamente cumpridor da lei judaica, foi um estudioso acérrimo do Antigo Testamento e o único Apóstolo que conseguiu descobrir minuciosamente uma correlação directa entre o Antigo Testamento e a Doutrina de Jesus Cristo. Isto aconteceu quando Jesus o interpelou no Caminho de Damasco convidando-o a deixar de O perseguir, antes de iniciar a sua missão de “Apóstolo das Gentes” retirou-se para conseguir compreender, inter-relacionar e interiorizar o viver Jesus Cristo que tão bem pregou e escreveu, posteriormente.
Não acabará nunca o que dizer deste livro incomparável.