terça-feira, 10 de agosto de 2010

Reviver para viver melhor


Tenho imensa saudade do Ano Sacerdotal. Então, sempre que posso, dou uma voltinha pelos sítios onde encontro algo sobre os Sacerdotes para recordar e viver.
Nesta semana das migrações que nos lembra a nossa vida de caminhantes na busca da Pátria Celeste, debrucei-me sobre alguns comentários que falam dos sacerdotes e de alguns dos seus deveres específicos que são também deveres de todos os cristãos.
O presbítero/sacerdote, antes de tudo, é o homem da Palavra de Deus, do sacramento, do ‘mistério da fé’”, com o dever primordial de proclamar o Evangelho de Deus a todos os homens e levar cada homem e cada mulher, pessoa, a um encontro pessoal com Jesus.
Ora, esta forma de estar, não é só para os Sacerdotes, mas para todos os cristãos. Todos nós, que temos o privilégio de termos tido um encontro pessoal, profundo e marcante com Deus, devemos empenhar-nos verdadeiramente para que cada pessoa possa fazer também a experiência de um encontro com Deus, que tem a intervenção do Sacerdote, configurado com Cristo e ao Seu e nosso serviço.
A presença real de Jesus na celebração Eucarística, centro de toda a vida espiritual, deve-se ao ministério do Sacerdote que age na pessoa de Cristo.
“A mais sublime missão do sacerdote hoje é, sem dúvida, ser um Cristo agora, pois ‘Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre’” – mais um dever de todos os cristãos. Serem outros cristos.
O padre deve avançar com o tempo e a história, sendo crítico e vigilante com a realidade que se lhe apresenta – também nós, cristãos.
A primeira e fundamental vocação do padre é a da santidade – também os restantes cristãos, toda a Igreja.
O sacerdote é chamado a ser capaz de dar atenção e valorizar cada pessoa, e ser uma pessoa mística e ao mesmo tempo a interessar-se “pelas coisas do mundo, pela vida do homem, nas suas angústias e alegrias, para que elas se tornem algo sagrado e agradável ao Senhor”.
“O sacerdote é também aquele que procura uma nova linguagem para se comunicar com o mundo de hoje, principalmente neste mundo da multimídia.”
O sacerdócio ministerial “é entrega, é imolação, é doar-se integralmente, é cruz. Tomar a cruz significa comprometer-se para derrotar o pecado que impede o caminho rumo a Deus, acolher cotidianamente a vontade do Senhor, aumentar a fé, sobretudo diante dos problemas, das dificuldades, do sofrimento” – isto também tem de ser a vida dos cristãos.

Rezemos pelos Sacerdotes! Rezemos pelas vocações Sacerdotais! Rezemos para que o Senhor nos ajude a vivermos plenamente o nosso sacerdócio baptismal.
Esta é a vivência que o nosso bispo D. Manuel nos pede na Missão 2010. Sejamos verdadeiros cristãos, em espírito e verdade!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O MOMENTO PRESENTE


A mata espessa, troncos fortes e firmes, grossos e finos, esguios e bastante altos. Uma estrada estreita. Mesas e bancos. Uma vasta área circundante.
Bem próximo, um Parque de Campismo. Mesmo ao lado, numa das bermas, um ecoponto. Logo após, um restaurante ou coisa assim.
A sombra é fresca e acolhedora. As ervas e arbustos são escassos pela ausência de sol directo.
De quando em vez um veículo avança a velocidade moderada.
Muitos, tal como nós, procuram o melhor sítio, aparcando-se para o almoço.
Há crianças e jovens de todas as idades, desde as que se apressam a descobrir os enigmas indecifráveis da adultez até às que os cabelos grisalhos e rostos flácidos deixam transparecer tempos de quietude e paz.
Os animais de companhia vagueiam pachorrentos e silenciosos.
Não há gritos, não há corridas, não há exageros de modo algum. De quando em vez, uma frase mais volumosa precede uma risada aberta como a luz que o Sol, através da ramaria, vai deixando transparecer.
As inúmeras espécies arbóreas, num entendimento total, vão mostrando aos humanos como é possível coabitar pacificamente apesar de todas as diferenças de cada um.
Neste bosque, tanto de simples como de encantador, o isolamento é quase total. Não conseguimos encontrar canais de televisão nem redes de telefone móvel, somente algumas estações de rádio.
Grupos de pardalitos, bem pequenininhos, vão-se aglomerando junto às mesas abandonadas na busca de alimentação mais suculenta.
Que harmonia, paz tranquila e serenidade, neste cantinho da serra, ainda bem perto do Santuário de Nossa Senhora da Peneda, ou melhor, de Nossa Senhora das Neves que hoje se celebra e que aqui é evocada com o nome de Nossa Senhora da Peneda e cuja festividade se celebra no dia 8 de Setembro.
2010/08/05 – 14.00h

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

NA ÂNSIA DAS DESCOBERTAS… INCERTEZAS E BELEZAS


Desolação total porque não consegui os objectivos a que me tinha proposto… pois não percebi nada do que ouvi nem de muito do que vi… coisas da vida… que me vão obrigar a continuar a pensar!...
Levantei-me cedo para começar logo de manhã com uma boa orientação espacial. O nascer do sol em Vilar de Perdizes acontece no mesmo lado de Santa Cruz. Senti-me em casa. Antes das oito fomos colocar-nos na frente da igreja, pois segundo informações recolhidas a Eucaristia, se a houvesse, seria celebrada às oito ou oito e meia, e como queríamos falar com o Senhor Padre Fontes, era a melhor forma de o encontrar.
Chegados junto à igreja, as mulheres, que se iam aglomerando, quase todas esperavam fora da igreja... e mais pareciam gralhas que pessoas.
De aspecto cansado, o Padre aparece ao fundo da rua. Vou ao seu encontro:
-Olá Senhor Padre Fontes! Não me conhece, mas conheço-o da Televisão e gosto muito de si!
-Pois! Toda a gente me conhece…
-Eu sei. É por causa do Congresso da Medicina Popular. Como arriscou a meter-se num evento desses? Tem tido grandes sucessos! Pelo menos é o que parece, e as pessoas aqui dizem.
-Sim, tenho tido sucesso.
-Porque quis enveredar por esta via? Para alertar as pessoas? Para as ilucidar da verdade?
-Sim! Isto já vem muito de trás…
-O Senhor Padre aceita um livrinho dos meus, que ofereço com muito carinho?
-Sim, obrigada!
E, apontando a porta da igreja, diz muito brandamente:
-Pode entrar?!
-Claro! Estou à espera do meu marido para participarmos na Eucaristia.
E entramos, logo de seguida! Já estava com a Missa começada… que logo acabou. O aviso do final pôs a mulherada num polvoró, pois falou-lhes da Missa de amanhã, dia da Senhora das Neves, e elas não compreenderam o que Padre disse.
Saímos, e o Senhor Padre saiu logo após e perguntou-nos de onde éramos. Depois de alguma troca de frases calorosas e elucidativas acabou por dizer que tinha quatro freguesias, mas não eram o que lhe dava mais trabalho. Aconselhou-nos a visitar a capela de Nossa Senhora das Neves, com uns murais muito antigos. E falou também numas festas e condecorações. Despedimo-nos e seguimos cada qual o seu caminho.
Fomos visitar a supracitada capela e rumamos para Montalegre, onde, no Posto de Turismo/Ecomuseu encontramos o “Espaço do Padre Fontes”, um miminho que a população lhe quis oferecer pelos inúmeros trabalhos realizados em prol da preservação da história da actividade local.
Mas… muito sinceramente… nalgumas povoações que visitamos hoje pareceu-me que os cemitérios e igrejas seriam, muito embora de cuidar… mas assim como umas coisas um tanto incomodativas, por isso, de manter à margem, a uma certa distância. Fiquei muito triste!...
Continuamos viagem! Por estas paragens, até os animais têm elevada inteligência, educação e boa forma de estar. Numa parte da estreita estrada em que havia bermas mais largas e arenosas, encontrámos dez vaquinhas muito bem deitadas ao sol, a remoer a comida, muito calmamente. Passámos entre elas que nem sequer se mexeram. Um pouco mais adiante uma cabrinha estava pendurada numa pequena brecha da berma, enquanto dois cães se arrumaram muito bem para podermos passar.
Quando nos deparámos com certas atitudes humanas, verificamos que a natureza tem coisas incompreensíveis, é bela, exemplar, cumpre a finalidade para que foi criada!.
Neste louco rodar as paisagens e comportamentos encantadores têm favorecido uma pertinente meditação e um constante hino de louvor e de permanente acção de graças.
Todos os momentos da vida são irrepetíveis, mas quando visitamos um lugar que nos enche o coração e não temos a certeza de um dia voltar, esforçamo-nos ao máximo por sorver sofregamente do espaço toda a maravilha.
Depois de atravessar a Barragem do Lindoso, esta noite está a ser passada no sumptuoso Santuário de Nossa Senhora da Peneda, ou seja, de Nossa Senhora das Neves cuja festividade se realiza amanhã, mas que aqui chamam de Nossa Senhora da Peneda e festejam no dia 8 de Setembro.
Não há redes de telemóvel… nem nada que nos perturbe. Em contrapartida, parece que o céu se faz presente na terra para nos mimar com todas as suas carícias.
A solidez escarpada dos penedos aprumados e a vegetação fresca e estonteante que rodeia toda esta recordação de um passado cheio de memórias, glórias e histórias, faz-nos olhar para o alto e repensar o modo de viver melhor a vida!
Escondido entre serranias onde a pastorícia encanta, este é um local aprazível de descanso, silêncio, espiritualidade, religiosidade, misticismo, gozo, harmonia e paz.

Santuário de Nossa Senhora da Peneda - 2010/08/04 – 22.20h

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Rodando por aí!...


Rodando por aí!... Estou perdida neste pontinho de Portugal - Vilar de Perdizes!
O dia foi passado entre Bragança e aqui, algures, num local aprazível, calmo e belíssimo completamente escondido no arvoredo.
Ali, num vaivém constante, há pessoas ávidas de pagar promessas ao Santo e encher garrafas e garrafões com a água milagrosa, límpida e fresca que corre apressada e majestosa no antiquíssimo fontenário.
No enormíssimo parque de lazer as duas igrejas, bem pequenas, em honra de São Caetano. Uma delas, a menor, é apelidada de “Capela dos Milagres”, tantas são as figuras de cera, de todos os tamanhos e formas, que ao lado se encontram arrecadadas em local próprio.
Ainda na minúscula capela um balde preto dá de beber aos muitos ramos de cravos que os crentes vão oferecendo.
Na igreja maior, a “sentinela” do sacrário estava apagada. Quis acendê-la, mas parecia-me que da pequena casinha não emanavam as habituais vibrações incomparáveis e abrasadoras do Hóspede Divino. E não me tinha enganado!
Esperamos pela Celebração das 18 horas: novena e Eucaristia em honra do Santo. Então, tivemos a confirmação de que o sacrário estava, realmente, vazio.
Por curtos mas muito bons momentos, o Senhor dos senhores fez-se presente e encheu o local com todos os esplendores da Sua Graça. Muitos DELE se alimentaram… e o local ficou novamente deserto!
Mais umas rodadas pelo monte, e eis-nos, chegados aqui.
O Sol já se escondeu, eu não sei bem por onde!
Depois da sopa de pedra, sob a vigilância das estrelas, fomos descobrir novidades. Bem giras!
É muito bom vaguear pelo mundo… mas… sem uma boa bússola… talvez não tanto assim!
A aventura destes dias está a ser muito gratificante, pelos mimos e certezas, palpáveis, ou apenas sensíveis e por isso mais entusiasmantes, sem palavras para definição.
2010/08/03 – 22.57h

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

MOMENTOS

Não sei desligar o rádio… preciso de silêncio… tenho de fazer silêncio. É difícil, mas não impossível.
Neste vaguear desvairado na busca de caminhos, cheguei à “França”, algures, em Trás-os-Montes, a caminho da Espanha. A aldeia é pequena, mas cheia e rodeada de encantos, banhada por um pequeno ribeiro onde os açudezinhos abundam para reter a pouca água que por ali faz caminho delimitado por altos e frondosos choupos.
O sol está escaldante, o céu de um azul vivo salpicado de belíssimas nuvens brancas algumas das quais marejadas de um majestoso cinzento.
A estrada é tortuosa e muito pouco habitada. Dos picos arredondados dos inúmeros montes até ao sopé das pequenas montanhas a vegetação alterna entre os mais variados tons de verde até ao característico amarelo da palha seca. Pelo espaço vagueiam águias, milhafres, falcões… sei lá… umas quaisquer aves de rapina, na busca das poucas ou muitas presas escondidas nos pequenos mas espessos arvoredos.
As florestas de Montesinho extasiam! Os aglomerados populacionais estão lindamente cuidados. As casas cobertas de lousas são vozes extremosas do passado bem semeado no presente.
A Natureza é pródiga de beleza, novidade e bem-estar, em qualquer tempo e lugar. Para o sentir e vivenciar mais profundamente e até ao ínfimo pormenor basta activar com todos os meios disponíveis os olhares bem atentos do coração, pois os olhos brilharão de felicidade dando ao rosto uma esplendorosa sensação de gozo, harmonia, serenidade e paz… a bênção mais milagrosa, amorosa e carinhosa de Deus.

O HOMEM

Todos os seres animados ou inanimados trilham normalmente o caminho que lhes foi traçado. O homem, não obstante ter sido dotado de inteligência e razão, continua o eterno desconectado da verdadeira razão da sua existência. E muito cheio da sua suma importância ainda tem o desplante de gritar quando tudo vai mal!… Claro!... O HOMEM não consegue ou não quer ver-se no espelho para não ter de assumir a responsabilidade dos seus fracassos.
Concluindo: o HOMEM, considerado rei de toda a criação, capaz de dominar tantas técnicas e de inventar tantas maravilhas, apesar de tudo, quer queira quer não… e ainda assim… continua a ser o maior responsável pelos problemas de preservação e conservação da Natureza.

sábado, 31 de julho de 2010

Bola de fogo


Sou uma bola de fogo
No espaço, e sem rodar,
Não há luz, calor ou vida
Na Terra p'ra mim tão querida,
Se sair do meu lugar!...

Em qualquer hora do tempo,
Meu trabalho está presente...
De noite, mando a criada,
E de dia, atarefada,
Trabalho constantemente.

Num dia claro e radiante,
Sem nuvens p'ra me esconder,
Podes cegar num instante,
Se me olhares, confiante,
De que me poderás ver.

Põe-me raios circundantes,
Faz-me dentro uma carinha
Nos teus desenhos brilhantes,
Quero ser engraçadinha.

Eu não sou fêmea, sou macho,
Meu calor pode queimar...
Se não tiveres o cuidado,
Que te é recomendado
Para sob mim estar.

Quem sou eu, com tudo isto,
É fácil de adivinhar!...

JULGAR… NÃO! CORRIGIR… SIM!...

  Para continuarmos a pensar um pouquinho que seja na querida e verdadeira Paz, aquela que nasce, vive e revive no mais profundo do coração ...