quinta-feira, 30 de julho de 2026

AFASTEI-ME… DAS CORRIDAS DA VIDA!

 



Frente ao mar, ouvindo o marujar das ondas sob o sol ardente, a areia mal firmava os meus pés! Sentei-me na cadeirinha de pano com os suportes bem enterrados para não cair. O guarda-sol, baixinho, nada mais cobria do que as mochilas do almoço… e a conversa era tanta e tão alta que ensurdecia os ouvidos.

Em poucos instantes… foram-se retirando, aos grupos, para diversos pontos da praia! Uns iam… outros vinham!

O ambiente barulhento perdeu a sua força quando, na hora do almoço, cada um escolheu o sítio onde preencher as necessidades estomacais… que eu e a minha irmã satisfizemos com algo que de casa extraímos antes da saída... em que a corrida foi tanta que o telemóvel escasseou… ficou no quarto onde dormiu… e muita falta me fez: nos meus joguinhos, na amostragem das horas, nas fotos, nos telefonemas!... O lembrar-me que os meus familiares se podiam querer comunicar comigo e não o podiam fazer, arrasou-me. Mas… passou… foi um único dia!...

As ondas estavam calmas e acalentadoras; as águas… nem frias… nem quentes… dependendo da forma como as sentíssemos quando nelas mergulhássemos.

As voltas e voltinhas dadas sobre a junção da água com a areia satisfaziam o gosto pelo salgado, pelo sol escaldante, pelo consolo de ter, pelo menos os pés, metidos nas águas!

Os guarda-sóis eram poucos… e foram abandonados pela sofreguidão da boca que queria saciar o estômago com algo a encontrar nos arredores da praia, diferente de nós, que mitigamos a fome com o trazido de casa.

No céu, as nuvens brancas pareciam paradas como parados estávamos sobre as silenciosas areias.

O mar, sereno, quase não se ouvia. As pombinhas, vagueavam por ali, mas, aos poucos, deixaram de ser vistas. Talvez, como muitos de nós, estivessem a dizer à praia: - Até ao ano, se Deus quiser!

Ou… talvez não! E amanhã continuarão a vaguear por ali, a escolher algo para elas saboroso extraído de entre os inumeráveis grãos de areia!

Como por encanto…  ouviu-se uma voz mais alta:

- Juntem-se todos! É hora do lanche convívio!

De imediato, todos se aglomeraram sobre o espaço escolhido para acamparmos. E começou o ditoso lanche… que acabou com risos e cantos, alegres esgargalhadas, o bater ritmado de muitas palmas!

Começaram então a repartir o excedente pelas mais pessoas presentes na praia.

E… a calma… a todos acalmou!… Voltou àquele pouco de areia que, num curto espaço de tempo, iria ficar sozinho.

A calma das pessoas, parte do coração e chega ao coração… enquanto o tempo passa e vai chegando a hora da partida: 17 horas!

A vida é linda! E neste recanto encantador, tudo parecia um resplandecer de paz e amor!

Hermínia Nadais

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