segunda-feira, 19 de outubro de 2026

ENCANTO!

 

Era uma pequena e esguia torre!

Saída de uma igrejinha majestosa plantada entre o casario, que realçava a sua estrutura sóbria e altamente solene!

Frente ao mar, escutava o marulhar das ondas e maravilhava-se com as corridas estonteantes das crianças que deambulavam pelo areal, dos velhinhos que conversavam nos bancos dos jardins, dos que corriam azafamados para levar a bom termo os afazeres da vida!...

Quando o relógio ecoava as doze badaladas e o sol brilhava no horizonte, uma pequena embarcação se acercava da praia.

De súbito, um bando de gaivotas famintas e preguiçosas se apressavam a sobrevoar o espaço na busca de algo que pudessem mastigar... mas o trémulo barquinho não trazia peixes.

Como por encanto, conseguiu ancorar por entre uns minúsculos rochedos albergados pela costa.

E alguns jovens, rapazes e raparigas, desceram, de mochilas às costas e mais alguns pertences!

Depois de olhar tudo em redor, fixaram-se na torre e encaminharam-se para ela.

Estupefactos e ávidos de saber o que ali se iria passar, um bando multicolor de crianças e adultos, meio atontalhados, apressaram-se a segui-los.

Um senhor de barbas brancas e espessas estava pronto a abrir-lhes a porta do pequeno templo. E todos entraram!

Mas os curiosos… claro… sem saberem para quê!...

Depois dos devidos cumprimentos ao “Senhor da Casa”, calmamente, os jovens olharam tudo em redor!

Tiraram algumas fotos! Trocaram palavras e gestos! Escreveram algumas frases!

E saíram para lanchar sob a enorme tília que cobria de sombra grande parte do minúsculo espaço circundante.

O venerando ancião e vigilante da Igreja juntou-se-lhes, saboreando as iguarias daquele lanche convívio que lhe parecia muito especial.

Convidadas carinhosamente, algumas crianças também quiseram provar.

Refeitos os estômagos… era a hora de subir à torre e observar o panorama: mar, ondas mansas e encapeladas… praia, arribas, telhados, árvores, jardins, flores… estradas e veículos… crianças, jovens, adultos, velhinhos… gaivotas estonteantes e perdidas… pássaros cantantes saltitando pelos telhados, dispersos, aqui e além!...

E… era a hora de regressar ao pequeno barquinho!

Desciam, lentamente… agora… enquanto a torre batia as quatro badaladas depois do meio-dia!

Então, o Simão da Rita arriscou a fazer de maestro, e todos cantaram uma maravilhosa e improvisada canção!

Adeus, ó terra, telhados e praia de areia a brilhar…

Adeus igreja e torre vigilante, queremos cá voltar! 

Acontecimento marcante, já faz muitos anos, em Esmoriz, no dia 9 de junho de 2012!

Hermínia Nadais 

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