Era uma pequena e esguia torre!
Saída de uma igrejinha majestosa plantada entre o
casario, que realçava a sua estrutura sóbria e altamente solene!
Frente ao mar, escutava o marulhar das ondas e
maravilhava-se com as corridas estonteantes das crianças que deambulavam pelo
areal, dos velhinhos que conversavam nos bancos dos jardins, dos que corriam
azafamados para levar a bom termo os afazeres da vida!...
Quando o relógio ecoava as doze badaladas e o sol
brilhava no horizonte, uma pequena embarcação se acercava da praia.
De súbito, um bando de gaivotas famintas e
preguiçosas se apressavam a sobrevoar o espaço na busca de algo que pudessem
mastigar... mas o trémulo barquinho não trazia peixes.
Como por encanto, conseguiu ancorar por entre uns
minúsculos rochedos albergados pela costa.
E alguns jovens, rapazes e raparigas, desceram, de
mochilas às costas e mais alguns pertences!
Depois de olhar tudo em redor, fixaram-se na torre
e encaminharam-se para ela.
Estupefactos e ávidos de saber o que ali se iria
passar, um bando multicolor de crianças e adultos, meio atontalhados,
apressaram-se a segui-los.
Um senhor de barbas brancas e espessas estava
pronto a abrir-lhes a porta do pequeno templo. E todos entraram!
Mas os curiosos… claro… sem saberem para quê!...
Depois dos devidos cumprimentos ao “Senhor da
Casa”, calmamente, os jovens olharam tudo em redor!
Tiraram algumas fotos! Trocaram palavras e gestos!
Escreveram algumas frases!
E saíram para lanchar sob a enorme tília que cobria
de sombra grande parte do minúsculo espaço circundante.
O venerando ancião e vigilante da Igreja
juntou-se-lhes, saboreando as iguarias daquele lanche convívio que lhe parecia
muito especial.
Convidadas carinhosamente, algumas crianças também
quiseram provar.
Refeitos os estômagos… era a hora de subir à torre
e observar o panorama: mar, ondas mansas e encapeladas… praia, arribas,
telhados, árvores, jardins, flores… estradas e veículos… crianças, jovens,
adultos, velhinhos… gaivotas estonteantes e perdidas… pássaros cantantes
saltitando pelos telhados, dispersos, aqui e além!...
E… era a hora de regressar ao pequeno barquinho!
Desciam, lentamente… agora… enquanto a torre batia
as quatro badaladas depois do meio-dia!
Então, o Simão da Rita arriscou a fazer de maestro,
e todos cantaram uma maravilhosa e improvisada canção!
Adeus, ó terra, telhados e praia de areia a
brilhar…
Adeus igreja e torre vigilante, queremos cá
voltar!
Acontecimento marcante, já faz muitos anos, em
Esmoriz, no dia 9 de junho de 2012!
Hermínia Nadais

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