quinta-feira, 15 de outubro de 2026

UM ENCANTO DE VIDA

 

Foi em tempos passados, quando a terra era docemente cultivada pelas mãos humanas, e os homens, muitas vezes chamados a trabalhar nela como assalariados, eram carinhosamente alimentados pelas ‘senhoras’ da casa!

O sol escaldante deixava cair os seus raios dourados sobre o corpo de bronze alquebrado sob o peso da enxada que removia lentamente a terra do carvalhal amortecido.

Era meio-dia! Ao longe, uma mocinha graciosa vinha deambulando pela estrada deixando que o vento ondulasse os seus belos e pretos cabelos lisos.

De olhos enxutos, mas com a água a escorrer por entre os pelos loiros das raras e esguias barbas, João sentou-se, calmamente, debaixo do salgueiro, junto ao penedo que ladeava a margem direita do rio.

Ao vê-lo, um sorriso delicioso encheu de brilho o olhar de Maria, enquanto, brandamente, poisava a pequena cesta e estendia sobre a densa folhagem seca um lindo pano de linho fino, bordado a preceito, debaixo da pequena panela da sopa que fumegava um cheiro tão saboroso que enchia de gozo as bocas mais insípidas e amargas.

Os momentos do almoço passaram, mudos e velozes! E, enquanto a jovem se apressava no regresso ao lar para continuar, junto da mãe, as cansativas lides caseiras, João, de olhos presos naquele mimoso esmero da Natureza, ia cavando e pensando se não seria esse formoso rebento a esposa amada que sonhava um dia encontrar… para lhe mimar a lenta e sequiosa agonia dos dias!...  

Se o chegou a ser… não sei! Mas… que todos tenham sido muito felizes nos segundos de todos os dias! 

       Hermínia Nadais         


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