Foi em tempos passados, quando a terra era docemente cultivada pelas mãos humanas, e os homens, muitas vezes chamados a trabalhar nela como assalariados, eram carinhosamente alimentados pelas ‘senhoras’ da casa!
O sol escaldante deixava cair os seus raios
dourados sobre o corpo de bronze alquebrado sob o peso da enxada que removia
lentamente a terra do carvalhal amortecido.
Era meio-dia! Ao longe, uma mocinha graciosa vinha
deambulando pela estrada deixando que o vento ondulasse os seus belos e pretos
cabelos lisos.
De olhos enxutos, mas com a água a escorrer por
entre os pelos loiros das raras e esguias barbas, João sentou-se, calmamente,
debaixo do salgueiro, junto ao penedo que ladeava a margem direita do rio.
Ao vê-lo, um sorriso delicioso encheu de brilho o
olhar de Maria, enquanto, brandamente, poisava a pequena cesta e estendia sobre
a densa folhagem seca um lindo pano de linho fino, bordado a preceito, debaixo da
pequena panela da sopa que fumegava um cheiro tão saboroso que enchia de gozo
as bocas mais insípidas e amargas.
Os momentos do almoço passaram, mudos e velozes! E,
enquanto a jovem se apressava no regresso ao lar para continuar, junto da mãe,
as cansativas lides caseiras, João, de olhos presos naquele mimoso esmero da
Natureza, ia cavando e pensando se não seria esse formoso rebento a esposa
amada que sonhava um dia encontrar… para lhe mimar a lenta e sequiosa agonia
dos dias!...
Se o chegou a ser… não sei! Mas… que todos tenham sido muito felizes nos segundos de todos os dias!
Hermínia Nadais

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