terça-feira, 13 de outubro de 2026

LINGUAGEM INCOMPREENSÍVEL!

 

Num dia ensolarado, deu-me vontade de sair e sentar, saboreando o sol e olhando o espaço, nos bancos do jardim! Mas… como as tarefas caseiras não mo permitiam, foquei nelas todo o meu empenho.

Ao iniciar a confeção do almoço escutei um enorme rebuliço, guinchos… e mais guinchos… mesmo à porta da cozinha.

Incomodada com a barulheira, vislumbrei os safados dos ladrões da comida dos dois gatos…  com que gastava sacos e sacos de comida.

Peguei na vassoura, e abri lenta e cautelosamente a porta para dar uma valente sova naquele gatedo todo… que fugiu, velozmente, correndo, cada qual para seu lado, deixando-me a olhar, desalmadamente, sem gestos nem palavras, todo aquele panorama!...

E vi que um se escondeu… ao lado da então ali existente chaminé, onde bati com toda a força!… E fugiram, ele e outros que também lá se esconderam, numa corrida desesperada… inundando o jardim com uma nuvem de gatos a correr… de cores diferentes... miando ferozmente com quanta voz lhes saía das gargantas.

Voltei ao meu trabalho… e pouco depois… voltei a ouvir guinchos diferentes e berros descabidos numa algazarra sem fim.

Abri a porta! Ao fundo das escadas aquela berraria toda, com gatos a arranharem-se uns aos outros, nos focinhos, com a maior aspereza que imaginar se possa.

Peguei de novo na vassoura… fiquei parada no cimo da escadaria… e atirei com ela sobre eles… que se dispersaram novamente numa louca correria.

Por que estariam eles com tanta raiva uns dos outros… nunca o irei saber!

Mas, afinal, não são só os homens e mulheres que são raivosos, pois os gatos… muito embora numa linguagem incompreensível, parecem-me muito piores do que os Humanos. 

E a estes… sem autoconhecimento, quem os poderá corrigir?!...

Valha-nos… quem nos possa valer!

Hermínia Nadais


DESEN

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